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Lagarde: Novas tarifas de Trump terão "pequeno impacto" na inflação da Zona Euro

Em Davos, a presidente do BCE defendeu que a imposição de novas tarifas dos EUA sobre produtos europeus "não terá um bom resultado" para os consumidores norte-americanos. Mas desvalorizou o impacto que essas tarifas podem ter na inflação da Zona Euro.

Christine Lagarde esteve em Davos a desvalorizar o impacto das novas tarifas norte-americanas.
Christine Lagarde esteve em Davos a desvalorizar o impacto das novas tarifas norte-americanas. Gian Ehrenzeller / Lusa_EPA
21 de Janeiro de 2026 às 09:33

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, defendeu esta quarta-feira que a possível , em retaliação pela oposição europeia a um eventual controlo norte-americano da Gronelândia, deverá ter um "pequeno impacto" na inflação da Zona Euro. E reiterou que os consumidores norte-americanos serão os mais prejudicados pela "guerra de tarifas".

Com as , Christine Lagarde foi a Davos meter o dedo na ferida e desvalorizar a ameaça de novas tarifas norte-americanas. Segundo a presidente do BCE, a Zona Euro enfrenta atualmente "uma tarifa média de cerca de 12%", um valor que compara com 2% observados há um ano. "Com a ameaça que paira, subiríamos essa tarifa média para 15%", referiu, na abertura do terceiro dia do encontro anual do Fórum Económico Mundial, nos Alpes suíços.

Face a isso, argumentou que importa perceber "quem é que está a suportar" o peso das tarifas que estão atualmente em vigor sobre as exportações europeias. "Podemos ficar surpreendidos. Não vi muitos estudos, mas existe um estudo do Instituto de Kiel, na Alemanha, que identifica o consumidor e o importador norte-americano como sendo aqueles que mais sentem o fardo das tarifas", frisou, salientando que o impacto nos consumidores europeus é consideravelmente inferior.

De acordo com esse estudo citado por Christine Lagarde, "96%" das tarifas são suportadas pelos consumidores e importadores norte-americanos. Por isso, afirma que o reforço das tarifas já em vigor "não será um resultado muito bom [para os Estados Unidos], especialmente em termos de inflação"

No caso da UE, disse que é preciso "analisar as consequências" dessas tarifas adicionais e os seus efeitos indiretos sobre a inflação, bem como o impacto que terão no crescimento da Zona Euro. Mas adianta que esse impacto deverá ser "pequeno".

Em retaliação pela oposição de vários países europeus às pretensões de Donald Trump sobre a Gronelândia, o presidente norte-americano anunciou que irá avançar com tarifas adicionais (de 10% a partir de fevereiro e 25% a partir de junho) sobre mercadorias de oito países europeus, entre os quais seis Estados-membros da UE (Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia) e dois outros (Noruega e Reino Unido). Com essa medida, ignora o acordo comercial entre a UE e Estados Unidos, que entrou em vigor em setembro e que impôs tarifas globais de 15% sobre produtos europeus.

Christine Largarde abordou ainda as pressões atuais sobre os bancos centrais, sem se pronunciar diretamente sobre a interferência de Donald Trump na Reserva Federal norte-americana (Fed). "Não vou comentar diretamente o que está a acontecer neste momento. Basta dizer que, juntamente com outros alguns colegas, tomámos a iniciativa de argumentar a favor da independência dos bancos centrais no contexto do que aconteceu há cerca de uma semana", afirmou, referindo-se à carta assinada por vários governadores e líderes de autoridades monetárias em "total solidariedade" com o presidente da Fed.

Sobre essa questão, destacou que é importante distinguir ter os governos e os bancos centrais a "trabalharem lado a lado" – como aconteceu durante a pandemia, em circunstâncias "excecionais", e que considera ter sido "complemente legítimo –, e outra é "pressionar" decisões. "A dependência orçamental é outra questão, contra a qual argumento fortemente", disse.

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