Senado aprova. Kevin Warsh deverá ser o novo presidente da Fed
O ex-governador da Reserva Federal que foi escolhido pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para substituir Jerome Powell à frente do banco central foi confirmado por um comité do Senado dos EUA.
Kevin Warsh deverá ser o próximo presidente da Reserva Federal (Fed) norte-americana. O nome do ex-governador do banco central entre 2006 e 2011, proposto por Donald Trump para substituir Jerome Powell, foi confirmado pelo Comité da Banca, no Senado dos EUA, por 13 votos a favor e 11 contra.
O comité é composto por 13 republicanos e 11 democratas e todos os democratas votaram contra - a maioria não compareceu e votou por procuração. Agora resta a votação final, de todo o Senado, para Warsh ser finalmente confirmado - e não está claro se isso acontecerá até 15 de maio, data em que termina o mandato de Powell como presidente do banco central.
A aprovação de Warsh no Senado deverá ser pacífica, dado que os republicanos têm a maioria nesta câmara alta do Congresso. Mas, por questões de calendário, é possível que a votação só ocorra no próximo mês e não se sabe se já estará confirmado quando terminar o mandato de Powell.
Recorde-se que Powell já disse estar disponível para se manter interinamente à frente da Fed enquanto for necessário, se bem que isso não seja do agrado de Trump, que tem criticado o líder do banco central por não cortar mais os juros diretores.
Esta quarta-feira é dia de a Fed anunciar a sua decisão sobre a taxa dos fundos federais, que deverá manter-se no intervalo entre 3,5% e 3,75%, onde está desde dezembro. A próxima reunião de política monetária está agendada para 16 e 17 de junho e agora a questão é saber se já será Kevin Warsh à frente da Fed nesse encontro. Se assim for, a reunião de política monetária que hoje termina é a última de Powell, que dará assim a sua última conferência de imprensa pelas 19:30 de Lisboa.
Na audição de dia 21 de abril perante o Comité da Banca, Warsh deu a conhecer muitas das suas posições e uma das mais vincadas foi a de que “não será uma marioneta de Trump”, não se tendo comprometido com o Presidente norte-americano a cortar os juros diretores. Warsh frisou que nunca baixará os juros ou tomará outras decisões em resultado direto de eventual pressão política de Trump.
Durante o seu testemunho, Kevin Warsh mencionou a necessidade de uma “mudança de regime na condução da política monetária” e “um novo enquadramento para a inflação”. Atualmente, a meta da Fed para a inflação é de 2%.
Warsh disse também que pretende reduzir a taxa dos fundos federais, bem como o balanço da Fed, se bem que esses planos possam ser ameaçados pelo posicionamento de linha dura do Comité Federal do Mercado Aberto (FOMC) e pela inflação persistente.
O escolhido de Trump manifestou ainda vontade de se realizarem menos reuniões de política monetária. Se assim for, acabará com uma tradição que tem quase 50 anos. Atualmente, a Fed realiza oito encontros de política monetária por ano – e no final de cada trimestre apresenta as projeções económicas atualizadas para o país, bem como o “dot plot” – mapa que mostra como cada representante do banco central estima as mexidas nos juros diretores.
Recorde-se que o mandato de Powell como presidente da Fed termina a 15 maio, mas como governador só termina em 2028 – e Jerome ainda não disse se pretende levar este mandato até ao fim.