Em dez anos reformaram-se 21 trabalhadores do BdP nas mesmas condições de Centeno
O governado do Banco de Portugal (BdP) revelou que na última década reformaram-se 21 trabalhadores da instituição nas mesmas condições em que o fez Mário Centeno que passou à aposentação antes dos 60 anos, com 72% do último salário.
A indicação foi dada nesta quarta-feira na comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública sobre o processo que levou à saída do ex-governador. "Posso dizer que nos últimos dez anos tivemos 21 trabalhadores que se que se reformaram antes dos 60 anos com as mesmas condições, ou seja, a nível de idade", indicou Álvaro Santos Pereira. O governador apontou ainda que com reformas antes dos 60 anos, "houve casos semelhantes em 2017 e 2018", ou seja, no mandato de Carlos Costa.
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O líder do supervisor indicou ainda que a "idade média da reforma no Banco de Portugal é de 64 anos e eu tenho a certeza absoluta de que os trabalhadores do Banco de Portugal têm tanto orgulho em trabalhar para o Banco", defendendo que a idade da aposentação deve ser igual ao regime geral, ou seja, 67 anos - nos termos atuais - tendo em conta a esperança média de vida.
Álvaro Santos Pereira reiterou que a solução encontrada para Mário Centeno permitiu uma poupança ao BdP superior a 2 milhões de euros, revelando que o antecessor se aposentou com uma pensão equivalente a 72% do último salário, um rácio inferior à média do banco que é de 74%.
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O governador do Banco de Portugal, que confessou não ver que outra função Centeno poderia ocupar na instituição, revelou aos deputados que teve duas conversas com o antecessor sobre o futuro dentro do BdP.
"No dia após a minha posse, eu tive uma conversa com o ex-governador do Banco de Portugal para fazermos uma transição, como é natural nestas instituições, e eu perguntei ao ex-governador, o que é que ele tencionava fazer", indicou. Nessa altura, referiu, Centeno estava concentrado na candidatura à vice-presidência do Banco Central Europeu (BCE).
A escolha para esse cargo acabou por recair noutro nome e Santos Pereira teve uma nova reunião. "Após essa decisão do BCE ter sido tomada, houve uma segunda conversa em que exatamente o professor Mário Centeno, na altura, disse que gostaria de ver quais eram as possibilidades de chegar a um acordo e, portanto, os recursos humanos do Banco de Portugal" fizeram essa avaliação, tendo havido "troca de informação a nível técnico" e chegou-se a uma solução "por mútuo acordo".
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"Portanto", concluiu o governador, "é tão simples como isso. Foi acordo mútuo. Não houve nem despedimento, nem houve favorecimento. Foi exatamente usar as regras do Banco de Portugal e do Fundo de Pensões para chegarmos a esta situação. Assim, aliás, como está a acontecer com outros consultores da administração".
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