IL promove debate potestativo no Parlamento no dia da greve geral: “Um País, Dois Sistemas”
A Iniciativa Liberal (IL) vai promover um debate potestativo na Assembleia da República no dia da greve geral marcado para 11 de dezembro com o tema "Um País, Dois Sistemas", anunciou hoje no Porto, a presidente do partido.
"No próprio dia da greve geral, 11 de dezembro, enquanto o país estiver parado, a Iniciativa Liberal vai fazer aquilo que nenhum outro partido faz: promover um debate na Assembleia da República para apresentar propostas que dão respostas às pessoas que vão ser brutalmente penalizadas por este sistema desigual", declarou a presidente da IL, Mariana Leitão, durante o seu discurso no 6.º Encontro Nacional de Núcleos e Autarcas da Iniciativa Liberal, que está a decorrer hoje na cidade do Porto.
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A presidente do IL afirmou que o partido quer romper o ciclo de um Portugal com dois sistemas no regime laboral, defendendo que o sistema público e o sistema privado devem convergir num só sistema.
"Queremos uma Concertação Social mais aberta e plural, com novas vozes e novas soluções. Queremos regras claras para as greves, com serviços mínimos reais que protejam o direito de quem protesta sem destruir o direito de quem precisa de trabalhar, estudar ou receber cuidados de saúde. E queremos convergência entre regimes laborais, aproximando o setor público e o privado, simplificando o sistema e dando autonomia a quem lidera para que o Estado funcione melhor".
Mariana Leitão defende um regime laboral que não "fique preso" a um modelo "que já não serve ninguém", referindo que as duas grandes confederações sindicais que dominam a Concertação Social representam "hoje apenas cerca de 7% dos trabalhadores portugueses, mas continuam a exercer um poder desproporcionado sobre decisões que afetam 100% da força laboral".
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"Estão ausentes os jovens trabalhadores, os independentes, os profissionais da economia digital, os empreendedores, os trabalhadores qualificados que não se reveem em sindicatos tradicionais e os sectores emergentes que já são essenciais para o futuro económico de Portugal. Sem essas vozes, continuamos a negociar o futuro com base em modelos do passado".
Com críticas à "ligação histórica, orgânica e pública ao PCP" da CGTP e à "proximidade histórica ao PS" da UGT, Mariana Leitão afirmou que quem "lá está hoje quer manter tudo exatamente como está, mesmo que o mundo avance, mesmo que a economia mude, mesmo que os trabalhadores precisem de respostas novas".
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"Enquanto a Concertação [Social] ficar capturada por quem vive do passado, Portugal continuará preso ao passado. Nós recusamos isso. Nós queremos abrir a porta ao futuro. [...] É assim que damos passos reais para acabar com este país dividido em dois [sistemas público e sistema provado]. E é assim que garantimos que Portugal avança, em vez de ficar preso a um modelo que já não serve ninguém".
A IL diz que Portugal não pode continuar a viver entre ruturas cíclicas do "ou tudo para, ou nada muda" e defende a "garantia de serviços mínimos eficazes, porque o direito à greve não pode anular os direitos dos cidadãos".
Mariana Leitão falava no 6.º Encontro Nacional de Núcleos e Autarcas da Iniciativa Liberal, que está a decorrer hoje do Porto Palácio Hotel, na cidade do Porto e foi aplaudida de pé por várias dezenas de militantes e simpatizantes do partido no final do discurso.
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