Vieira Lopes: Revisão laboral "só por si" não chega para dar salto de produtividade e salários
O líder da Confederação de Comércio e Serviços de Portugal (CCP) defendeu que a revisão da lei laboral colocada em cima da mesa pelo Governo não vai levar "só por si" a aumento de produtividade e salários que levem a "um salto qualitativo" da economia portuguesa. "Ajuda, mas não tenhamos ilusões", afirmou João Vieira Lopes.
"Nisto não estamos de acordo com o Governo. Por si só, a alteração à legislação laboral não vai levar a aumento de salários", começou por dizer o líder da CCP nesta quarta-feira, 21 de janeiro, na conferência de 10 anos da Conversa Capital, o programa de entrevistas semanal do Negócios e da Antena 1.
PUB
João Vieira Lopes falava num painel sobre o que é capital em Portugal e o que pode ajudar a economia portuguesa a crescer acima dos 2%.
A revisão da lei laboral, disse, "ajuda". Mas não basta. "Sem investimento, sem alteração de quadros fiscais, sem melhoria da justiça... não tenhamos ilusões. Não pode ser por si só a chave para a um alteração qualitativa" da economia, defendeu.
Embora considere que o anteprojeto do Governo "não foi bem enquadrado politicamente tendo em conta a situação vivida no país", João Vieira Lopes disse que as alterações "estão bem feitas" e que são importantes para a produtividade.
PUB
No entanto, considerou que "o investimento, a fiscalidade, a justiça... todos esses setores são importantes" e lembrou que os inquéritos das consultoras internacionais apontam "claramente essas como as dificuldades dos investidores em Portugal", a que se junta a burocracia e os licenciamentos.
Vieira Lopes defendeu ainda um acordo em concertação, mas disse que é preciso fazer "muito mais trabalho de casa em termos de segmentação nos pontos a abordar" e "verificar se uma negociação mais ampla permite repartir acordos - e se isso pode facilitar o acordo".
PUB
No painel onde discursou João Vieira Lopes participou também António Saraiva, agora presidente da Cruz Vermelha, mas que foi líder da CIP - Confederação Empresarial de Portugal durante cerca de uma década.
Sobre o mesmo tema, lembrou que quando assumiu a liderança da CIP, em 2010, pediu um estudo sobre o que travava a economia portuguesa e o que é que as empresas queriam para investirem mais. "As respostas são as mesmas", disse, criticando que o diagnóstico esteja feito há muitos anos, mas sem ações concretas.
Depois, dando o exemplo da lei laboral criticou que, em Portugal, "existam vacas sagradas onde não se pode mexer" e o "imobilismo" que impede as alterações que considera necessárias para promover a economia portuguesa.
PUB
"Não gostaria que, enquanto convidado para uma Conversa Capital daqui a cinco anos ou dez, voltar a repetir as mesmas coisas, é preciso fazer diferente", disse.
Seguro e a maioria social
Leilões
Mais lidas
O Negócios recomenda