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Passos sugere que Governo pode "conduzir país a desgraça nacional"

Recandidato a novo mandato à frente do PSD, Passos Coelho diz que mesmo que este Governo dure até ao fim não será capaz de levar o país a crescer mais de 1% a 2%. E propõe uma segunda vaga de reformas para consegui-lo.

Paulo Zacarias Gomes paulozgomes@negocios.pt 01 de Março de 2016 às 18:18
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O ex-primeiro-ministro e recandidato a líder do Partido Social Democrata (PSD) Pedro Passos Coelho admitiu esta terça-feira, 1 de Março, a possibilidade de o Governo socialista levar o país a uma situação de "desgraça nacional" mas não quis "especular" sobre um possível cenário de queda do Executivo.


"Se este governo durar quatro anos, se não nos conduzir a uma desgraça nacional e se as coisas correrem menos mal, o país mesmo assim não crescerá o suficiente", defendeu Passos Coelho em Lisboa, na apresentação da moção de estratégia que sustenta a sua recandidatura a um novo mandato de dois anos à frente do PSD.


O líder da oposição – que não especificou a que "desgraça nacional" se referia - recusou "especular" sobre eventuais crises políticas que possam vir a motivar a intervenção do futuro Presidente da República. E disse mesmo esperar que o Governo PS, apoiado pela esquerda no Parlamento, cumpra o tempo da legislatura.


"Não sei se há eleições nos próximos dois anos do meu mandato na Comissão Política Nacional do PSD. Se alguma coisa acontecer, eu serei candidato a primeiro-ministro nessa circunstância. Se o Governo cumprir - como se deseja - essa legislatura, essa questão colocar-se-á daqui a quatro anos", afirmou em declarações reproduzidas pelas televisões.


Ainda assim, insistiu Passos, mesmo com estabilidade, o actual Governo não deverá conseguir proporcionar o crescimento necessário ao país. Para que a economia cresça mais do que o previsto nos próximos anos, defendeu, é necessário implementar uma "segunda geração de reformas" no país. 


"[O crescimento de] 1% a 2% não chega para reabsorver o desemprego criado ao longo de mais de 15 anos, para libertar mais dinheiro e pagar mais depressa as dívidas, não é suficiente para dar a Portugal o dinamismo para se registar a mobilidade social que é necessária", defendeu.


O antigo governante advogou um Estado "mais ao serviço das pessoas, das famílias e das empresas" e a realização de reformas na economia para resolver os problemas estruturais do país, insistindo na questão demográfica e no ataque às "causas das desigualdades económicas e sociais".


"As crises não criam problemas de desigualdade nas sociedades, estes existem antes das crises e tendem a perdurar depois das crises", argumentou, assumindo que o país continua a ter "uma das economias mais desiguais em toda a Europa". Mas sustentou que "em vez de mera redistribuição social", o Estado deve poder actuar mais cedo e "atacar a raiz dos problemas".

O PSD realiza eleições directas no próximo sábado, 5 de Março, e cerca de um mês depois - a 1, 2 e 3 de Abril - reúne em congresso em Espinho. Passos Coelho é o único candidato a presidente da comissão política nacional do partido. 

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