Política Centeno escusa-se a recolher 'louros' do sucesso português

Centeno escusa-se a recolher 'louros' do sucesso português

O ministro das Finanças, Mário Centeno, escusou-se a individualizar o sucesso das políticas do Governo português, na reação aos elogios feitos pelo candidato socialista à presidência da Comissão Europeia, preferindo salientar o crescimento prolongado na área do euro.
Centeno escusa-se a recolher 'louros' do sucesso português
Reuters
Lusa 16 de maio de 2019 às 15:15
Instado a pronunciar-se sobre os comentários feitos pelo 'spitzenkandidat' (candidato principal) dos Socialistas Europeus, Frans Timmermans, que apontou Portugal como um exemplo de sucesso no combate às medidas de austeridade, o ministro das Finanças português admitiu não ter tido oportunidade de assistir ao debate, que na quarta-feira reuniu em Bruxelas os candidatos das seis principais famílias políticas europeias.

"Acho que os debates, no contexto das eleições europeias, devem projetar o conjunto da UE. É evidente que a experiência que temos tido em vários países, incluindo em Portugal, é muito positiva. Aliás, devemos estar contentes com essa evolução e por estarmos num momento de crescimento, que já vai muito prolongado, o que é um excelente sinal, e com criação de emprego", realçou.

Em declarações aos jornalistas em Bruxelas, à entrada para a reunião do Eurogrupo, Centeno vincou que a área do euro "como um todo" criou mais de 10 milhões de empregos nos últimos cinco anos, tendo Portugal criado "mais de 370 mil empregos" só nos últimos três anos.

"Este movimento conjunto das economias da área do euro não nos deve tornar complacentes com a necessidade de continuar a atuar a área do euro e as suas instituições para o futuro. Mas deve-nos deixar contentes com o sucesso de todos os países, seguramente incluindo Portugal", concluiu.

No único debate entre os candidatos principais ('Spitzenkandidaten') ao cargo de presidente da Comissão Europeia antes das eleições europeias da próxima semana, Manfred Weber (Partido Popular Europeu) mencionou uma conversa com jovens, na sua recente visita a Portugal, na qual aqueles clamaram por melhores salários.

Frans Timmermans não deixou escapar a deixa e revelou que nas suas visitas a Portugal - a última aconteceu no sábado, quando participou no arranque da campanha oficial do Partido Socialista, ao lado do primeiro-ministro português - os jovens com quem falou recordaram-no que "quando António Costa apresentou um plano para criar mais justiça social e crescimento económico, a Comissão Europeia concordou e Weber quis penalizar Portugal".

O socialista holandês, atual primeiro vice-presidente da Comissão Europeia, lembrou que tanto o comissário dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, como o presidente do executivo, Jean-Claude Juncker, consideraram que o plano orçamental português apresentado pelo Governo português poderia funcionar, tendo Manfred Weber discordado e pedido que Portugal fosse punido.

"A verdade é que funcionou. Hoje, a justiça social em Portugal é maior, o emprego cresceu tremendamente, porque eles colocaram um ponto final na austeridade e era isso que mais governos deveriam fazer", declarou.

Em maio de 2016, o líder do grupo parlamentar do PPE escreveu à Comissão Europeia a pedir que Bruxelas endurecesse as suas posições sobre os países - Portugal e Espanha - incumpridores do défice de 3% definido pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento, admitindo até o recurso a instrumentos corretivos.



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