Política Os discursos dos Presidentes nos seus primeiros 25 de Abril

Os discursos dos Presidentes nos seus primeiros 25 de Abril

Marcelo faz amanhã o seu primeiro discurso no 25 de Abril enquanto Presidente. Quando fizeram essa mesma intervenção, os seus quatro antecessores traçaram o retrato do país nas suas épocas. Se Ramalho Eanes temia que as conquistas de Abril pudessem ser ameaçadas, Mário Soares garantia que o país já estava estabilizado. Sampaio insistiu na qualificação dos portugueses e Cavaco Silva denunciou uma sociedade injusta.
Os discursos dos Presidentes nos seus primeiros 25 de Abril
Pedro Elias
Bruno Simões 24 de abril de 2016 às 15:00

RAMALHO EANES
25 de Abril de 1977
Abril não pode ser traído
Ramalho Eanes discursou, no seu primeiro 25 de Abril, em 1977. Era um Presidente preocupado com a instabilidade política do pós-revolução, que ameaçava as conquistas de Abril. Ramalho observava o "desencanto" que se apoderava de muita gente e perguntava: "que é feito da fraternidade que encheu as ruas e os campos deste país?". "Portugal viveu inundado de palavras e embriagado de promessas", e naquele momento, a "crise" era usada para justificar o adiamento da melhoria das condições de vida. "É forçoso encontrar uma resposta concreta para aspirações que se vão tornando desespero", pedia o Presidente, convocando as empresas a contribuir para modernizar o país, para que os ideais de Abril não viessem a ser "um sonho traído".

MÁRIO SOARES

25 de Abril de 1986
As portas do futuro abrem-se
O segundo Presidente da democracia fez, em 1986, um primeiro balanço dos 12 anos do 25 de Abril. Para Mário Soares, os portugueses tinham razões para estarem confiantes com o que havia sido conseguido e, sobretudo, com o que estava a caminho, devido à entrada na então Comunidade Económica Europeia. Apesar de ainda persistir no país a "pobreza" ou a "ignorância", o país havia dado "passos de gigante". "Mudámos as coisas, a terra e, sobretudo, as mentalidades", observava o Presidente. Naquele momento, faltava apostar na modernização da economia e qualificação das pessoas, para não perder o "legado inestimável do 25 de Abril", que consistiu em "abrir-nos de par em par as portas do futuro". "Temos hoje tudo nas nossas mãos".

JORGE SAMPAIO
25 de Abril de 1996
O apelo à qualificação e regiões
Jorge Sampaio discursou pela primeira vez perante a Assembleia da República para comemorar o 25 de Abril em 1996. Depois de lembrar que a Revolução havia permitido recuperar a liberdade de "optar, debater e decidir sobre o nosso futuro colectivo", sublinhou que isso não é suficiente, porque "precisamos de iluminar bem o contexto da nossa decisão". Era necessário, por isso, um esforço de qualificação dos portugueses. Jorge Sampaio também apelou a um consenso sobre a regionalização, que defendia, pedindo que o debate político deixasse de se restringir a "questões de método e calendário" para se centrar antes nas "vantagens e inconvenientes". Dois anos depois realizou-se o referendo sobre a regionalização, em que o "não" venceu.


CAVACO SILVA

25 de Abril de 2006
Um compromisso para a inclusão
O primeiro 25 de Abril com Cavaco Silva como Presidente da República, em 2006, ficou marcado por um diagnóstico alarmante. No discurso que fez perante a Assembleia da República, Cavaco Silva afirmava que um dos sonhos de Abril, de construir uma "sociedade mais justa e equilibrada, em que os benefícios do desenvolvimento contemplassem todos", ainda estava por cumprir. "Ficámos muito aquém na concretização dessa ambição", reconhecia, exemplificando com o forte "dualismo" entre litoral e interior, a "desigualdade de distribuição de rendimentos" ou persistência da pobreza, que afectava especialmente os idosos. O recém-empossado Presidente apelou a um "compromisso para a inclusão social", o principal tema do seu discurso.




pub

Marketing Automation certified by E-GOI