A carregar o vídeo ...
Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

PCP: Mais injeção de capital no Novo Banco é uma "afronta" aos portugueses em dificuldades

O PCP considerou hoje o pedido do Novo Banco, de injeção de 598,5 milhões de euros, uma "afronta aos milhares" de portugueses em dificuldades económicas, por causa da covid-19, e defende que deve ser "liminarmente rejeitado" pelo Governo.

Duarte Alves, do PCP, diz que o partido já insistiu com o Governo para que explique a demora.
José Sena Goulão/Lusa
Lusa 27 de Março de 2021 às 13:26
  • Partilhar artigo
  • 1
  • ...
"Não podemos aceitar uma situação em que o Estado paga, mas quem gere e fica com os lucros é o privado... provavelmente com uma venda que se realizará a um qualquer grupo bancário internacional", afirmou à Lusa o deputado comunista Duarte Alves.

O PCP, lembrou, "não aceita" que seja entregue "nenhuma verba" ao Novo Banco, ainda mais violando o que está na versão final do Orçamento do Estado, e defendeu a necessidade de recuperar um controlo público do banco "para ir atrás do dinheiro que já lá foi entregue, acabar com os desmandos da atual administração e também colocar o banco ao serviço do país".

Duarte Alves aguça a critica ao Governo, que acusa de não fechar a porta a mais injeções no Novo Banco, ao recordar que, ainda na sexta-feira, foram conhecidos "subterfúgios" do executivo para "procurar não concretizar" medidas de reforço de apoios sociais alegando questões orçamentais.

"Depois, vemos também que se procura contornar o que foi aprovado no orçamento para procurar injetar este verba no Novo Banco. Portanto há aqui também dois pesos e duas medidas", acrescentou.

O deputado reafirmou a posição do PCP de que o Novo Banco "não pode continuar a ser um buraco sem fundo" de recursos públicos, e que o pedido de mais 598,5 milhões de euros - comunicado há um dia à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) - só dá razão ao PCP, que há muito defende a nacionalização do banco.

"É inaceitável. O banco tem de ser colocado ao serviço da economia e do país", insistiu, lembrando a posição do PCP sobre o destino Os lucros, depois de o Estado suportar os prejuízos.

No mesmo dia em que o Novo Banco divulgou os resultados de 2020 à CMVM, e as necessidades de nova injeção, o governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, reafirmou a importância de os acordos em relação ao Novo Banco serem cumpridos, referindo que o BdP e o Fundo de Resolução vão analisar este novo pedido de injeção.

"O que conhecemos através do Novo Banco foi o pedido de acionamento do acordo de capital contingente" e haverá "um processo de validação desse pedido que decorrerá nas próximas semanas", referiu Mário Centeno, sublinhando que "aquilo que é mais importante para o governador do Banco de Portugal que é que os acordos sejam cumpridos".

De acordo com o comunicado da apresentação de resultados, "em resultado das perdas dos ativos protegidos pelo CCA [MCC] e das exigências regulatórias de capital, o Novo Banco irá solicitar uma compensação de 598,3 milhões de euros", superior ao previsto na proposta de Orçamento do Estado.

Assim, "o valor total das compensações solicitadas entre 2017 e 2019 e a solicitar relativamente a 2020 totalizam 3,57 mil milhões de euros", sendo que o teto de transferências do acordo é de 3,89 mil milhões de euros.

A transferência de 476 milhões de euros prevista na proposta de Orçamento do Estado para o Fundo de Resolução, destinada a financiar o Novo Banco, acabou por ser chumbada no parlamento, mas o Governo esclareceu que vai cumprir o contrato firmado aquando da venda da instituição à Lone Star.

Nos resultados semestrais de 2020, o Novo Banco estimou que seria de 176 milhões de euros o valor a pedir ao Fundo de Resolução, relativo àquele período em que registou prejuízos de 555 milhões de euros.
Ver comentários
Saber mais PCP Novo Banco Mário Centeno Duarte Alves Banco de Portugal
Outras Notícias