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Pedrogão: PSD diz que justificações parecem "parcelares", "empíricas" e com várias versões

Luís Montenegro enviou carta aos restantes líderes parlamentares a defender criação de uma comissão técnica e independente. Nem Governo nem entidades de prevenção e combate a fogos devem participar.

Bruno Simão
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O líder parlamentar do PSD considera que as justificações que têm sido apresentadas para a tragédia dos incêndios de Pedrogão Grande "ampliam a perplexidade e a perturbação em vez de promoverem o sossego e alguma acalmia". Luís Montenegro enviou esta quinta-feira uma carta aos presidentes das restantes bancadas parlamentares onde pede apoio para a criação de uma comissão técnica independente do poder político e administrativo.

Na carta, Montenegro diz que "ninguém até ao momento conseguiu elucidar minimamente os funestos acontecimentos dos passados dias 17 e 18 de Junho em Pedrogão Grande e Castanheira de Pêra que vitimaram mais de 60 pessoas, entre as quais crianças". "Pelo contrário, as justificações que têm sido avançadas aparentam ser parcelares e empíricas, muitas delas já tendo sido sucessivamente abandonadas para darem lugar a outras diferentes".

O PSD considera também que não existe "uma imagem de coordenação, de liderança e eficiência global de prevenção, segurança e combate aos incêndios florestais", o que "dilata, ainda mais, a aflição colectiva".

Apesar de reconhecer que as respostas "não poderão ser oferecidas num curto espaço de tempo", o PSD defende que "há questões concretas e objectivas que podem e devem ser aclaradas o mais rapidamente possível".

Luís Montenegro desafia depois os restantes partidos com assento no Parlamento a "criar condições para que os esclarecimentos devidos possam ser obtidos de forma empenhada, isenta e credível".

Assim, e tal como tinha sido anunciado na terça-feira pela vice-presidente do partido, Montenegro defende uma "averiguação prioritariamente técnica e especializada, capaz de ponderar as diversas dimensões dos problemas, mas cuja composição, imprescindivelmente, terá de estar afastada de qualquer dever hierárquico ou de subordinação, pessoal ou funcional, face às diversas instâncias do poder político".

Ou seja, uma comissão técnica independente "absolutamente desobrigada de quaisquer vínculos com o poder político e administrativo, designadamente com o Governo, bem como as entidades que participaram no sistema de prevenção, segurança e combate aos incêndios".
        

Só assim será possível um trabalho "de apuramento detalhado, livre e imparcial, que os portugueses exigem quanto antes".

O líder parlamentar pede um consenso "célere" entre os partidos e defende que cada grupo parlamentar "possa sugerir especialistas de reconhecido mérito". O modo de funcionamento deve ser acertado em conferência de líderes. 

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