PSD critica socialistas mas, ao mesmo tempo, pede que entrem em diálogo (act.)
Sociais-democratas aproveitam últimos dados económicos e emissões de dívida para referir que o caminho seguido pelo Governo é o “rumo certo”. O porta-voz Marco António Costa disse, por isso, que o PS se deveria juntar na preparação do resto do percurso e optar pelo “rigor orçamental” anunciado ontem por François Hollande “que, tal como o PS de outros tempos, decidiu meter o socialismo na gaveta”. PS reage com acusações de "estratégia partidária mas inaceitável".
O Partido Social Democrata pediu, esta quarta-feira, 15 de Janeiro, uma postura de maior diálogo e disponibilidade para consensos ao maior partido da oposição. Não sem antes lançar farpas à sua actuação.
Os socialistas deveriam abandonar “a acção de bloqueio relativamente à governação”, afirmou o porta-voz dos sociais-democratas Marco António Costa, numa conferência de imprensa transmitida pelos canais de informação. Sem dar exemplos concretos, o antigo secretário de Estado do actual Executivo defendeu que o PS deveria olhar para os “sinais positivos” trazidos pelos mais recentes dados económicos.
Tais dados, acrescentou Marco António Costa, não devem “merecer o silêncio” nem “revelar a indisposição” do PS. O representante “laranja” enumerou vários exemplos como a descida da taxa de desemprego para 15,5% e ainda o crescimento das exportações, em Novembro, para atestar “que Portugal está no rumo certo”. “São muito boas notícias para Portugal”, disse, sublinhando, igualmente, a colocação de dívida no mercado realizada esta quarta-feira, em que os custos recuaram.
Apesar desses números positivos, é preciso continuar a fazer sacrifícios, alertou o antigo governante. Que serão facilitados caso haja diálogo entre os partidos. “2014 deverá ser o ano de compromisso social”, o ano da “construção do diálogo social amplo”.
"É tempo de gerar consensos à volta dos reais interesses de Portugal e dos portugueses”, sintetizou, numa declaração em que fez sugestões aos socialistas. “O PS deveria olhar para o exemplo de François Hollande [presidente de França], [que apostou] no rigor e na disciplina de rigor orçamental”, declarou Marco António Costa, referindo-se ao programa de austeridade anunciado ontem pelo presidente francês.
Na mesma intervenção, o porta-voz social-democrata ironizou sobre a postura socialista no passado: “Tal como o PS de outros tempos, também o senhor Hollande decidiu meter o socialismo na gaveta”.
A necessidade de um diálogo interpartidário intensificou-se com o pedido de um compromisso de salvação nacional por parte do actual Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, no Verão do ano passado. Um compromisso que não foi alcançado entre os três principais partidos do arco governativo (PS, PSD e CDS). Apenas a reforma do IRC parece ter merecido um entendimento entre os partidos. Em 2015, realizar-se-ão eleições legislativas em Portugal.
PS acusa PSD de “intoxicar” opinião pública com país que não existe
O PS, pela voz do deputado Nuno Sá, acusou o partido do Governo de criar um país de “fantasia” e das “mil maravilhas”. “Vamos falar do país real”, pediu o socialista, em declarações aos jornalistas, exemplificando com as filas de espera nos hospitais do sistema nacional de saúde ou com o corte “indecoroso” aos pensionistas, com o alargamento da base contributiva da CES.
A ideia de que tudo está a correr bem “é uma estratégia partidária”, disse Nuno Sá, que classificou como “inaceitável. “Há uma intoxicação pública sobre um Portugal que não existe”, acusou.
(Notícia actualizada às 19h23 com reacção do PS)