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Rússia acelera construção de gasoduto antes das alterações previstas para as sanções dos EUA

De modo a evitar as alterações nas sanções dos Estados Unidos, a Rússia acelera as obras do polémico gasoduto Nord Stream 2.

Bloomberg 02 de Janeiro de 2021 às 11:00
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A Rússia acelera as obras do gasoduto Nord Stream 2, antes que os Estados Unidos endureçam as sanções contra o polémico projeto, que tem como objetivo fornecer mais gás natural à Alemanha.

A construção do gasoduto de 1.230 quilómetros atingiu um marco esta segunda-feira (dia 28 de dezembro) com a conclusão da instalação de uma seção na zona económica e exclusiva (ZEE) da Alemanha, segundo garantiu a operadora do projeto. Entre as próximas etapas está a retoma das obras na parte dinamarquesa do Mar Báltico, onde se situarão a maioria das seções com uma extensão de 157 quilómetros.

Este avanço na construção representa uma vitória para o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e para a Gazprom, líder em exportação de gás. Quando concluído, o projeto permitirá que a Rússia aumente as suas entregas de gás para a Europa e contorne o corredor de transporte tradicional através da Ucrânia. Os Estados Unidos e países do Leste Europeu dizem que o Nord Stream 2 tornará a Alemanha e a União Europeia muito dependentes do gás russo.

"Existem aproximadamente 120 quilómetros em águas dinamarquesas e cerca de 30 quilómetros na ZEE alemã a serem construídos", disse a Nord Stream 2 esta terça-feira, em resposta por e-mail a perguntas da Bloomberg. "Não estamos em condições de fornecer mais detalhes sobre a construção. Informaremos sobre outras atividades da construção offshore no devido tempo."
As obras do projeto de 9,5 mil milhões de euros (11,6 mil milhões de dólares) foram interrompidas há um ano por sanções dos EUA e retomadas apenas no início deste mês, quando a Gazprom encontrou o seu próprio navio para instalar o gasoduto. O Nord Stream 2 pode utilizar o navio Fortuna para conduzir as obras a partir de dia 15 de janeiro, auxiliado pelas embarcações de construção Murman e Baltiyskiy Issledovatel e outros navios de abastecimento, segundo revelou a Autoridade Marítima dinamarquesa na semana passada.

Com base na licença dinamarquesa, a operadora deve enviar um cronograma atualizado à Agência de Energia do país antes de realizar as obras. Contudo, ainda não o fez, segundo revelou a agência. Sendo de salientar que o navio Fortuna pode instalar até 1 km de gasodutos por dia e que, a esse ritmo, os analistas estimam que o Nord Stream 2 poderia iniciar as operações já no final de 2021 num cenário otimista.

"Acredito firmemente que o gasoduto será concluído", disse o CEO da Uniper, Andreas Schierenbeck, em entrevista ao jornal alemão Rheinische Post na quarta-feira. "As pessoas não precisam de gostar do gasoduto, mas a Europa necessita dele."

Enquanto isso, os Estados Unidos procuram endurecer as suas sanções, estendendo as penalizações às empresas que fornecem certificação técnica e seguro para a obra. Essa legislação faz parte de um projeto de lei de defesa mais amplo aprovado no Congresso, mas vetado pelo antigo presidente Donald Trump. A Câmara dos Deputados não aceitou o veto. Se a decisão for transferida para o Senado, que é controlado pelo Partido Republicano de Trump, as novas medidas podem entrar em vigor nas próximas semanas.

Caso o Senado anule o veto de Trump ao projeto de lei de defesa, "as novas sanções contra o Nord Stream 2 irão tornar-se reais", disse Mateusz Kubiak, analista da Esperis, empresa de consultoradoria de energia de Varsóvia. "Pode ser apenas outro fator que tornará mais difícil para os russos reiniciarem as obras de maneira efetiva e oportuna" em águas dinamarquesas em janeiro, disse Kubiak.

As sanções dos EUA chegarão tarde demais para interromper o projeto do gasoduto, disse Vladimir Chizhov, embaixador da Rússia na UE, em entrevista à agência Tass na quarta-feira.
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