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Sondagem: eleitores do PS, BE e PCP querem repetir geringonça em 2019

A pergunta anda no ar e a Aximage antecipa a resposta. Para os eleitores que assumem a intenção de votar no PS, Bloco e CDU, a actual solução governativa deveria repetir-se na próxima legislatura. Já o Bloco Central reúne poucos apoios, mesmo no PSD.

Durante o congresso do PS, António Costa evitou referir-se aos actuais parceiros. Mas os eleitores do PS querem repetir a geringonça. Paulo Cunha/Lusa
Manuel Esteves mesteves@negocios.pt 19 de Junho de 2018 às 08:00
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A política de alianças entre partidos ameaça pairar sobre todas as outras discussões políticas até às próximas eleições legislativas. Se as sondagens estiverem correctas e o PS ficar aquém da maioria absoluta, como vai António Costa viabilizar o seu Governo minoritário? Irá repetir uma aliança com os partidos à sua esquerda? Tentará uma aliança com o PSD de Rui Rio? Ou governará sozinho, fazendo acordos pontuais à sua esquerda e à sua direita?

Segundo uma sondagem da Aximage, feita para o Negócios e para o Correio da Manhã, os portugueses, no seu todo, estão divididos. E a origem da divisão é política. À esquerda, deseja-se uma reedição da geringonça. À direita, a preferência vai para uma governação solitária, sem maiorias garantidas. Uma aliança com o PSD é que não convence, nem sequer os eleitores do partido de Rui Rio. 

Esquerda quer nova geringonça
Se a questão das alianças não é pacífica entre os dirigentes do PS – como se viu no congresso do partido –, para os seus eleitores a resposta é clara: 56% defendem uma nova aliança à esquerda, percentagem que se repete no BE e sobe para 62% na CDU.  

O que os votantes nos partidos de esquerda não querem mesmo é alianças à direita. Sem surpresa, só 9,6% dos eleitores da CDU e 7,3% do BE defendem uma aliança entre PS e PSD. Mas também no PS esse cenário tem muito poucos adeptos: só um em cada 10 votantes no partido defende um entendimento com o PSD.

E uma governação em minoria com acordos pontuais à esquerda e à direita? Esse cenário tem mais aceitação no PS: 31% defendem-no, ainda assim pouco mais de metade dos que se batem por acordos à esquerda.

Direita quer PS sozinho
E é precisamente este cenário do PS a governar sem maiorias no Parlamento (como fez António Guterres durante uma legislatura e meia) que mais agrada aos eleitores de direita: 42% dos eleitores do PSD e 48% dos eleitores do CDS consideram que esta era a melhor solução governativa. Já a repetição dos acordos à esquerda merece a reprovação da grande maioria dos eleitores de direita. Só 17% dos votantes no PSD e 19% no CDS consideram este cenário positivo.

Curioso é constatar que uma aliança entre PS e PSD não agrada a ninguém, nem sequer à direita. No PSD, só um terço defende um entendimento entre António Costa e Rui Rio. E no CDS de Assunção Cristas, são, como seria de esperar, ainda menos: apenas 23%, pouco mais do que os que defendem uma aliança do PS à esquerda (19%).

Com esta correlação de forças, e tendo em consideração o peso eleitoral de cada um dos partidos, esperar-se-ia uma maioria de portugueses favoráveis a um novo entendimento à esquerda. Mas não. Segundo a Aximage, são 37% os inquiridos que preferem uma aliança à esquerda, menos do que os 39% que aconselham antes uma governação solitária do PS.

A explicação para este aparente enigma está na abstenção. Entre os 33% dos portugueses que se absteriam se as eleições fossem hoje, metade prefere uma governação solitária do PS – o grupo mais favorável a este cenário. Entre os abstencionistas, 30% querem uma aliança à esquerda e só 10% um bloco central.

Crise política seria responsabilidade do PS
A Aximage levantou ainda outra questão sobre a responsabilidade dos partidos que apoiam o Governo diante um cenário de queda do Executivo (sem precisar a causa da crise política). E o partido a quem os inquiridos mais apontam o dedo é o PS: quase 37% acham que Costa seria o principal responsável caso o actual Governo não chegasse ao fim da legislatura.  O PCP surge em segundo lugar, sendo apontado por 30% dos inquiridos e só depois o BE, indicado por 19%.

Uma vez mais, é importante desagregar as opiniões por preferências partidárias. São sobretudo os eleitores do PSD (44%), da CDU (57%) e os abstencionistas (47%) que mais apontam o dedo ao PS. Obviamente, só 22% dos que tencionam votar em António Costa lhe atribuem a responsabilidade por uma eventual crise política. Para os socialistas, a CDU é o principal suspeito de uma crise política (44%), um diagnóstico partilhado pelos eleitores do CDS (42%).

FICHA TÉCNICA

Universo: indivíduos inscritos nos cadernos eleitorais em Portugal com telefone fixo no lar ou possuidor de telemóvel. Amostra: aleatória e estratificada (região, habitat, sexo, idade, escolaridade, actividade e voto legislativo) e representativa do universo e foi extraída de um subuniverso obtido de forma idêntica. A amostra teve 602 entrevistas efectivas: 281 a homens e 321 a mulheres; 58 no interior norte centro, 85 no litoral norte e 105 na área metropolitana do Porto; 109 no litoral centro; 167 na área metropolitana de Lisboa e 78 no sul e ilhas; 94 em aldeias, 167 em vilas e 341 em cidades. A proporcionalidade pelas variáveis de estratificação é obtida após reequilibragem amostral. Técnica: Entrevista telefónica por C.A.T.I., tendo o trabalho de campo decorrido nos dias 9 a 12 de Junho de 2018, com uma taxa de resposta de 75,6%. Erro probabilístico: Para o total de uma amostra aleatória simples com 600 entrevistas, o desvio padrão máximo de uma proporção é 0,020 (ou seja, uma "margem de erro" - a 95% - de 4,00%). Responsabilidade do estudo: Aximage Comunicação e Imagem Lda., sob a direcção técnica de Jorge de Sá e de João Queiroz.

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