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Vieira Lopes: Revisão laboral "só por si" não chega para dar salto de produtividade e salários

Líder da CCP diz que fiscalidade, burocracia e justiça também são necessários para melhorar a economia portuguesa. Já António Saraiva, ex-líder da CIP, critica "vacas sagradas" onde não se consegue mexer.

João Vieira Lopes, líder da CCP, à direita, no painel de discussão da conferência dos 10 anos da Conversa Capital
João Vieira Lopes, líder da CCP, à direita, no painel de discussão da conferência dos 10 anos da Conversa Capital Sérgio Lemos / Jornal de Negócios
21 de Janeiro de 2026 às 12:10

O líder da Confederação de Comércio e Serviços de Portugal (CCP) defendeu que a revisão da lei laboral colocada em cima da mesa pelo Governo não vai levar "só por si" a aumento de produtividade e salários que levem a "um salto qualitativo" da economia portuguesa. "Ajuda, mas não tenhamos ilusões", afirmou João Vieira Lopes.

"Nisto não estamos de acordo com o Governo. Por si só, a alteração à legislação laboral não vai levar a aumento de salários", começou por dizer o líder da CCP nesta quarta-feira, 21 de janeiro, , o programa de entrevistas semanal do Negócios e da Antena 1.

João Vieira Lopes falava num painel sobre o que é capital em Portugal e o que pode ajudar a economia portuguesa a crescer acima dos 2%. 

A revisão da lei laboral, disse, "ajuda". Mas não basta. "Sem investimento, sem alteração de quadros fiscais, sem melhoria da justiça... não tenhamos ilusões. Não pode ser por si só a chave para a um alteração qualitativa" da economia, defendeu. 

Embora considere que o anteprojeto do Governo "não foi bem enquadrado politicamente tendo em conta a situação vivida no país", João Vieira Lopes disse que as alterações "estão bem feitas" e que são importantes para a produtividade.

No entanto, considerou que "o investimento, a fiscalidade, a justiça... todos esses setores são importantes" e lembrou que os inquéritos das consultoras internacionais apontam "", a que se junta a burocracia e os licenciamentos. 

Vieira Lopes defendeu ainda um acordo em concertação, mas disse que é preciso fazer "muito mais trabalho de casa em termos de segmentação nos pontos a abordar" e "verificar se uma negociação mais ampla permite repartir acordos - e se isso pode facilitar o acordo".

Saraiva critica "vacas sagradas" onde não se pode mexer

No painel onde discursou João Vieira Lopes participou também António Saraiva, agora presidente da Cruz Vermelha, mas que foi líder da CIP - Confederação Empresarial de Portugal durante cerca de uma década. 

Sobre o mesmo tema, lembrou que quando assumiu a liderança da CIP, em 2010, pediu um estudo sobre o que travava a economia portuguesa e o que é que as empresas queriam para investirem mais. "As respostas são as mesmas", disse, criticando que o diagnóstico esteja feito há muitos anos, mas sem ações concretas.

Depois, dando o exemplo da lei laboral criticou que, em Portugal, "existam vacas sagradas onde não se pode mexer" e o "imobilismo" que impede as alterações que considera necessárias para promover a economia portuguesa. 

"Não gostaria que, enquanto convidado para uma Conversa Capital daqui a cinco anos ou dez, voltar a repetir as mesmas coisas, é preciso fazer diferente", disse.

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