Candidatos fazem últimos apelos ao voto por uma oportunidade na segunda volta
"Eu estarei lá" e não serei "prolongamento do Governo", promete Mendes
Gouveia e Melo afirma que é único candidato que quer mudança em democracia
"Exemplos de sondagens que falharam é pão nosso de cada dia", diz Marques Mendes
Cotrim Figueiredo acredita que numa eventual segunda volta terá apoio de Mendes
Jorge Pinto diz que Portugal é diverso e critica quem promove "nacionalismo bacoco"
Catarina Martins diz que sucessor de Marcelo deve ser uma Presidente interventiva
Cotrim não precisa que PR diga que quem lhe suceder terá dificuldades
Com "tudo em aberto" para domingo, António Filipe defende a aposta na diplomacia
Seguro pede votos para que saúde e escolas públicas passem à 2.ª volta
Gouveia e Melo avisa que esquerda com Seguro pode ter vitória de Pirro no domingo
Ventura espera que PSD e IL não obstaculizem vitória contra Seguro em eventual 2.ª volta
Candidatos fazem últimos apelos ao voto por uma oportunidade na segunda volta
Cinco casos que marcaram a campanha presidencial
Ex-diretor do SNS aparece na campanha, mas Seguro recusa "recado" ao Governo
Jorge Pinto aponta Gouveia e Melo como exemplo de candidato à 2.ª volta que defende Constituição
Gouveia e Melo comove-se com senhora iraniana a chorar nos seus braços
Pureza admite que resultado de Catarina Martins será importante para futuro do BE
Gouveia e Melo adverte para vitória de Ventura com apoio da IL e liberdade de voto no PSD
Cotrim Figueiredo assinala que é inútil votar Gouveia e Melo, Seguro e Ventura
Mendes diz que Seguro é "um pouco passivo" e próximo PR tem de ser "mais ativo e interventivo"
Marcelo diz que próximo PR terá tarefa mais difícil do que a sua
"Não basta ter o voto no coração e na cabeça", avisa Seguro
Emigrantes portugueses nos EUA relatam dificuldades em votar
Campanha termina hoje com maioria dos candidatos em Lisboa
"Eu estarei lá" e não serei "prolongamento do Governo", promete Mendes
O candidato presidencial Luís Marques Mendes prometeu hoje que não será "um prolongamento do Governo", mas "um árbitro", e assegurou que será mais ativo do que os seus antecessores, prometendo estar ao lado dos mais frágeis e vulneráveis.
No comício de encerramento da campanha do candidato apoiado por PSD e CDS-PP, na Gare Marítima da Rocha Conde de Óbidos -- com cerca de 150 lugares sentados, mas com muitas pessoas de pé -, Mendes quis explicar qual será o modelo da sua Presidência, se for eleito no domingo.
"Serei um Presidente diferente dos meus antecessores, porque as circunstâncias são radicalmente diferentes. Não é nenhuma crítica, serei também diferente da generalidade dos meus adversários nesta eleição, porque a maior parte deles está aqui para fazer prova de vida. Mas se tiver a confiança dos portugueses, eu estarei lá", disse, lançando uma espécie de novo 'slogan' a poucas horas do encerramento da campanha.
O candidato apoiado por PSD e CDS-PP avisou que poderá não estar "todos os dias nos telejornais ou permanentemente nas redes sociais".
"Isso provavelmente não. Mas eu queria que soubessem eu estarei lá, para não permitir que a injustiça faça o seu custo em Portugal. Batendo o pé contra a injustiça e a injustiça social. Eu estarei lá para defender o Serviço Nacional de Saúde que é, a seguir à liberdade e à democracia, uma das maiores conquistas do 25 de Abril", disse.
Marques Mendes assegurou que não pretende atuar como "um prolongamento do Governo ou do parlamento, mas para ser um árbitro".
"Um árbitro com independência que aconselha o Governo quando as coisas não correm bem, que apela à correção quando as coisas correm mal, mas que sabe que é fundamental dar condições a um Governo, este ou qualquer outro, para cumprir uma legislatura, apresentar resultados e ajudar a reformar e a mudar Portugal", afirmou.
O antigo líder do PSD afirmou que pretende ser um chefe de Estado mais ativo: "Não deixar que os problemas se arrastem e não permitir que as questões importantes fiquem na gaveta".
Prometendo defender sobretudo "os mais vulneráveis", como os jovens ou pensionistas, deixou um último apelo ao voto, manifestando confiança no resultado de domingo.
"Acreditem comigo, nós vamos estar lá na segunda volta. Acreditem comigo, nós vamos estar lá em mais três semanas de campanha. Acreditem comigo, eu estarei lá", afirmou.
Numa crítica, também não explicitada, ao líder do Chega e candidato presidencial André Ventura, repetiu que nos últimos anos não esteve "aos berros".
"Estive de uma forma construtiva no espaço público, a valorizar a cidadania, a não permitir que a injustiça social fizesse o seu caminho, a defender a sensibilidade social, a estar ao lado daqueles que precisavam de voz", disse, considerando que tal foi importante em momentos como os da pandemia ou da crise da inflação.
Mendes voltou a apelar ao voto em si com base na defesa da estabilidade.
"Pensem acima de tudo que fazer eleições de ano a ano não é modo de vida para ninguém. A estabilidade não é um bem tão importante assim para os políticos, mas é absolutamente essencial para as pessoas. O povo precisa de estabilidade", apelou.
Mendes reclamou ter feito uma campanha em crescendo e sempre pela positiva, enquanto outros a fizeram "ou aos gritos ou cheia de generalidades".
"Uma campanha feita com decência política, quando, em alguns momentos especiais, alguns dos meus adversários quiseram lançar lama para o debate político", disse, numa das passagens mais aplaudidas do seu discurso.
No comício de encerramento marcaram presença vários ministros como António Leitão Amaro e Carlos Abreu Amorim -- que ainda não tinham participado na campanha no período oficial -, bem como Miguel Pinto Luz, Gonçalo Matias, Joaquim Miranda Sarmento, Graça Carvalho e Maria do Rosário Palma Ramalho, além de deputados, dirigentes e antigos dirigentes sociais-democratas e democratas-cristãos.
Cotrim confiante na passagem à segunda volta apesar dos "ataques brutais"
O candidato presidencial Cotrim Figueiredo avisou hoje que, apesar das dificuldades e "dos ataques brutais" de que foi alvo, ninguém o vai parar e vai conseguir passar a uma eventual segunda volta.
"Apesar de, ao princípio, só nós acreditarmos, apesar das dificuldades que fomos tendo e apesar dos ataques brutais esta candidatura vai conseguir chegar à segunda volta", afirmou o também eurodeputado no jantar de encerramento de campanha numa unidade hoteleira em Braga.
Perante uma sala com cerca de 350 apoiantes, que o ia interrompendo com aplausos, o antigo líder da Iniciativa liberal (IL) recordou que a sua candidatura "já fez história" na campanha eleitoral apesar de ter menos meios, menos dinheiro, menos eleitorado inicial e menos cobertura mediática.
"E, mesmo assim, vai conseguir chegar à segunda volta", apontou enquanto gritavam "Portugal, Portugal, Portugal".
A dois dias das eleições presidenciais, que vão escolher o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa, Cotrim Figueiredo, apoiado pela IL, lembrou que "chegou a hora de escolher e a hora de escolher em consciência".
No domingo, os portugueses farão uma escolha sobre algo que é simples e, no entanto, "absolutamente crucial", por isso, pediu a mobilização do eleitoral, apelo que tem vindo a fazer diariamente.
Este domingo decide-se quem passa à segunda volta e, isso, "não é coisa pouca", assinalou.
"Querem ou não que algo mude em Portugal?", questionou para, de seguida, advertir que quem quer mesmo mudar só pode votar em si.
"Foi uma campanha positiva, feita com alegria, com confiança, com verdade e com otimismo. Mobilizou portugueses de todas as idades, de todas as condições sociais, de todos os partidos e de todas as regiões", contou.
Considerando que Portugal está pronto para mudar, Cotrim Figueiredo, visivelmente entusiasmado, considerou que já ninguém consegue negar que a sua candidatura trouxe algo novo à vida política portuguesa.
"Não por instruções ou orientações de ninguém, mas pela vossa decisão livre. Vocês apareceram", frisou.
Insistindo na mensagem, Cotrim Figueiredo, que tinha na sala o vice-presidente da Assembleia da República Rodrigo Saraiva, e os deputados da IL Joana Cordeiro e Miguel Rangel, avisou que cada voto conta, pesa e deixa marca.
"No domingo, quando saírem de casa lembrem-se disto, não vão apenas votar por vocês, vão votar pelos vossos filhos e pelo vosso país", disse, ao som da música dos Queen `Don´t Stop Me Now´ [Não me parem agora].
Gouveia e Melo afirma que é único candidato que quer mudança em democracia
O candidato presidencial Gouveia e Melo afirmou hoje que é o único que está contra as "águas estagnadas" no país e que defende uma mudança, mas sem aventuras e sem colocar em causa o regime democrático.
Perante poucas centenas de apoiantes, no comício de encerramento da sua campanha presidencial, no Pátio da Galé, no Terreiro do Paço, em Lisboa, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada voltou a defender a tese de que a sua eventual eleição "não significará a derrota de nenhum partido, porque é independente".
Tal como nos últimos dias, alertou os eleitores de esquerda "para não caírem na armadilha" de votar no antigo secretário-geral do PS António José Seguro "julgando que é o voto útil", porque esse candidato, numa segunda volta, pode perder com o líder do Chega, André Ventura.
André Ventura foi novamente visado pelo almirante por ter tido uma "comportamento indigno" ao vestir um camuflado militar, "desrespeitando quem serve nas Forças Armadas". E disse que o líder do Chega tinha protagonizado uma situação de "desrespeito aos bombeiros" durante o combate aos fogos do último verão.
Procurou depois traçar uma diferença de fundo entre si e os outros candidatos, incluindo André Ventura.
"Sou o único que verdadeiramente defende uma mudança. Uma mudança democrática num país renovado e não é uma mudança sem sentido, aventureira, ou uma mudança que possa pôr em risco o regime democrático", declarou.
A seguir, já após se ter insurgido contra as "tribos partidárias na administração pública, o almirante manifestou-se contra um país em estagnação.
"Estou cansado das águas estagnadas há pelo menos 20 anos. Temos de ter ambição. Não está aqui perante vós alguém aventureiro", disse.
Neste contexto, concluiu:" Está aqui perante vós alguém que teve fortes responsabilidades no Estado, que teve de decidir muitas vezes sob pressão, entre a vida e a morte, não só minha, mas também de quem me acompanhava, de outros camaradas que me acompanhavam".
"Estou aqui para vos dar confiança: no ruído a serenidade; na divisão a união; na opacidade a transparência; na estagnação a verdadeira mudança; e nos interesses privados o interesse comum", acrescentou.
"Exemplos de sondagens que falharam é pão nosso de cada dia", diz Marques Mendes
Luís Marques Mendes considerou hoje que já várias sondagens falharam no passado, defendeu que "o que conta é a decisão soberana dos portugueses" e voltou a manifestar-se confiante "num grande resultado" nas presidenciais de domingo.
"Estou mesmo muito confiante num grande resultado no próximo domingo. Claro que há sondagens para todos os gostos, mas aquilo que as sondagens provam é que está tudo em aberto e o que conta é a decisão soberana dos portugueses", afirmou.
O candidato a Presidente da República apoiado por PSD e CDS-PP falava num almoço de campanha, que juntou cerca de duzentos apoiantes, maioritariamente mulheres, numa cervejaria em Lisboa.
Luís Marques Mendes afirmou que "exemplos de sondagens que falharam em eleições autárquicas recentes, ou eleições anteriores, é o pão nosso de cada dia".
"Aquilo em que eu verdadeiramente acredito é nesta sondagem que tenho realizado, com cada português e cada portuguesa, na rua, dialogando, transmitindo, informando e esclarecendo", defendeu.
Luís Marques Mendes considerou que nesta campanha presidencial houve "muito ruído sobre as sondagens, sobre este ou aquele caso".
O candidato voltou a apelar ao voto dos eleitores indecisos, pedindo-lhes que coloquem três questões antes de decidir, e salientou que os portugueses o conhecem "de anos e anos de televisão e de comentário".
"Qual é, de todos os candidatos, o que está mais bem preparado para exercer a função do Presidente da República? Qual é, de todos os candidatos, aquele que tem mais experiência para o exercício da função? Qual é, de todos os candidatos, aquele que tem mais provas de capacidade de diálogo para fazer entendimentos, consensos e convergências?", referiu.
Neste discurso, Luís Marques Mendes defendeu também que "os portugueses querem mais".
"Querem mais do Governo, querem mais dos políticos, querem mais Serviço Nacional de Saúde, querem mais dinheiro no bolso para melhorarem o seu dia-a-dia, querem mais economia para melhorar salários e subir pensões, querem até mais do Presidente da República. Querem um Presidente da República, em função das novas circunstâncias, sobretudo a política externa, mais ativo, mais interventivo, com mais ação e com mais iniciativa, tudo dentro dos poderes presidenciais", salientou.
Mendes reiterou que o próximo Presidente da República não pode ser alguém que "vai fazer um exercício de experimentalismo, uma aventura, que não tem capacidade de iniciativa e de decisão, ou que vai ser um tiro no escuro".
"Na Presidência da República não pode estar ninguém que acrescente instabilidade", mas sim alguém preparado e com "capacidade para dialogar" e "evitar moções de censura e moções de confiança", aproximando Governo e oposição, por exemplo para negociar Orçamentos do Estado, referiu.
"Não pode ser alguém hesitante, não pode ser alguém que tem dúvidas, não pode ser alguém que seja passivo, tem que ser um Presidente firme a decidir. E é isto que pretendo ser em função da minha experiência, firme a tomar decisões, tranquilo a analisar", acrescentou.
Nesta "homenagem às mulheres", o candidato realçou que a sua "vida não seria a mesma" sem a influência de algumas figuras femininas, como a mãe, algumas professoras ou a mulher, que o acompanhou ao longo da campanha.
E considerou que "não é a mesma coisa a sociedade ter mais ou menos mulheres a participar" e que "a sociedade é melhor, é mais harmoniosa quando há mais mulheres em cargos de decisão, a começar no poder local".
"Habituei-me a ver nas mulheres autarcas, nas mulheres presidentes de Câmara, uma mais-valia fundamental. Não é que os homens não sejam grandes autarcas, mas as mulheres acrescentam um toque de sensibilidade, de rigor e de caráter que ainda é mais importante", defendeu.
O candidato presidencial salientou também "a importância de mulheres no poder governativo" e defendeu que a sociedade "ganha com mais mulheres em cargos de decisão, em cargos de direção, em cargos de gestão".
"Claro que houve uma mudança enorme nestes 50 anos da democracia, mas ainda há muito a fazer" e é preciso "um esforço grande para ter mais mulheres em cargos de decisão. Não é uma questão de cumprir uma quota ou de cumprir uma orientação, é a importância que a sua sensibilidade traz de mais-valia para a vida em geral", acrescentou.
Cotrim Figueiredo acredita que numa eventual segunda volta terá apoio de Mendes
Cotrim de Figueiredo disse hoje que acredita que se passar a uma eventual segunda volta Marques Mendes acabará por recomendar o voto na sua candidatura.
"Eu creio que o próprio candidato Marques Mendes tem a responsabilidade e a experiência suficiente para acabar por vir recomendar o voto na minha candidatura indo eu à segunda volta", considerou o também eurodeputado, no final de uma visita à empresa Trimalhas em Guimarães, no distrito de Braga.
Naquele que é o último dia de campanha, e confrontado com uma notícia do Expresso que avança que o PSD não deverá declarar apoio numa segunda volta sem Mendes, Cotrim Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal (IL), assumiu ter a expectativa de que Mendes, candidato apoiado pelo PSD e CDS-PP, o apoiará.
"É um direito legítimo do PSD não o fazer, mas parece-me um pouco demissionista em relação ao futuro da política", afirmou.
Tal como tem repetido várias vezes, o antigo líder da IL apelou ao voto na sua candidatura para evitar ter António José Seguro e André Ventura numa eventual segunda volta.
"Muitos não quererão ter uma escolha entre António José Seguro e André Ventura", insistiu.
Cotrim Figueiredo referiu que os candidatos Marques Mendes e Gouveia e Melo já perceberam que não têm hipóteses de ir a uma eventual segunda volta e isso nota-se na dinâmica das suas campanhas e nos seus esclarecimentos.
Apesar das polémicas que assombraram a sua candidatura, nomeadamente uma denúncia de assédio sexual e a dúvida sobre um eventual apoio a André Ventura, o candidato presidencial continua confiante de que vai merecer a confiança dos portugueses e vai disputar a segunda volta.
Aliás, a expectativa é tal que o candidato revelou que já sabe o que vai fazer na campanha da segunda volta, tendo tudo idealizado.
"Se começasse a pensar nisso só no fim de semana provavelmente não sairia tão bem, portanto, já começámos. O pior que pode acontecer é não utilizarmos", concluiu.
Jorge Pinto diz que Portugal é diverso e critica quem promove "nacionalismo bacoco"
Jorge Pinto defendeu hoje que a história portuguesa foi sempre "de diversidade" e lamentou que "haja quem a queira apagar" promovendo um "regresso a um nacionalismo bacoco" que "é problemático".
O candidato a Presidente da República apoiado pelo Livre esteve esta tarde na associação Batoto Yetu Portugal, na freguesia de Marvila, em Lisboa, que trabalha com jovens e crianças interessados na cultura africana, provenientes de meios económicos desfavoráveis, onde sublinhou que a "diversidade e pluralidade" do país é uma força e não uma fraqueza.
"Essa força passa também pelas pessoas que já vivem cá no nosso país há décadas, que já nasceram cá, porque nós quando falamos de minorias não falamos certamente apenas de estrangeiros, mas também daqueles que chegam mais recentemente ao nosso país. Todos eles têm um lugar no nosso país porque eles vêm fortalecer e até honrar-nos ao querer viver aqui, ao querer fazer aqui as suas vidas, ter aqui as suas famílias", declarou.
Para Jorge Pinto, compete ao Estado dar "condições a essas pessoas para aqui desenvolverem as suas vidas", fazendo esforços nas escolas, com a aprendizagem da língua portuguesa, e apoiando associações como o Batoto Yetu, pelo papel no reconhecimento da "história africana de Lisboa e do país".
O candidato a Belém sublinhou que Portugal tem "várias cores" e é um país "onde todos cabem", afirmando que há agora quem queira apagar a história portuguesa em nome de um "nacionalismo bacoco".
"A história portuguesa foi sempre uma história de diversidade. Que haja quem agora a queira apagar, que queira quase fazer-nos regressar a um nacionalismo bacoco, que nunca foi aquele que realmente foi a política portuguesa, é que é problemático", enfatizou, respondendo a uma pergunta sobre as recentes intervenções de André Ventura contra minorias.
Questionado sobre o facto de fazer a última tarde de campanha numa associação e não numa arruada, como outros candidatos optaram por fazer, Jorge Pinto explicou que "veio para fazer coisas diferentes" e "mostrar o Portugal positivo" e não precisa de interações "encenadas" para convencer o eleitorado.
"Entre estar aqui e dar esta visibilidade, ou estar na rua para dizer que estive na rua, para ter um contacto, uma interação mais ou menos encenada com alguém, pois bem, prefiro também estar aqui do que estar neste tipo de ação. Porque, repito, o que me interessa é mostrar um Portugal que já existe e que vale a pena defender", acrescentou.
Cotrim não precisa que PR diga que quem lhe suceder terá dificuldades
O candidato presidencial Cotrim de Figueiredo afirmou hoje ter dito desde o início que o próximo Presidente da República vai enfrentar "desafios complexos", desvalorizando a necessidade de Marcelo Rebelo de Sousa o dizer.
"Eu não preciso que o Presidente da República me venha dizer que o mandato vai ser mais difícil, eu disse desde o princípio que o que se preparava aí para Portugal, para a Europa e para o mundo são tempos de desafios complexos", vincou o também eurodeputado.
No final de uma visita à empresa Trimalhas, em Guimarães, no distrito de Braga, o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal considerou que perante os "desafios complexos" que se avizinham será "inevitável" ter uma nova atitude política, depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter alertado hoje que quem lhe suceder terá a tarefa mais difícil devido à situação da Europa e do resto do mundo.
"O Presidente próximo encontra o mundo e a Europa numa situação mais complicada do que eu encontrei. Há que fazer essa justiça", declarou o chefe de Estado aos jornalistas, no Beato, onde participou num fórum empresarial com o Presidente da Estónia, Alar Karis.
Em sua opinião, é inevitável ter um novo tipo de política e de atitude política, sobretudo de relacionamento com as populações, não lhes esconder coisas, não lhes mentir, não lhes prometer o que não se pode entregar, não lhes dizer que há transições que vão ser fáceis quando não vão e que há sacrifícios que podem ser necessários antes das coisas ficarem melhores.
"Essa ilusão que se criou durante demasiadas décadas tem sido uma das fontes de crescimento do extremismo e do populismo um pouco por todo o mundo e, isso, não pode acontecer", apontou.
Catarina Martins diz que sucessor de Marcelo deve ser uma Presidente interventiva
Catarina Martins defendeu hoje que o próximo Presidente deverá ser mais interventivo, ao responder à ideia de Marcelo Rebelo de Sousa de que o seu sucessor terá uma tarefa mais difícil do que a sua devido à situação internacional.
"Acho mesmo que precisamos de uma Presidente da República que seja interventivo e, por isso, é que tenho dito que candidatos apoiados pelo primeiro-ministro, ou que querem muito o apoio do primeiro-ministro, ou que querem, pelo menos, que o primeiro-ministro lhes dê uma palavra de conforto não servem o país neste momento", afirmou a candidata a Belém.
Em declarações aos jornalistas no final de uma visita às oficinas da CP e do Metro do Porto em Guifões, Matosinhos, Catarina Martins foi questionada sobre as declarações do atual Presidente da República, que considerou que quem lhe suceder terá a tarefa mais difícil devido à situação internacional.
"O Presidente próximo encontra o mundo e a Europa numa situação mais complicada do que eu encontrei. Há que fazer essa justiça", declarou Marcelo Rebelo de Sousa.
Justificando que os candidatos próximos do Governo -- sem nomear -- não servem porque o Estado, sob esse executivo, está a falhar, Catarina Martins defendeu antes a necessidade de um chefe de Estado interventivo e exigente.
"Precisamos de uma Presidente da República exigente. Exigente, porque defende quem trabalha e quem vive com tanta dificuldade o quotidiano. Essa Presidente sou eu", afirmou.
A propósito do atual contexto internacional, Catarina Martins entende que Portugal "pode e deve" pronunciar-se em defesa da paz e do direito internacional, afirmando que a posição assumida até agora, desde o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, é insuficiente.
Quanto a si, assegurou que, se for eleita, fará questão de recordar o Governo "todos os dias" que o direito internacional "é para cumprir e levar a sério, quando está em causa a Groenlândia, como quando está em causa a Ucrânia, Gaza ou qualquer outro ponto do mundo".
"É a consistência dos valores que traz segurança a todo mundo e numa altura em que temos (Donald) Trump na Casa Branca a querer semear a guerra em todo lado, a consistência da solidariedade do direito internacional é mais importante do que tudo", argumentou.
Ressalvando que a condenação das ações dos Estados Unidos e das declarações do presidente norte-americano não significam o corte de relações com aquele país -- que defende que devem manter-se --, Catarina Martins sublinhou que "Portugal não é um súbdito e não tem de ficar calado".
"Podemos, seguramente, manter relações que protegem as comunidades portuguesas ao mesmo tempo que dizemos, com seriedade, que o direito internacional é para cumprir e que não aceitamos ameaças vindas de onde vierem", afirmou.
Com "tudo em aberto" para domingo, António Filipe defende a aposta na diplomacia
António Filipe afirmou hoje que "está tudo em aberto" para as eleições de domingo, defendeu a aposta na diplomacia e na paz e mostrou-se contra o envolvimento de Portugal em projetos militaristas e belicistas.
No último dia de campanha, António Filipe fez a tradicional descida do Chiado, em Lisboa, acompanhado de muitos apoiantes, entre eles Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, e, entre outros, a mandatária Sofia Lisboa, e os comunistas Carlos Carvalhas, João Ferreira ou Bernardino Soares.
A descida foi feita em passo lento e ao som das palavras de ordem "Nem direita nem centrão, António é a solução" e "A lutar por quem trabalha, o António nunca falha".
A meio, o candidato presidencial apoiado pelo PCP e pelo PEV afirmou que "está tudo em aberto" para as eleições de domingo e lançou ainda um forte apelo à paz, perante as ameaças de guerra.
"O povo português vai decidir, mas ainda não decidiu", frisou, para acrescentar que se "trata de acabar com as indecisões" e que o "direito de voto que os portugueses conquistaram é para ser exercido com convicção, em liberdade, sem pressões, sem chantagem e sem medo".
Mais uma vez, António Filipe realçou que o povo português que conquistou a liberdade não teve medo de lutar pela liberdade.
"Por isso é importante lutar nestas eleições no candidato que se identifique com os valores de Abril, da Constituição, com os direitos fundamentais e para que não fique tudo na mesma. O voto para que tudo fique na mesma é um retrocesso", sublinhou.
"Nós temos a oportunidade de votar num Presidente da República que esteja determinado em lutar por esses valores, é essa a mensagem que faço aos eleitores", acrescentou.
Defendeu ainda que a "esquerda não está derrotada" e que não teve dúvidas da "justeza e da necessidade" da sua candidatura.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse hoje o seu sucessor terá uma tarefa mais difícil do que a sua devido à situação internacional.
"Temos a viver tempos difíceis, muito difíceis. Os direitos portugueses estão claramente ameaçados. Temos tido políticas públicas que não só não estão de acordo com aquilo que são os princípios constitucionais, mas inclusivamente têm vindo a contrariar valores fundamentais da Revolução de Abril que estão consagrados na Constituição", comentou a propósito o ex-deputado comunista.
Acrescentou ainda que "mundo está numa situação muito difícil, com ameaças de guerras" e é preciso um "Presidente da República que também, nesse ponto de vista, esteja alinhado com os valores da resolução pacífica dos conflitos que constam na Constituição".
"E o Presidente da República vai ter um papel determinante nessa matéria", defendeu.
Desafiado a comentar as declarações de Francisco Assis que à Renascença defendeu a ideia de mandar tropas portuguesas para a Gronelândia, António Filipe respondeu: "Eu acho que não é essa a consideração que temos de fazer agora, eu acho que não se resolvem os problemas que afetam o mundo com a ameaça de enviar tropas, seja para onde for".
Para o candidato apoiado pelos comunistas, é preciso "apostar na diplomacia, apostar na resolução pacífica dos conflitos internacionais".
"É completamente prematuro estar a pensar nisso dessa forma. Agora o que é preciso é que os conflitos sejam resolvidos de uma forma pacífica (...) É preciso ter a coragem de lutar pela paz e não de alimentar os ventos da guerra que por aí sopram", sublinhou.
No discurso, já no final da descida do Chiado, voltou ao tema para defender "a paz" e se mostrar contra o envolvimento de Portugal em projetos militaristas e belicistas.
"Temos de ter a coragem de defender a paz e temos coragem de exigir que os nossos recursos sejam utilizados, sejam investidos para melhorar as condições de vida do povo português", realçou.
António Filipe termina a campanha eleitoral com um jantar com apoiantes em Loures.
Seguro pede votos para que saúde e escolas públicas passem à 2.ª volta
António José Seguro pediu hoje que não se dispersem votos porque é preciso que democracia e a saúde e escolas públicas "passem à segunda volta", e insistiu na importância de ficar em primeiro lugar.
Nas últimas horas da campanha presidencial, António José Seguro dedicou parte da sua tarde a um momento na cidade onde mora, nas Caldas da Rainha, com uma arruada e uma pequena festa, à qual se juntou, pela primeira vez, a sua família, a mulher Margarida e os filhos Maria e António.
"As sondagens não elegem presidentes, é o voto do povo que elege presidentes. Aquilo que eu vos quero pedir é que todos os democratas, todos os progressistas, todos os humanistas concentrem o voto na nossa candidatura e não dispersem os votos em candidaturas que não possam passar à segunda volta", insistiu.
Para o candidato presidencial apoiado pelo PS, o voto em si é necessário para que "a democracia, a saúde pública, a escola pública, o serviço social público passem à segunda volta".
"E passemos em primeiro a essa segunda volta. Não por nós, mas por Portugal", reiterou.
Referindo que na sua candidatura há "pessoas de todos os quadrantes políticos", Seguro foi questionado sobre a acusação do opositor Luís Marques Mendes de que seria "um pouco passivo".
"Nos últimos dias tenho sido vítima de vários ataques de todos os candidatos. Eles podem atacar, mas eu não respondo. Eu vim para elevar o nível do debate político em Portugal", respondeu apenas.
Gouveia e Melo avisa que esquerda com Seguro pode ter vitória de Pirro no domingo
O candidato presidencial Gouveia e Melo advertiu hoje que a esquerda, com António José Seguro, pode ter uma vitória de Pirro no domingo, porque André Ventura pode vencer este socialista na segunda volta das eleições presidenciais.
Gouveia e Melo voltou a colocar este cenário de uma vitória do líder do Chega numa segunda volta frente a Seguro, em declarações aos jornalistas, durante uma deslocação de comboio entre Cascais e o Cais do Sodré, em Lisboa.
O almirante sustenta que só com ele numa segunda volta é garantida a derrota de André Ventura, sobretudo após Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal, ter admitido que poderá apoiar o candidato da extrema-direita se ficar de fora da segunda volta das eleições presidenciais.
Acresce, segundo o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, que, num cenário de segunda volta entre Seguro e Ventura, "o PSD poderá dar liberdade de voto".
"Estamos perante um cenário difícil, porque, nestas circunstâncias, André Ventura poderá mesmo ganhar as eleições. É preciso perceber que esta eleição tem duas voltas. E poderá acontecer a coisa mais inacreditável que é a esquerda ganhar à primeira volta e, depois, perder à segunda", insistiu.
Ainda nesta linha, o candidato presidencial apontou que, neste momento, o Chega tem muito poder na Assembleia da República, condicionando os partidos que suportam o Governo, o PSD e o CDS.
"Estamos perante um cenário em que a esquerda, que até julga que vai ter uma vitória, pode ter uma vitória de Pirro no domingo", afirmou.
Em contraponto, Gouveia e Melo defendeu a tese de que, se ele passar à segunda volta, isso não representará a derrota de nenhum partido.
"A minha vitória não é a derrota de um partido, mas só a derrota de uma lógica partidária para a Presidência da República. Sou aquele que pode reunir, quer à esquerda, quer à direita, o consenso suficiente para nenhum dos setores se senta excluído da Presidência da República. Ou seja, se eu ganhar, nem a esquerda nem a direita perde -- e sou o maior inimigo a tudo o que possa haver em termos de extremismo", acrescentou.
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