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João Ferreira fala em mandato à direita e Marcelo é contra Presidente "de facção"

O candidato presidencial João Ferreira acusou hoje Marcelo Rebelo de Sousa de ter feito um mandato à direita, acusação que o chefe de Estado rejeitou, manifestando-se contra um Presidente "de facção", "porta-voz de um partido".

Bruno Colaço
Lusa 04 de Janeiro de 2021 às 23:14
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Num frente a frente na TVI, o candidato apoiado por PCP e PEV alegou que Marcelo Rebelo de Sousa neste seu mandato como Presidente da República "convergiu com o que foram as posições ao longo do tempo dos partidos mais à direita" em áreas como a legislação laboral.

Sobre o futuro, João Ferreira declarou: "Sabemos, normalmente a História diz-nos isso, que os segundos mandatos tendem a ter características diversas dos primeiros. Tendo presente a experiência deste mandato, tendo presente este desejo, esta aspiração de ter uma votação muito expressiva, eu creio que é legítimo que perguntemos sobre o que fará Marcelo Rebelo de Sousa com esta votação".

Em seguida, o Presidente da República e recandidato ao cargo reivindicou ter sido "um fator de estabilidade" nos últimos cinco anos, "contribuindo para evitar crises", e defendeu que a atual legislatura com o PS no Governo "apoiado ou viabilizado por partidos de esquerda" também "tem de ir até ao fim", como a anterior.

"É assim que deve ser. A direita tem direito a organizar-se, é fundamental que seja forte no futuro, para concorrer às eleições de 2023, porque um sistema político manco, coxo, é um sistema político onde entram os radicalismos nomeadamente populistas. Agora, tirando isso, a predisposição é de ser o mesmo", acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa, que tem o apoio de PSD e CDS-PP na sua recandidatura.

Mais à frente, quando João Ferreira sustentou que a atual situação "exige um outro exercício dos poderes de Presidente da República", Marcelo Rebelo de Sousa contrapôs: "É preciso um Presidente que não seja de facção, que não seja de um partido, dirigente de um partido, porta-voz de um partido, que seja de estabilidade e de compromisso, isso é o fundamental".

"Eu venho da direita, coabitei com um Governo de esquerda. Vim da direita. Não fiz questão de impor a direita no poder. Isso é muito importante, porque essa é a função do Presidente", afirmou o antigo líder do PSD.

Neste debate televisivo, os dois candidatos presidenciais divergiram sobre o recurso ao estado de emergência, com Marcelo Rebelo de Sousa a dizer que "ninguém gosta" de o decretar, mas que é necessária essa "cobertura constitucional" para determinadas medidas, afastando um cenário de "confinamento geral".

João Ferreira considerou que há "uma situação perigosa de uma certa banalização do estado de emergência" e que não se devia estar "a arrastar uma situação de anormalidade constitucional".

O eurodeputado e dirigente da Comissão Política do PCP procurou, ao longo deste frente a frente, demarcar-se do Presidente da República em áreas como a defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a valorização do trabalho e dos salários, enquanto Marcelo Rebelo de Sousa preferiu assinalar convergências e argumentou que "o possível muitas vezes é diferente do ótimo".

O Presidente da República realçou que promulgou "a lei das 35 horas" e, quanto ao salário mínimo, observou que "não é o ideal, mas é o possível". "Mas se há partido que percebe isso é o PCP, porque viabilizou cinco orçamentos, dos quais três da autoria do presidente do Eurogrupo [Mário Centeno] - cinco orçamentos, dizendo que não concordava com tudo o que lá estava socialmente, mas porque tinha conquistas sociais. O possível, muitas vezes, é diferente do ótimo. Todos nós gostaríamos de muito mais salário mínimo, de muitos mais direitos dos trabalhadores", apontou.

Além de Marcelo Rebelo de Sousa e de João Ferreira, são candidatos às eleições presidenciais de 24 de janeiro Ana Gomes, Marisa Matias, André Ventura, Tiago Mayan Gonçalves e Vitorino Silva.
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