Lusomorango: Danos põem em causa produção "futura de todo o setor" das frutas, legumes e flores
A Lusomorango – Organização de Produtores de Pequenos Frutos alerta para os efeitos a longo prazo dos danos sofridos nas suas estufas na região de Odemira. Os cerca 40 produtores associados sofreram prejuízos de mais de 10 milhões de euros - pelo menos de acordo com estimativas provisórias - que podem pôr em causa mais que as próximas colheitas.
O CEO Joel Vasconcelos fala de uma "destruição massiva de túneis, sistemas de rega, equipamentos agrícolas essenciais, plantas" com potenciais impactos de longo prazo. "Pode estar em causa a capacidade produtiva, não só ao nível desta campanha, mas futura de todo o setor, que é um setor central para a economia portuguesa, que é o setor das frutas, dos legumes e das flores, que contribui muito para a riqueza nacional", diz, em entrevista ao canal NOW.
PUB
O setor, lembra, contribui "com com mais de 16 mil postos de trabalho, com mais de 134 milhões de euros de receita fiscal para o Orçamento do Estado português de forma direta e indireta" e precisa, por isso de "medidas de urgência que permitam e que apoiem o restabelecimento do potencial produtivo, porque as nossas empresas querem continuar no território a produzir, a criar postos de trabalho".
A zona de Odemira não está abrangida pelo estado de calamidade, ficando por isso de fora dos apoios extraordinários. "O que apelamos é que o Governo possa alargar essas medidas a estes territórios e solicitar também junto da União Europeia a ativação do mecanismo da reserva de crise", disse Vasconcelos, horas antes de ter sido anunciado que o ministro da Agricultura e Mar já enviou uma carta ao Comissário Europeu da Agricultura e Alimentação a pedir a ativação da reserva de crise para a agricultura. A Confederação dos Agricultores de Portugal já veio elogiar o pedido feito pelo Governo a Bruxelas, mas alertou que a "almofada" para situações de crise cobre "uma percentagem bastante limitada dos prejuízos sofridos por qualquer Estado-membro".
"O nosso apelo vem no sentido de que as medidas sejam definidas, quer para o restabelecimento presencial produtivo, quer para dar capacidade de tesouraria para que as empresas possam aguentar este impacto, possa ser alargado a todas as empresas e a todo o território que sofreu com estas intempéries e estas tempestades e não apenas circunscrito a um território", pede o CEO.
PUB
Mais lidas
O Negócios recomenda