Prata vai do "inferno ao céu": caiu 10%, recuperou e depois saltou 6%. Dólar segura ganhos
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta sexta-feira. Prata volta a destacar-se por uma forte volatilidade. No petróleo, as atenções estão viradas para o encontro entre os EUA e o Irão. Bitcoin também marca a agenda diária.
- 1
- ...
Juros aliviam na Zona Euro. Alemanha regista maior queda
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a aliviar esta sexta-feira, um dia depois de o Banco Central Europeu (BCE) ter decidido manter as taxas de juro inalteradas com Christine Lagarde a mostrar-se confortável com o mais recente "rally" do euro e o seu impacto na inflação. Este recuo na "yield" das obrigações acontece ainda num dia em que os investidores mostram-se mais avessos ao risco.
Neste contexto, a "yield" das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a região, cai 2,2 pontos-base para 2,819%, enquanto os juros das obrigações francesas com a mesma maturidade cedem 1 ponto para 3,443%. Por Itália, os juros das obrigações a dez anos aliviam em 1,3 pontos para 3,454%.
Pela Península Ibérica, a "yield" da dívida portuguesa e a das obrigações espanholas na maturidade de referência recuam ambas 1,5 pontos-base para 3,186% e 3,204%, respetivamente.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas a dez anos seguem a tendência, ao deslizarem 1,4 pontos-base para 4,543%, depois de o Banco de Inglaterra ter decidido manter as taxas de juro inalteradas. No entanto, e olhando já para a próxima reunião, o governador do banco central, Andrew Bailey, endossou os mercados ao apostar numa probabilidade de 50% de um corte.
Dólar gravita em torno de máximos de duas semanas. Bitcoin ensaia recuperação
O dólar está a negociar com pequenas perdas esta manhã, apesar de se conseguir manter bastante próximo do máximo de duas semanas que atingiu na sequência da nomeação de Kevin Warsh como líder da Reserva Federal (Fed) norte-americana. Já o iene estabiliza, em antecipação às eleições deste fim de semana, que devem dar uma maioria reforçada a Sanae Takaichi para avançar com grandes estímulos à economia e uma política orçamental expansiva.
A esta hora, o euro avança 0,09% para 1,1788 dólares, depois de o Banco Central Europeu (BCE) ter decidido manter as taxas de juro inalteradas na reunião de quinta-feira. Após a decisão ter sido anunciada, Christine Lagarde desvalorizou a forte subida da moeda comum europeia nos últimos meses e afirmou mesmo que está a trabalhar num plano para reforçar a influência do euro no contexto internacional.
Já a libra avança 0,27% para 1,3568 dólares, depois de ter chegado a cair quase 1% na sessão anterior. Apesar de ter decidido manter as taxas de juro inalteradas, o Banco de Inglaterra adotou uma postura mais "dovish" levando os investidores a acelerar as apostas em cortes de juros no Reino Unido. A moeda foi ainda pressionada pela pressão e escrutínio que o primeiro-ministro Keir Starmer enfrenta devido à decisão de nomear Peter Mandelson como embaixador do país nos EUA - um político com várias ligações a Jeffrey Epstein.
Por sua vez, a "nota verde" cai 0,15% para 156,81 ienes. É uma pequena recuperação, mas que não afasta a moeda nipónica de uma semana de perdas, tendo desvalorizado mais de 1% nas últimas quatro sessões. Caso Sanae Takaichi consiga uma maioria reforçada, os mercados receiam que a sua política orçamental faça com que o Japão precise de se endividar em grande escala, aumentando em força os juros das obrigações japonesas e retirando ainda mais força ao iene.
No mundo das cripto, a bitcoin recupera 3,07% para 64.725,63 dólares, depois de na quinta-feira ter quebrado o nível de resistência dos 70 mil e dos 65 mil dólares. A moeda digitial tocou em mínimos de dezesseis meses, pressionada por um "sell-off" no setor tecnológico e um dólar mais forte. Desde que o mercado dos criptoativos atingiu máximos em outubro, já foram liquidadas mais de 2 biliões de dólares em posições - um bilião só no último mês.
Turbulência nos metais preciosos leva prata a perder 10% e a ganhar mais de 6%
A prata está, mais uma vez, a registar grande volatilidade nos preços, tendo chegado a cair 10% esta manhã antes de eliminar as perdas e acelerar mais de 6%. A falta de liquidez continua a fazer com que o metal precioso negoceie com movimentações exageradas, numa altura em que o mercado está com dificuldades em encontrar um limite inferior a nível de preços.
Depois de ter tocado nos 64 dólares por onça no arranque da sessão asiática, a prata chegou a acelerar 6,2% para 75,33 dólares por onça. Agora, os ganhos são menos substanciais, com o metal precioso a valorizar 2,75% para 72,87 dólares, depois de ter perdido quase 20% do seu valor na sessão anterior que apagou todos os ganhos registados no "rally" sem precedentes de janeiro. O ouro também avança esta manhã, crescendo 1,18% para 4.835,38 dólares por onça, apesar de ter arrancado o dia com perdas pouco substanciais.
"Quando a volatilidade aumenta, os mercados naturalmente ampliam os 'spreads' e reduzem o uso do balanço patrimonial, deixando a liquidez mais fraca justamente quando ela é mais necessária", explica Ole Hansen, chefe de estratégia de 'commodities' do Saxo Bank AS, numa nota a que a Bloomberg teve acesso. Até que um certo grau de liquidez seja restaurado, "a volatilidade corre o risco de se alimentar de si mesma", antecipa.
O mercado dos metais preciosos viveu um autêntico "rally" no mês passado. O aumento das tensões geopolíticas, combinado com compras especulativas na China e receios de um ataque à independência da Reserva Federal (Fed) norte-americana, deu forças ao ouro e à prata, mas os grandes ganhos foram interrompidos abruptamente na semana passada. A prata viveu o seu pior dia de sempre na sexta-feira passada e o ouro registou a pior sessão desde 2013.
De forma a mitigar riscos, o CME Group - a maior bolsa de derivados do mundo - decidiu aumentar mais uma vez as margens dos seus futuros de metais preciosos, um movimento que tende a ser negativo para os preços dos contratos afetados. A necessidade de maior capital pode levar a uma redução da participação especulativa e reduzir ainda mais a liquidez.
Petróleo avança em dia de negociações EUA-Irão. Teerão diz que acordo vai demorar
Os preços do petróleo estão a negociar em território positivo esta sexta-feira, com ganhos superiores a 1%, num dia em que as delegações norte-americana e iraniana têm encontro marcado em Omã - país que faz fronteira com os Emirados Árabes Unidos. No entanto, não se espera que os dois países consigam alcançar um acordo no curto prazo, depois de Teerão ter indicado que não existe uma solução rápida para a mais recente escalada de tensões.
A esta hora, o West Texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – valoriza 1,50%, para os 64,18 dólares por barril, enquanto o Brent – de referência para o continente europeu – ganha 1,29% para os 68,48 dólares por barril. Os dois crudes de referência caíram cerca de 3% na sessão anterior, pressionados pela confirmação por parte do regime de Ali Khamenei de que as negociações iam realmente acontecer e começavam já esta sexta-feira.
No entanto, os orgãos de comunicação iranianos estão a reportar que as conversações vão focar-se apenas em "temas gerais" com a prioridade de Teerão a ser tentar "perceber a seriedade e a boa vontade do outro lado". "O roteiro para as negociações deverá ficar mais claro assim que esta ronda for concluída", escreve a Agência de Notícias da República Islâmica, conhecida por IRNA.
Uma escalada de tensões entre Irão e EUA poderia levar a um novo conflito no Médio Oriente, uma região rica em petróleo que conta com cinco dos dez maios produtores do mundo. Qualquer conflito na região levaria a uma disrupção do abastecimento de crude a nível global, principalmente se levar ao encerramento do Estreito de Ormuz - um dos pontos estratégicos para o comércio mundial por onde passa um quinto do petróleo consumido em todo o mundo.
Apesar da subida de preços esta sexta-feira, o crude continua a caminho de registar a primeira semana de perdas desde meados de dezembro. "O mercado petrolífero está a perder parte desse prémio de risco geopolítico e a regressar aos fundamentos, que essencialmente mostram que há uma oferta adequada", explica Samantha Hartke, analista de mercado da Vortexa, à Bloomberg. "Se as negociações azedarem, então o prémio de risco volta a acumular-se", antecipa.
"Sell-off" perde força mas ainda deixa Ásia sob pressão. Europa aponta para ganhos
Foi uma semana atribulada para o mercado acionista que termina com alguns sinais de maior otimismo. Apesar de as principais praças asiáticas terem encerrado maioritariamente no vermelho, com o japonês Nikkei 225 a ser o único a destoar, as perdas foram sendo amenizadas ao longo da sessão, numa altura em que a prata e a bitcoin - dois ativos que enfrentaram grandes quedas na quinta-feira - já estão em recuperação.
Os principais índices europeus apontam, agora, para uma abertura no verde, embora sem grandes movimentações, depois de um "sell-off" nas tecnológicas e um mercado laboral claramente em desaceleração terem pintado Wall Street de vermelho. O setor tecnológico continua a estar no centro das atenções, após a Amazon ter revelado que pretende investir 200 mil milhões de dólares em inteligência artificial (IA) este ano - um número superior aos principais concorrentes e que levou as ações da empresa a afundarem 11% no "pre-market".
"Os investidores estão a questionar o seu compromisso com os pilares que sustentaram os mercados nos últimos seis meses: IA, criptomoedas e metais preciosos", escreve Tony Sycamore, analista de mercados da IG Australia, numa nota a que a Bloomberg teve acesso. "Isso aumenta as probabilidades de uma desaceleração ainda mais profunda", explica.
Para já, as perdas parecem estar a estancar. O sul-coreano Kospi, que chegou a perder mais de 5% durante a madrugada, encerrou a sessão com um deslize de 1,44%. As tecnológicas foram pintadas de vermelho, mas a grande pressão para o índice veio da fabricante de automóveis Hyundai e da gigante da defesa Hanwha Aerospace, com ambas as empresas a caírem mais de 4% esta sexta-feira
O australiano S&P/ASX 200 liderou as perdas regionais, ao cair mais de 2% e ao atingir mínimos de um mês, enquanto os chineses Hang Seng e Shanghai Composite caíram 1,2% e 0,2%, respetivamente.
No entanto, pelo Japão, os investidores conseguiram encontrar catalisadores no setor automóvel e no ato eleitoral que se vai realizar já este fim de semana. O Nikkei 225 ainda arrancou a sessão no vermelho, mas rapidamente conseguiu reverter as perdas e avançou 0,81%. A Toyota acelerou 1,65%, depois de ter anunciado que o ainda CEO Koji Sato iria abandonar o cargo e ser substituído por Kenta Kon, que, por enquanto, continua a desempenhar as funções de "Chief Financial Officer".
Últimos eventos
Últimos eventosMais lidas