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Lusomorango estima prejuízos superiores a 10 milhões em Odemira após depressão Kristin

Organização de produtores, que representa cerca de 40 agricultores, alerta para perda até 70% da capacidade produtiva e pede inclusão do concelho nos apoios extraordinários do Governo.

Joel Vasconcelos, CEO da Lusomorango, prevê prejuízos de mais de 10 milhões
Joel Vasconcelos, CEO da Lusomorango, prevê prejuízos de mais de 10 milhões Joaquim Bernardo/CM
17:54

A Lusomorango estima em mais de 10 milhões de euros os prejuízos provisórios causados pela passagem da depressão Kristin nas explorações agrícolas do concelho de Odemira, alertando para uma perda entre 50% e 70% da capacidade produtiva entre os cerca de 40 produtores associados.

Segundo a organização, a destruição de infraestruturas agrícolas, sistemas de rega e equipamentos essenciais compromete a campanha em curso e ameaça a produção futura, num contexto em que as previsões meteorológicas apontam para um possível agravamento das condições climáticas.

Está em causa a capacidade produtiva imediata e futura de um setor estratégico para o país. A destruição de infraestruturas compromete colheitas, contratos de exportação e postos de trabalho”, afirma Joel Vasconcelos, CEO da Lusomorango.

Perante este cenário, a Organização de Produtores apela para que Odemira seja incluída no perímetro dos apoios extraordinários anunciados pelo Governo para as regiões onde foi decretado o estado de calamidade, defendendo igualmente a abertura da linha de apoio prevista no PEPAC para o restabelecimento do potencial produtivo. Sem esse enquadramento, alerta, dezenas de explorações agrícolas e milhares de empregos poderão estar em risco.

Manifestamos total solidariedade com todas as regiões afetadas, mas é fundamental que o Governo considere também a gravidade da situação em Odemira e noutros territórios e os inclua no perímetro de ajudas destinadas a responder aos efeitos da depressão Kristin”, acrescenta Joel Vasconcelos.

O impacto económico da fileira é relevante. Em 2023, o Perímetro de Rega do Mira gerou 502 milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto, mais de 16 mil postos de trabalho e 134 milhões de euros em receita fiscal, segundo um estudo da EY-Parthenon. A Lusomorango representa 17% da produção nacional de pequenos frutos e cerca de um terço das exportações do setor, que atingiram 348 milhões de euros em 2024.

O que está hoje em risco não é apenas uma campanha agrícola, mas a continuidade de uma atividade que assegura emprego, fixa população, produz alimentos e gera valor económico para o país”, conclui o responsável, defendendo uma resposta rápida, eficaz e com execução célere para evitar danos irreversíveis no tecido económico e social da região.

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