Exportações de azeite e vinho da UE com quebra de dois dígitos para os EUA em ano de tarifas
EUA mantiveram-se como o segundo maior mercado das exportações de produtos agroalimentares da UE, mas foram o destino com a maior quebra em 2025, ano marcado pelas tarifas impostas por Trump.
As exportações agroalimentares da União Europeia (UE) cresceram 1% em 2025 para um novo recorde de 238,4 mil milhões de euros em 2025, mas as vendas para os Estados Unidos, o segundo maior mercado, protagonizaram a maior quebra (6%) num ano marcado pela imposição de tarifas por parte de Donald Trump, sobretudo por conta do vinho e do azeite.
À luz de um relatório publicado, esta sexta-feira, pela Comissão Europeia, no ano passado, os EUA compraram ao "bloco" dos 27 produtos agroalimentares avaliados em 28,6 mil milhões de euros (-1,8 mil milhões de euros ou -6%), figurando o destino com a maior quebra em 2025 após terem protagonizado a maior subida em 2024.
"Depois de [as exportações agroalimentares para os EUA] terem começado o ano num nível elevado até março, a partir de julho caíram abaixo do patamar de 2024", lê-se no documento.
A Direção-Geral da Agricultura e do Desenvolvimento Rural (AGRI) diz que a descida, iniciada antes da aplicação efetiva das tarifas de 15% por parte dos EUA às exportações da UE, a 1 de setembro de 2025, se explica, em particular, por uma queda nas exportações de vinho e produtos à base de vinho (- 721 milhões de euros, ou seja, -14%), por uma diminuição do valor das exportações de azeitona e azeite (- 589 milhões de euros, -22%, apesar de um aumento de 8% no volume), bem como por uma redução nas exportações de cerveja, sidra e outras bebidas (- 341 milhões de euros, o equivalente a -17%).
Portugal acompanha "baixa"
E Portugal acompanhou a tendência. Como noticiou o Negócios, as exportações agroalimentares portuguesas caíram pela primeira vez em dez anos, como atestou o presidente da Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares (FIPA), Jorge Tomás Henriques, em entrevista recente ao Negócios e à Antena 1, que atribuiu a queda (de 4,5%) à correção dos preços do azeite, atendendo a que houve um crescimento na ordem dos 10% em volume.
O mesmo sucedeu no vinho, com a "nuance" de que, em termos globais, também houve uma queda em volume. Segundo dados da ViniPortugal, em 2025, as exportações totais de vinho alcançaram os 953,5 milhões de euros (-1,09%) e os 340,6 milhões de litros (-2,15%), o que corresponde a uma diminuição de 2,15% em preço médio.
Para os EUA, o segundo maior mercado do vinho português em valor, a seguir a França, as exportações caíram 14,05% para 87,76 milhões de euros, com o preço médio a tropeçar 7,78%. Já em volume o recuo foi de 6,80% face a 2024.
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