Kristin afetou 400 hectares de vinha em Alenquer e compromete campanha
"Cerca de 400 hectares de vinhas foram afetadas pela tempestade Kristin, no mínimo e exclusivamente no concelho de Alenquer, alertaram, esta quarta-feira, em comunicado, a Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa (CVR Lisboa) e a Associação de Viticultores de Alenquer (AVA), apesar de os números ainda estarem a ser validados, já "comprometem a campanha vitivinícola deste ano e colocam várias explorações em situação de elevada vulnerabilidade financeira".
Na nota conjunta, enviada esta quarta-feira às redações, a duas entidades apoiam-se nas declarações de prejuízos realizadas pelos viticultores na plataforma da Comissão de Coordenação Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR), que, adiantam, ascendem a 1,7 milhões de euros só no concelho de Alenquer".
PUB
"Nos 400 hectares de parcelas, com prejuízos reportados à CCDR, incluem-se áreas de exploração onde se registaram deslizamentos de terras, abatimentos e deformações do solo, destruição de armações (postes e arames), danos em sistemas de drenagem e acessos internos, impedindo a circulação de maquinaria e comprometendo operações essenciais no arranque do ciclo vegetativo", descrevem.
E - realçam - "estes impactos surgem num momento particularmente crítico para o setor vitivinícola nacional e regional", com a Região Vitivinícola de Lisboa a sinalizar que enfrenta uma conjuntura - nacional e europeia - marcada por "uma quebra estrutural do consumo nos principais mercados", uma "pressão descendente sobre os preços pagos à produção", pelo "aumento significativo dos custos de energia, mão-de-obra e outros fatores de produção, pela "necessidade crescente de investimento na adaptação às alterações climáticas" ou ainda uma "forte pressão sobre a tesouraria das explorações devido à acumulação de 'stocks'".
E, neste sentido, "a ocorrência destes fenómenos extremos agrava uma situação económica já de si complexa e fragilizada".
PUB
"Na Região Vitivinícola de Lisboa, não está em causa apenas a reposição de estruturas físicas", mas "a sobrevivência económica de parte significativa das 2.000 explorações familiares, cooperativas e empresas que sustentam o emprego, a fixação de população e a atividade económica em territórios rurais estratégicos", frisam.
E, neste contexto, advertem para o "risco claro" da ausência de medidas concretas nas próximas semanas: "abandono de vinha, descapitalização das explorações e perda irreversível de capacidade produtiva num setor estruturante da economia agrícola nacional".
O alerta foi dado com um apelo à inclusão dos concelhos de Alenquer e Arruda dos Vinhos no acesso às medidas do restabelecimento do potencial produtivo, ao abrigo do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), que lhes estava vedado por não integrarem a lista inicial de municípios declarados em estado de calamidade.
PUB
Com efeito, esta terça-feira, foi publicado um despacho que alarga o "mapa" da situação de calamidade a mais 22 concelhos.
Estes juntam-se assim aos 68 inicialmente abrangidos pela situação de calamidade decretada pelo Governo em janeiro nas zonas afetadas pela depressão Kristin, aos quais se aplicarão os mesmos apoios.
PUB
Mais lidas
O Negócios recomenda