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Vendas de vinho na Europa devem cair 35% em volume e 50% em valor este ano

O encerramento dos bares e restaurantes devido à pandemia terá um forte impacto nas vendas europeias do setor vinícola, estima a Organização Internacional do Vinho.

Paulo Duarte
Pedro Curvelo pedrocurvelo@negocios.pt 23 de Abril de 2020 às 14:30
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As vendas de vinho na Europa deverão sofrer uma quebra de 35% em termos de volume e de 50% em valor este ano devido ao impacto da pandemia da covid-19, indicou esta quinta-feira a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV).

"Neste momento assistimos a uma mudança enorme devido à pandemia, que terá um impacto em numerosos aspetos da vida das explorações agrícolas e vitivinícolas, bem como na produção e comercialização de uvas e de vinho", afirmou Pau Roca, diretor da OIV numa videoconferência.

A organização estima que a queda a pique das vendas no canal Horeca (hotéis, restaurantes e cafés) não será compensada com as vendas na grande distribuição.

"Ainda estamos numa fase precoce e não dispomos de suficientes dados estatísticos para fornecer uma previsão precisa e antecipar um cenário futuro do setor vitivinícola mundial", assinalou Pau Roca.

Ainda assim, o responsável defende que "o desaparecimento radical na maioria dos países do canal de vendas Horeca" leva a uma alteração profunda nos canais de distribuição do vinho.

"Estimamos que na Europa o encerramento do canal Horeca poderá provocar uma redução de 35% do volume e de mais de 50% no valor das vendas", sublinhou, indicando ainda que o impacto será distinto nas diversas regiões, também pelo efeito da pandemia na atividade turística "que será fortemente limitada mesmo após o fim do confinamento".

Admitindo que as vendas de vinho na grande distribuição tem aumentado durante o confinamento, Pau Roca argumentou que "essa boa notícia não compensa todas as perdas causadas pela redução das vendas Horeca. As características intrínsecas do canal comercial de vendas de retalho limitam a oferta, orientada para preços baixos e homogéneos, ao contrário do canal Horeca". E exemplificou com as cartas de vinho dos restaurantes, que apostam na diversificação.

A solução encontrada por muitas empresas do setor foi recorrer às vendas online. Mas Pau Roca sublinha que existe uma subcapacidade logística que urge resolver. "As vendas ao domicílio continuam a crescer e a vantagem do e-commerce é que não limita a escolha em termos de preço ou quantidade de produtos".

Contudo, o cenário global previsto é de "uma queda de consumo e dos preços médios e, consequentemente, uma redução do volume de negócios, das margens e da rentabilidade dos produtores vinícolas", resume.

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