Irão: Crise no Médio Oriente aumenta em 10% tráfego no Canal do Panamá

A segunda responsável pela via que liga o Atlântico ao Pacífico e pela qual passam entre 3% e 6% do comércio mundial precisou que, nas últimas duas semanas, foram realizados entre 38 e 41 trânsitos diários, quando estavam previstos cerca de 34 a 36.
Canal do Panamá
Matias Delacroix/AP
Lusa 15:45

A crise no Médio Oriente impulsionou, nas últimas semanas, o aumento em cerca de 10% do tráfego de navios no Canal do Panamá, afirmou esta segunda-feira a vice-administradora da via navegável, Ilya Espino de Marotta.

A segunda responsável pela via que liga o Atlântico ao Pacífico e pela qual passam entre 3% e 6% do comércio mundial precisou que, nas últimas duas semanas, foram realizados entre 38 e 41 trânsitos diários, quando estavam previstos cerca de 34 a 36.

PUB

"Obviamente, o Canal do Panamá é uma rota segura, é uma rota curta que, com os preços dos combustíveis, proporciona melhores economias de escala. Por isso, temos assistido a um aumento do tráfego e estamos aqui, dia após dia, a tentar apoiar a indústria o máximo possível", declarou Espino de Marotta numa entrevista à emissora Telemetro.

Um dos segmentos mais afetados é o do gás natural liquefeito (GNL), que sofreu uma forte redução após o início da guerra na Ucrânia, uma vez que a carga deste hidrocarboneto proveniente dos Estados Unidos com destino à Ásia foi desviada para a Europa, devido às melhores condições de mercado existentes no continente, por causa do conflito armado.

"Tivemos 500 trânsitos por ano, 380 trânsitos de GNL por ano entre 2018 e 2022, mas em 2023-2024 o segmento entrou em colapso devido à guerra entre a Ucrânia e a Rússia e agora está a recuperar. Estamos a registar reservas para o próximo mês de abril", precisou Espino de Marotta.

PUB

O gás natural liquefeito "é o segundo segmento que paga a portagem mais elevada do Canal, pelo que é um bom indício" do impacto que este florescimento pode ter nas receitas da rota.

Assim, Espino de Marotta acredita estar "10% acima do que tinha sido previsto no orçamento em termos de tonelagem e receitas" devido a este aumento dos tráfegos.

"Teremos de ver no final do ano fiscal qual será o impacto real da crise no Médio Oriente nos números do Canal do Panamá", acrescentou a responsável.

PUB

No ano fiscal de 2025, as receitas do Canal atingiram 5.705 milhões de dólares, com um aumento de 14,4% em relação ao ano anterior. Os tráfegos pela via totalizaram 13.404.

O principal utilizador do Canal são os EUA, com cerca de 70% da carga que o atravessa a sair ou a dirigir-se para esse país, seguido da China e do Japão.

O Canal, com 82 quilómetros de comprimento, liga 180 rotas marítimas e 1.920 portos de 170 países.

PUB
Pub
Pub
Pub