Juros vão subir já? “Vale mais atuar mais cedo do que mais tarde”
“O que vai acontecer a nível de decisões do Banco Central Europeu (BCE) vai depender muito de quanto este conflito vai durar, ou se estima que vai durar”. E prevendo-se a continuação da subida dos preços, em resultado do conflito no Médio Oriente, Álvaro Santos Pereira defende que se atue “rapidamente e decisivamente”.
Em entrevista ao Negócios e à Antena 1, o governador do Banco de Portugal salienta que com o “encerramento do estreito de Ormuz estamos a afetar não só a distribuição de gás natural e do petróleo, como também estamos a limitar a oferta na distribuição de fertilizantes”. Há efeitos imediatos nos preços da energia, que levam à subida de outros, mas há também os “efeitos de segunda ordem”, que se sentirão mais tarde.
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Governador do Banco de Portugal
“Temos que ver quais são os impactos nos preços da energia e nos outros materiais e se está a ser transmitido para o resto dos preços e se está a ter impacto também nos salários. Se esses efeitos de segunda ordem forem significativos e forem prolongados, é natural que a inflação vá ser mais prolongada”, diz o governador, defendendo, neste cenário, que o BCE atue.
“Acho que vale mais atuar mais cedo do que mais tarde para depois não termos os efeitos de segunda ordem que sejam bastante maiores”, diz o membro do Conselho de Governadores. “Quando existem possíveis espirais inflacionistas, eu prefiro que nós atuemos mais rapidamente e decisivamente”, atira.
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“É importantíssimo atuarmos rapidamente quando existem indícios de que os preços vão subir, de que estamos à espera de que as coisas vão melhorar e que não haja por um milagre qualquer efeito de segunda ordem”, conclui Álvaro Santos Pereira que revela muito maior preocupação com os preços do que com a economia.
Governador do Banco de Portugal
“Estou mais preocupado com a questão da inflação do que uma desaceleração da economia significativa”, refere o governador na Conversa Capital, afastando, neste caso, um potencial cenário de estagflação como já foi defendido por outros governadores de bancos centrais da Zona Euro.
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A explicação para este “fenómeno” de reduzindo impacto ao nível da economia é explicado por Álvaro Santos Pereira com o advento da inteligência artificial (IA). “Além do choque energético, uma revolução e que está a ter um impacto enorme no investimento em vários países, que é a parte da IA. Se nós não estivéssemos neste momento a beneficiar da revolução que está a acontecer a nível da IA e o impacto que está a ter a nível do boom de investimento, o choque energético seria certamente pior”, alerta.
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