OPA sobre a Sonaecom poderá ser o próximo passo da FT na Península Ibérica

O acordo firmado entre a Sonae SGPS e a France Télécom vai aumentar o carácter especulativo nas acções da Sonaecom. Os analistas do BPI acreditam que depois da compra da Amena em Espanha, uma OPA sobre a dona da Optimus poderá ser o próximo passo da opera
Pedro Carvalho 19 de Outubro de 2005 às 12:00

O acordo firmado entre a Sonae SGPS e a France Télécom vai aumentar o carácter especulativo nas acções da Sonaecom. Os analistas do BPI acreditam que depois da compra da Amena em Espanha, uma OPA sobre a dona da Optimus poderá ser o próximo passo da operadora gaulesa Na Península Ibérica.

A France Télécom (FT) e a Sonae SGPS [SON] anunciaram ontem um acordo que vai vigorar assim que a operadora francesa passar a controlar 23,7% da Sonaecom.

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Durante os 18 meses após o aumento de capital, a FT fica impedida de alienar a sua posição. Neste período de «lock up», se a SGPS decidir vender mais de 80% das acções detidas na Sonaecom, a FT fica com o direito de preferência.

Este acordo tem um impacto «potencialmente positivo para a Sonaecom, já que os contornos do acordo estão relacionados com possíveis movimentos de consolidação, aumentando assim o carácter especulativo» das acções da Sonaecom, defendem os analistas do BPI.

Os analistas Ricardo Seara e Flora Trindade recordam que a FT aumentou a sua presença em Espanha, ao comprar a Amena, liderando a operadora alternativa naquele país, através do controle da Uni2, Wanadoo e Amena.

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«Na nossa opinião, uma OPA para controlar a Sonaecom poderá ser o próximo passo da FT na Península Ibérica, já que a empresa tem uma natureza similar às operações da FT em Espanha», defende o banco de investimento.

No entanto, e tendo em conta os contornos da operação, o BPI diz que podem também surgir novos operadores interessados na Sonaecom, o que vai ainda aumentar ainda mais a especulação sobre o título.

O acordo para os próximos 18 meses

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A Sonae SGPS e a FT fizeram um acordo parassocial no pressuposto que a operadora francesa venha a adquirir, em aumento de capital, 23,7% do Sonaecom.

Esta entrada da FT no capital da dona da operadora Optimus está condicionada à não oposição por parte da Autoridade da Concorrência.

O acordo estabelece que durante o prazo de 18 meses, contados da data da escritura do aumento de capital («lock-up period»), a FT está impedida de alienar a sua participação na Sonaecom.

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Nesse mesmo período, de 18 meses, a operadora gaulesa tem o direito de preferência na venda que a Sonae decida fazer a um terceiro, «desde que a operação tenha por objecto pelo menos 80% da participação na Sonaecom detida pela Sonae».

O que poderá acontecer volvidos os 18 meses

Findo este período de 18 meses de «lock up», a venda pela Sonae a um terceiro só é possível a 105% do preço que seja oferecido pela FT.

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A FT, caso pretenda baixar a sua posição - que no início do período de «lock up» será de 23,7% - abaixo dos 9,48%, «deve usar os seus melhores esforços para que a venda ocorra de modo coordenado com a Sonae», lê-se no comunicado publicado ontem.

No caso de o acordo de parceria estratégica celebrado entre a FT e a Sonaecom não ser renovado até três meses antes do respectivo termo, a Sonae tem o direito de fazer adquirir por outro operador de telecomunicações as acções da Sonaecom detidas pela FT por um preço fixado em atenção à cotação média em bolsa ou ao valor resultante de uma avaliação («fair market value»), consoante o «free float» seja ou não igual ou superior a 30%.

Não sendo exercida esta opção de compra («call option») pela Sonae, a FT fica com direito a uma opção de venda («put option»), cujo preço de exercício será o equivalente a 90% do «fair market value», não podendo porém exceder um montante que garanta à FT uma remuneração do seu investimento de 15% ao ano.

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Numa eventual alienação a terceiro, a Sonae pode forçar a FT a vender as suas acções nas condições ajustadas com o comprador.

O acordo vigora por prazo indefinido, caducando se a Sonae e/ou a FT deixarem de deter acções da Sonaecom, e qualquer das partes podendo resolvê-lo se a participação da outra for reduzida em mais de 60%.

As acções da Sonaecom negociavam em queda de 1,71% para os 3,45 euros.

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