Operadores contra preço fixo no “roaming”
As operadoras móveis a actuar em Portugal contestam a intenção de Bruxelas em limitar ao máximo de 50 cêntimos por minuto as chamadas realizadas em "roaming". As empresas defendem que esta medida afecta a concorrência e penaliza Portugal, que recebe muito mais chamadas em "roaming" do que realiza.
Os ministros das telecomunicações da União Europeia (UE) alcançaram na quinta-feira um acordo de princípio para reduzir o valor das chamadas em "roaming", para um máximo de 50 cêntimos por minuto, até ao próximo mês de Julho.
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As operadoras nacionais, contactadas pelo Jornal de Negócios através de e-mail, revelaram unanimidade nas críticas à UE, classificando a medida com lesiva para o mercado e acrescentando que não há justificação para uma regulamentação dos preços.
"A proposta da Comissão Europeia é lesiva dos interesses de Portugal, dos operadores móveis e dos consumidores", defende a Vodafone que explica que sendo Portugal um país "com mais clientes estrangeiros a fazer "roaming" nas nossas redes do que portugueses a fazer "roaming" em redes de países estrangeiros" haverá uma redução grande nas receitas do país. A operadora liderada por António Carrapatoso vai ainda mais além, defendendo que "esta medida se traduz numa clara transferência de valor dos países do Sul para os do Norte da Europa".
A Optimus partilha este argumento e "considera que a intervenção ao nível de preços é a forma intrusiva de intervenção no mercado e que a fixação de preços, muito em particular, preços de retalho é um mau princípio", adiantando que "a intervenção em qualquer mercado apenas deverá acontecer quando se demonstre que o mesmo não é concorrencial", o que na perspectiva da Opitmus não acontece neste mercado.
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"A TMN pensa que não há justificação para a existência de regulação ao nível dos preços do serviço de ‘roaming’ nomeadamente os preços de retalho. É uma constatação que o mercado dos serviços móveis é competitivo e que os preços do serviço de ‘roaming’ têm vindo a decrescer significativamente".
A Vodafone adianta ainda que a "regulação dos preços de retalho não deixa qualquer margem de manobra para a introdução de diferenciação ou inovação" em termos de "roaming", o que é prejudicial para a concorrência.
Operadoras nacionais com preços acima do limite
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As três operadora móveis portuguesas praticam preços acima do novo limite estabelecido pela União Europeia (UE) de 0,50 euros por chamada, de acordo com os dados disponibilizados pelas empresas nos "sites" [preços base sem IVA], que poderão variar dependendo dos planos tarifários.
No caso da TMN o preço das chamadas efectuadas para o país em visita ou para Portugal ascende aos 0,80 euros, um valor que sobe para os 1,15 euros se a chamada for para outro destino internacional
Já na Vodafone os preços dependem se a chamada é efectuada para a mesma rede ou para uma diferente. Na primeira situação o preço cobrado é de 0,85 euros por minuto, enquanto no segundo aumenta para 1,25 euros.
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Quanto à Optimus não faz diferenciação entre redes e cobre 1,63 euros por cada chamada efectuada num país da União Europeia.
Nas chamadas recebidas - situação em que o custo é partilhado com a operadora que faz a chamada -, a operadora da Sonaecom cobra 0,40 euros por minuto, a Vodafone 0,30 euros e a TMN 0,310 euros.
O limite imposto pela UE não se deverá ficar por aqui, já que a comissária europeia para as telecomunicações, Viviane Reding, defende que o tecto máximo para as tarifas de "roaming" deve ser de 0,25 euros por minuto.
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