Soares dos Santos: "O País é o resultado da nossa vontade"

O presidente do conselho de administração da Jerónimo Martins afirmou quinta-feira que a superação da crise em Portugal depende dos portugueses e considerou necessário esclarecer se se quer iniciativa privada ou um Estado que mande em tudo.
Lusa 08 de Julho de 2011 às 11:16

Numa palestra proferida num encontro do núcleo de Faro da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), Soares dos Santos defendeu que os portugueses têm que definir, em primeiro lugar, em que sistema querem viver.

"Temos um sistema em que a iniciativa privada existe, é aceite e bem aceite ou um sistema em que preferimos que o Estado mande em tudo? Não podemos é continuar a pretender investimento estrangeiro e português e tratá-lo mal, porque há milhentos países que tratam bem e sou melhor tratado na Polónia do que aqui", disse.

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Alexandre Soares dos Santos criticou "o hábito dos portugueses só terem direitos", como "o direito a um Serviço Nacional de Saúde", mas questionou se faz sentido uma pessoa "ter um 'pacemaker' que custou sete mil euros e não ter pago um tostão".

Argumentou que "não há hipótese de sustentar isto", porque "temos de se pagar de qualquer maneira", se não se pagar o acto médico, paga-se com impostos, avançou.

Disse ainda que se ignora onde o dinheiro dos impostos é gasto e criticou o fato de "ninguém ter dito para onde foram as ajudas que vieram de Bruxelas, onde esse dinheiro está, como foi gasto e qual foi o seu retorno".

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Em consequência, afirmou: "Somos nós, sociedade civil, que tem que assumir essa responsabilidade".

Alexandre Soares dos Santos disse que muitas das empresas têm dificuldades "porque não dispõem de fundo de maneio" e, com a falta de crédito bancário, não conseguem fazer frente à situação económica difícil.

"Desde o início do ano já perdemos 19 fornecedores e estamos a pagar as vinhas", revelou.

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O empresário disse ainda que "tem que haver Justiça a horas" e defendeu que "as leis fiscais não podem estar sempre a mudar", porque "as empresas não gostam disso, têm planos e não podem estar ao sabor de um partido que decide mudá-las quando quer".

Defendeu a aposta no capital humano, na formação e no "respeito pelas pessoas", que "têm que ser motivadas", e criticou ainda os políticos por não dizerem a verdade ao País, considerando que Portugal "está na situação que está porque andaram a mentir".

Em conclusão, afirmou: "O País é o resultado da nossa vontade”.

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