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Epstein não pensa: encena pensamento. Enumera teorias alheias como quem declama os títulos das lombadas de livros de uma estante alugada. É o tipo de homem que confunde curiosidade com profundidade e arrogância com inteligência. E fá-lo com prazer.

Entrevista com o Diabo

O “cidadão de bem” não precisa de parecer extremista para operar numa lógica extremista. Basta-lhe a convicção íntima de que está do lado certo (e de que os outros merecem ser corrigidos, controlados ou punidos).

Cuidado com o cidadão de bem

A grande força de “Sinners” está no facto de não ter medo de ser um filme com um olhar negro. Isso sente-se no humor, que não pede tradução, no ritmo, que obedece mais ao corpo do que à estrutura clássica, e na relação com a música, mais física, quase visceral.

Vender a alma, sugar o sangue

Vivemos uma nova era, a do tecnofeudalismo: um sistema em que o espaço público não pertence aos cidadãos, mas a plataformas privadas que funcionam como senhorios digitais.

Bem-vindos ao tecnofeudalismo

Ambos os filmes falam da mesma mentira moderna: a de que somos aquilo que fazemos. Que valemos na exata medida da nossa utilidade. Que descansar é suspeito, errar é fraqueza e parar é quase um crime moral.

Uma ode aos desocupados

Numa sociedade onde todos concordam, todos sorriem, todos racionalizam o que sentem, alguém que pensa por conta própria é, no mínimo, desagradável. Em “Pluribus”, a protagonista é essa voz desalinhada.

Toda unanimidade é burra

As repetidas referências a “Tubarão”, filme de Spielberg, então recém-lançado, não são brincadeiras de cinéfilo, são comentários políticos. O tubarão invisível, a música que antecede o ataque, o medo que se instala antes de qualquer violência… tudo isto está lá na forma de um monstro histórico: a ditadura como presença constante, enorme, silenciosa e faminta.

Vivendo com tubarões

Enquanto o planeta aquece, o tempo de antena é gasto a discutir se os tornados são reais, se os incêndios são “naturais”, se Greta Thunberg é um holograma.

A verdade da mentira

Vivemos, literalmente, à beira do abismo, mas preocupamo-nos mais com o abismo emocional de não receber uma mensagem de volta a perguntar o que o outro quer para o jantar.

O fim do mundo não é um fim do mundo

O cinema, esse espelho oblíquo, mais tarde também se dedicou a revelar as fissuras da vida de quem pensa que o trabalho é tudo. As comédias de escritório foram trocadas por outras fitas que deixavam entrever que talvez vivêssemos em prisões com ar condicionado. “O Clube da Luta” é um bom exemplo disso.

Bem-vindo ao mundo do minimalismo profissional

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