Volkswagen quer congelar salários até 2030
A fabricante alemã está a fazer de tudo para reduzir os custos e estabilizar as contas para combater os automóveis chineses que estão a entrar na Europa.
- 2
- ...
A Volkswagen pretende congelar os salários dos mais de 600 mil trabalhadores até 2030. A notícia é avançada pelo meio alemão Sueddeutsche Zeitung, que cita documentos internos da fabricante automóvel.
De acordo com a publicação, este congelamento integra o "Group Target Picture", um plano traçado para 2030 para assegurar a estabilidade do grupo alemão e que já foi aprovado pelo Conselho de Administração.
Ao congelar os salários, o grupo alemão liderado por Oliver Blume vai fazer com que milhares de trabalhadores percam rendimentos para a inflação. Segundo os cálculos do jornal alemão, o bloqueio a aumentos salariais deve significar uma perda de rendimentos de 10% para todos os trabalhadores que sejam abrangidos pela medida.
O grupo automóvel, também dono de marcas como Audi e Porsche, pretende alinhar todas as negociações coletivas internacionais, sendo que a medida do congelamento salarial deve entrar em vigor a partir do quarto trimestre. A publicação, citada pela Bloomberg, nota que estas diretrizes incluem as reduções na remuneração variável, pagamentos especiais e ainda benefícios. Também estão previstos cortes de postos de trabalho.
De recordar que a fabricante alemã tem vindo a sofrer golpes na sua cadeia de produção desde a chegada dos automóveis chineses, cuja tecnologia elétrica se mostra mais avançada e apresenta um preço de venda mais baixo para os compradores. A Volkswagen já tinha, no passado mês de setembro, revisto em baixa as suas previsões e duplicou o corte de postos de trabalho para 100 mil, o que equivale a 15% da sua força de trabalho.
No âmbito do plano de reestruturação, a empresa já tinha anunciado o fim da marca Seat, que deverá fechar portas em 2029, e estaria a equacionar a venda da italiana Ducati, pela segunda vez desde 2017.
No início de setembro, não existiam sinais de despedimentos a chegar à fábrica da Autoeuropa, ainda que fonte da fabricante tenha dito ao Negócios que todas as fábricas estariam em análise para uma eventual redução de pessoal. A expectativa é que as instalações de Palmela escapem, uma vez que já iniciou a produção do novo elétrico e do T-Roc híbrido.