"Incumprimento na garantia pública é o mesmo dos outros" créditos, diz Miguel Maya
O BCP sublinha que os créditos à habitação com garantia do Estado para jovens até aos 35 anos têm, pelo próprio desenho da medida, um financiamento maior relativamente ao valor do imóvel, pelo que é normal que haja um crescimento do número de crédito considerados pelo Banco de Portugal como sendo de risco elevado.
Questionado sobre os alertas do Banco de Portugal (BdP), que concluiu que os empréstimos ao abrigo deste regime fez aumentar em sete vezes o número de mutuários com perfil de risco elevado, Miguel Maya fez questão de sublinhar que o conceito usado para classificar estes riscos leva em linha de conta dois critérios: a taxa de esforço - medida no rácio DSTI, ou "Debt-Service-To-Income" - e o valor do financiamento face ao preço do imóvel - "Loan-To-Value", ou LTV. Basta que um dos dois ultrapasse certos limites (60% no primeiro e 90% no segundo) para que o respetivo crédito seja considerado de risco elevado. Ora a garantia do Estado, pelo seu próprio desenho e objetivo, permite exatamente ultrapassar o LTV.
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"No conceito de crédito em risco elevado do Banco de Portugal houve uma evolução muito forte para 21% dos créditos", começou por recordar o presidente executivo do banco (no qual este rácio é de 18%). No entanto, Maya alertou que "para se ter um entendimento completo do tema é preciso perceber o que isto quer dizer".
"Por exemplo se um crédito tiver LTV de 90% mas DSTI de 10%, é considerado de risco elevado", afirmou. Sendo que "como muitas operações são com garantia jovem, é natural que haja este aumento". No BCP, os empréstimos ao abrigo deste regime representaram 40% da nova produção no primeiro trimestre. "O que é preciso ver é se resulta de não terem capacidade financeira ou se resulta do LTV", destacou o presidente executivo da instituição.
Miguel Maya disse ainda que "a percentagem de incumprimento na garantia pública é o mesmo das outras: 0,02%", admitindo, por outro lado, que "é muito cedo" para avaliar estes créditos, que estarão vivos durante décadas.
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Exemplo disso é o número residual de créditos com garantia que deram problemas. "O banco tem seis situações que não correram bem", disse. Estes casos estão relacionados com os três "D" inimigos do cumprimento: desemprego, divórcio e doença. Esta meia dúzia de empréstimos entraram em incumprimento mas a garantia ainda não foi ativada.
Maya é, por isso, favorável à medida. "Os jovens que tenham capacidade financeira em inicio de carreira não deveriam ficar condicionados na compra de casa por não terem os 10% para darem de entrada", respondeu, quando questionado sobre se é favorável à continuação do regime depois de 2026. "É muito importante apoiar os jovens e não pedir aos jovens que tenham de estar 3 anos a pagar uma renda e em cima disso acomodar os tais 10%", argumentou.
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O BCP já esgotou a sua quota inicial de 185 milhões de euros na medida, tendo pedido um reforço, já concedido, de 150 milhões. O valor médio nos créditos com garantia é de 218 mil euros.
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