Bradesco pode não participar no aumento de capital do BES
O Bradesco não foi abordado pelo BES, garante o presidente executivo do banco brasileiro. Fontes próximas dizem à Bloomberg que um dos maiores accionista do BES não tenciona acompanhar o aumento de capital que será necessário realizar depois das perdas recorde registadas no primeiro semestre.
Um dos accionistas de referência do BES poderá ficar de fora do próximo aumento de capital do banco liderado por Vítor Bento. O Bradesco - que detém 3,9% da instituição portuguesa - não deverá participar no esforço de capitalização, segundo notícias vindas do Brasil.
A intenção do banco de São Paulo foi avançada esta quinta-feira, 31 de Julho, pela agência Bloomberg. Fonte próxima do processo - que pediu o anonimato por não estar autorizada a falar publicamente - garante que o Bradesco não pretende avançar.
Publicamente, o presidente da instituição admite que está a monitorizar a situação no BES e que um aumento de capital será avaliado no "momento adequado".
Luiz Carlos Trabuco Cappi revelou mesmo que não foi abordado pelo BES para reforçar a solvabilidade da instituição portuguesa e que é um "espectador do que acontece no BES".
"Não existe nenhum pedido de capitalização neste momento. O que existe é uma discussão", afirmou o presidente do Bradesco esta quinta-feira, citado pela agência Bloomberg.
Analistas consultados pelo Negócios consideram que este aumento de capital pode chegar aos quatro mil milhões de euros, depois de ter reportado um prejuízo recorde de 3,6 mil milhões de euros no primeiro semestre. No entanto, o valor poderá ser mais baixo, mas nunca deverá vir a ser inferior a 1,5 mil milhões de euros.
Mas se o BES não conseguir alcançar a capitalização necessária, poderá ser necessário o Estado entrar com dinheiro. O Governo já assegurou que tem 6,4 mil milhões de euros da troika para garantir a continuidade e a solidez do banco.
Se forem usados fundos públicos para a recapitalização, os accionistas e os detentores de dívida subordinada vão perder os investimentos que fizeram no banco, como já tinha avançado o Negócios. Na prática, a instituição é nacionalizada para vir a ser privatizada mais tarde. De fora, ficam os depositantes e obrigacionistas séniores.
Assim, as regras anteriormente usadas pela troika para a recapitalização do BPI, BCP e Banif - em que foram concedidos empréstimos - não se aplicam.
Oficialmente, o Bradesco prefere agora aguardar. "Vamos avaliar qual será o desdobramento delineado pelo banco central de Portugal", declarou o presidente do banco.
O aparente recuo do Bradesco contrasta com a anterior intenção do accionista brasileiro. Ainda recentemente, o presidente do conselho de administração do banco admitia um aumento de capital do BES.
"Faz sentido", declarou Lázaro de Mello Brandão ao jornal Estadão ainda este mês. "O grupo está endividado e não tem liquidez, então tem que realizar activos, o que não se faz de uma hora para a outra", afirmou então.
A cotação do Bradesco está a cair 1,29% na bolsa de São Paulo para os 34,47 reais.