A Europa está atrás da China na corrida global dos carros elétricos, mas ainda vai a tempo de recuperar terreno. Essa é uma das principais conclusões do mais recente relatório da Transport & Environment (T&E), que mostra que, por um lado, a União Europeia (UE) continua sob forte pressão, com elevada dependência do petróleo, e, por outro, mantém vantagens industriais e capacidade para reforçar a sua posição na transição para a mobilidade elétrica.
O estudo State of European Transport defende que a Europa “está a competir muito melhor do que imagina” e sustenta que, se mantiver a ambição atual, poderá aproximar-se da China nos próximos anos. Em 2025, a China vendeu 8,5 milhões de veículos elétricos, o equivalente a 31% do mercado, enquanto a Europa se ficou pelos 2 milhões e por uma quota de 19%.
Até 2021, a UE acompanhava de perto o ritmo chinês, mas, segundo a T&E, as normas de CO2 mais fracas permitiram que Pequim ganhasse vantagem. Ainda assim, o relatório rejeita a ideia de que o velho continente esteja condenado a perder esta corrida. No mercado interno, os construtores europeus continuam a ter um peso dominante e representam 71% dos elétricos vendidos na UE no último ano.
A organização considera que esta base doméstica pode ser decisiva para projetar a indústria europeia para mercados externos. “A transição para os veículos elétricos é uma mudança global, não limitada à China”, sublinha o documento. O relatório assinala, aliás, que a UE exporta automóveis no valor de 150 mil milhões de euros, acima dos 100 mil milhões registados pela China.
Grande parte do desafio está nas baterias, área dominada pelas empresas chinesas que produzem 60% dos carros elétricos com bateria vendidos em todo o mundo, além de o país ter uma capacidade de produção 20 vezes superior. Ainda assim, a T&E acredita que existe margem de crescimento para a Europa e defende políticas e financiamento que permitam consolidar as gigafábricas e a capacidade industrial própria num setor estratégico para o século XXI.
O mesmo estudo recorda que “os transportes continuam a ser o maior problema climático da Europa” e nota que, em 2025, as emissões do setor na UE ficaram estagnadas. A travagem nas emissões dos automóveis e a redução registada no transporte marítimo foram anuladas pelo aumento das emissões da aviação, descrita no relatório como “o elefante na sala”.
“Quase todas as emissões de carbono dos transportes na UE são causadas pela queima de petróleo”, lê-se no relatório, que destaca que, só em 2025, a Europa gastou mais de 220 mil milhões de euros em petróleo importado. Para a T&E, “o custo da inação é chocantemente elevado” para a economia, para a segurança energética e para o clima.
Apesar disso, o estudo insiste que a tecnologia existe e que os custos têm vindo a cair, o que permite ao mercado europeu ir a tempo de recuperar vantagem. “A Europa tem de acelerar rumo a um futuro eletrificado”, aponta a organização.