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BCE pressiona bancos em relação ao pagamento de bónus elevados

O Banco Central Europeu está a colocar maior pressão nos bancos relativamente ao pagamento de bónus, uma vez que as perspetivas de desaceleração da economia se agravam.

A autoridade monetária liderada por Christine Lagarde subiu as taxas de juro diretoras na Zona Euro pela primeira vez em mais de dez anos.
Wolfgang Rattay/Reuters
Diogo Mendo Fernandes diogofernandes@negocios.pt 07 de Outubro de 2022 às 11:22
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O Banco Central Europeu (BCE) está a colocar pressão nos bónus pagos por alguns bancos, numa altura em que o cenário macroeconómico se tem vindo a deteriorar na região, de acordo com fontes conhecedoras do processo, consultadas pela Bloomberg.

O supervisor europeu espera maiores constrangimentos no pagamento de dividendos e pagamentos variáveis, à medida que aumentam as preocupações com possíveis incumprimentos devido ao escalar dos preços da energia. Estes avisos têm ganho renovada dimensão com o BCE a prever uma maior desaceleração económica no continente em 2023.

Este aumento de pressão vem também numa altura em que vários bancos da Zona Euro, como o UniCredit, Commerzbank ou Deutsche Bank deram indicações otimistas para o futuro, mesmo com o aumento da inflação e subida das taxas de juro a pesarem no ambiente económico. Estas instituições acrescentam ainda que é pouco provável que tenham de realizar provisões de crédito, mesmo com o desafio adicional dos preços da energia. De acordo com a Bloomberg, o BCE considera que os financiadores poderão estar a subestimar os riscos.

Recentemente, Andrea Enria, presidente do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu, revelou que havia "uma certa relutância do lado dos bancos em empenhar-se em discussões de supervisão". O responsável acrescentou ainda que a Europa estava a sofrer "um choque macroeconómico persistente", o que requere que os supervisores "exerçam extrema cautela".

O BCE já mostrou previamente que está pronto para intervir caso considere que os planos de pagamento de bónus de uma determinada instituição sejam demasiado ambiciosos face aos riscos económicos, particularmente durante a pandemia e forçou, inclusive, bancos como o BNP Paribas, Deutsche Bank ou o UniCredit a cortarem os bónus para 2020, de acordo com a Bloomberg.
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