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Deutsche Bank: O rombo nas contas patrocinado pelo BCE

O maior banco alemão já preparou os investidores para um forte rombo nas contas do terceiro trimestre. Um "buraco" de milhares de milhões de euros que deverá levar a instituição a suspender os dividendos.

Bloomberg
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 08 de Outubro de 2015 às 19:35
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5,8 mil milhões de euros. É este o valor da factura que o Deutsche Bank terá que provisionar para fazer face às amortizações de activos das suas diferentes áreas de negócio. Uma perda que vai reflectir-se negativamente nos resultados do terceiro trimestre e que pode mesmo levar o banco alemão a suspender a remuneração accionista. Mas porquê tamanho "buraco"? Nada mais, nada menos que as maiores exigências de capital por parte do Banco Central Europeu (BCE). É que a instituição liderada por Mario Draghi ainda não divulgou os testes de stress na região, mas já disse ao banco alemão qual a "almofada de liquidez" que precisa para cada negócio.

O Deutsche Bank deverá apresentar, a 29 de Outubro, um prejuízo de 6,3 mil milhões de euros, o maior para um terceiro trimestre numa década. Um resultado que poderá mesmo levar o banco a suspender a sua política de distribuição de dividendos. A instituição justifica este alerta para resultados negativos com os elevados requisitos de capital, que deverão resultar em maiores amortizações com impacto nas acções. E que, por sua vez, está a reduzir a atractividade de várias áreas de negócio do banco, uma vez que tem que manter reservas mais elevadas.


A comunicação formal apenas deverá ser realizada dentro de algumas semanas, mas o BCE já informou informalmente o Deutsche Bank sobre quanto capital o banco deve reservar para os seus negócios. Perante estas indicações da instituição liderada por Mario Draghi, o Deutsche Bank teve uma percepção clara de qual será a nova avaliação do BCE para as suas principais unidades de negócio, bem como a dimensão da "almofada" de capital necessária para lidar com eventuais riscos.


Contas feitas, o maior banco alemão destinou 2,3 mil milhões de euros para a sua unidade de

6,3 mil milhões
As previsões indicam que o banco alemão pode registar um prejuízo de 6,3 mil milhões de euros no terceiro trimestre. Os números serão conhecidos a 29 de Outubro. 

investimento, a área que deverá ser mais penalizada pelos maiores requisitos de capital exigidos pelo BCE. Outra unidade alvo de intervenção, devido às maiores necessidades de capital será o Postbank. O Deutsche Bank vai vender esta unidade a um valor mais baixo do que a sua avaliação, que continua em níveis de 2010.


O Deutsche Bank reserva ainda 600 milhões de euros para acomodar uma redução no valor da posição de 19,99% que controla no chinês Huaxia Bank, um activo que deverá ser colocado à venda, depois de ter sido designado pela entidade bancária como "não estratégico". De lado ficaram ainda 1,2 mil milhões de euros para ligar com questões judiciais, no âmbito dos vários processos que a instituição tem enfrentado nos últimos anos. Entre esses estão alguns escândalos de manipulação de mercado.


Mas a instituição liderada por John Cryan poderá não ser a única arrastada pelas exigências do BCE. Os maiores bancos europeus estão neste momento a analisar os seus balanços e a tentar calcular qual o impacto que as alterações regulatórias terão nos seus resultados. Muitas instituições serão obrigadas a efectuar aumentos de capital para reforçar os seus rácios de liquidez. O Credit Suisse, diz o Financial Times, vai anunciar em breve um aumento de capital num montante "substancial". Mas enquanto o banco suíço caiu 3,64% em bolsa, o Deutsche Bank desceu apenas 1,77% para 25,03 euros.


Garantida para já é a menor rentabilidade do sector, que tem que deixar de lado cada vez maiores montantes de capital para lidar com eventuais imparidades, reduzindo assim o potencial de criação de valor dessas mesmas áreas de actividade. E quantos mais activos os bancos mantiverem em carteira, maiores os requisitos de capital, o que pode resultar num emagrecimento dos balanços do sector financeiro. A solução para muitas instituições pode ser concentrarem-se nos seus segmentos principais de actividade. Ou seja, vendendo o que não é essencial.

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