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Marcelo defende que transferência para o Novo Banco devia esperar pela conclusão da auditoria

O Presidente da República considerou hoje que o primeiro-ministro "esteve muito bem" ao remeter nova transferência para o Novo Banco para depois de se conhecerem as conclusões da auditoria que abrange o período 2000-2018.

JOSÉ SENA GOULÃO/Lusa
Lusa 13 de Maio de 2020 às 14:56
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"Havendo, e bem, uma auditoria cobrindo o período até 2018 - a auditoria que eu tinha pedido há um ano - faz todo o sentido o que disse o senhor primeiro-ministro no parlamento. É que é politicamente diferente o Estado assumir responsabilidades dias antes de se conhecer as conclusões de uma auditoria, ou a auditoria ser concluída dias antes de o Estado assumir responsabilidades", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado, que falava no final de uma visita conjunta com o primeiro-ministro, António Costa, à fábrica da Volkswagen Autoeuropa, em Palmela, no distrito de Setúbal, assinalou que "estava anunciado para maio o processo conclusivo da auditoria, cobrindo de 2000 a 2018".

"O senhor primeiro-ministro esteve muito bem no parlamento quando disse que fazia sentido que o Estado cumprisse as suas responsabilidades, mas naturalmente se conhecesse previamente a conclusão da auditoria", reforçou Marcelo Rebelo de Sousa.

Questionado se considera que, então, o ministro das Finanças esteve mal, o Presidente da República retorquiu: "Não, significa aquilo que eu disse: há uma auditoria que tinha sido anunciado que estaria concluída em maio deste ano, respeitando a 2000-2018, para os portugueses não é indiferente cumprir compromissos com o conhecimento exato do que se passou num determinado processo ou cumprir compromissos e mais tarde vir a saber como é que foi esse processo até 2018".

"É politicamente diferente uma coisa e outra", frisou, escusando-se depois a responder a mais perguntas sobre este assunto: "Eu não tenho mais nada a dizer, o que eu disse foi claríssimo".

Interrogado inicialmente se foi também surpreendido pela notícia da transferência de 850 milhões de euros para o Novo Banco, o Presidente da República respondeu que tinha apenas "duas coisas a dizer" sobre esta matéria.

"A primeira é que o Estado português cumpre o que tem de cumprir. Assumiu um compromisso, tinha de cumprir o compromisso", referiu, acrescentando que "a segunda" é que faz todo o sentido o Estado assumir responsabilidades depois de serem conhecidas as conclusões da auditoria, como disse o primeiro-ministro no parlamento.

O Expresso noticiou no dia 07 de maio que o Fundo de Resolução recebeu mais um empréstimo público no valor de 850 milhões de euros destinado à recapitalização do Novo Banco.

Esta notícia surgiu depois de António Costa ter assegurado nesse mesmo dia no debate quinzenal no parlamento que não haveria mais ajudas ao Novo Banco até que os resultados da auditoria em curso fossem conhecidos.

Na sexta-feira, o primeiro-ministro disse não ter sido informado pelo Ministério das Finanças do pagamento de 850 milhões de euros e que já tinha pedido desculpa ao Bloco de Esquerda pela informação errada transmitida durante o debate quinzenal.
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