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Queda da margem fez lucro do BPI cair 13% para 512 milhões

A carteira de crédito à habitação cresceu 13% com a ajuda da garantia do Estado de apoio aos jovens. Crescimento da carteira de empréstimos não compensou queda da margem.

Apresentação resultados BPI
Apresentação resultados BPI Mariline Alves / Jornal de Negócios
12:44

O BPI atingiu em 2025 um resultado líquido de 512 milhões de euros. O valor representa uma queda de 13% face aos 588 milhões registados em 2024.

Na atividade doméstica a queda foi inferior, de 4%, tendo o lucro sido de 489 milhões de euros.

O angolano BFA contribuiu com 43 milhões de euros, mais 9% do que em 2024. Em 2025 o BPI vendeu 14,75% da sua participação naquele instituição financeira, obtendo um encaixe de 103 milhões de euros. Já o moçambicano BCI teve um contributo negativo de 20 milhões de euros.

A descida do resultado do banco acontece apesar do aumento da carteira de crédito. Em 2025, a carteira de empréstimos do BPI cresceu 7% para 31,1 mil milhões de euros. 

O crédito a particulares aumentou 11% para 18,6 mil milhões de euros. O crédito à habitação disparou 13% para 17,2 mil milhões, num ano em que a garantia do Estado para apoiar os jovens até aos 35 anos na compra da primeira casa entrou em vigor, tendo sido alvo de grande procura. O BPI, aliás, pediu um reforço de 100 milhões de euros da sua quota inicial.

Ao longo do ano passado, o BPI assinou 5.600 contratos de crédito à habitação ao abrigo deste regime, num total de 1,1 mil milhões de euros de empréstimos concedidos a jovens. 

5.600Garantia
Em 2025 o BPI concedeu 5.600 créditos à habitação com garantia do Estado, num total de 1,1 mil milhões de euros.

As novas contratações de crédito para a compra de casa atingiram 3,9 mil milhões de euros, mais 35% do que em 2024.

A carteira de crédito a empresas também subiu: atingiu 33,3 mil milhões de euros depois de um crescimento de 7% face ao valor de 2024.

O malparado, por outro lado, continuou a trajetória de queda: no final de 2025 o rácio de NPE (sigla para a expressão inglesa "Non Performing Exposures") foi de 1,2%, abaixo dos 1,4% verificados um ano antes.  

No lado dos recursos de clientes houve também um crescimento: a carteira de depósitos cresceu 7% para 32,5 mil milhões de euros. Os recursos fora de balanço dispararam 18% para 11,2 mil milhões

O aumento dos volumes não foi capaz, no entanto, de compensar a esperada queda da margem financeira, que aconteceu já num período de normalização das taxas de juro do Banco Central Europeu (BCE).

O encaixe com a margem afundou 10%, atingindo 875 milhões de euros. A receita com comissões também desceu: menos 6%, para 307 milhões. O produto bancário caiu 8% para 1.225 milhões de euros.

875Margem
A margem financeira afundou 10%, atingindo 875 milhões de euros.

Já os custos recorrentes subiram 4% para 508 milhões de euros, depois de um aumento de todas as rubricas que o compõem: os gastos com pessoal cresceram 12 milhões, os gastos gerais administrativos aumentaram 3 milhões e as amortizações custaram mais 4 milhões de euros.

Em dezembro de 2025 o BPI apresentava rácios de capital confortavelmente acima dos requisitos. 

O CET 1 ("Common Equity Tier 1", na sigla inglesa) era de 14% (o requisito é de 9,4%). O rácio de capital total era 17,5%, para uma exigência de 13,78%.

O BPI terminou o ano com 4.476 trabalhadores, mais 5,7% do que há um ano. São mais 242 pessoas. No mesmo período diminuiu a rede em 2 agências. Existem agora 301 balcões. 

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