José Maria Ricciardi vai separar BES Investimento do BES
José Maria Ricciardi vai ficar como presidente do BES Investimento e promover a separação deste banco do BES. O banqueiro sublinha que o supervisor reconheceu a sua idoneidade para se manter como líder daquela instituição.
O presidente do BES Investimento, José Maria Ricciardi, vai apostar "num projecto de natureza estratégica que pressupõe a separação da banca de investimento da banca comercial, de harmonia com o modelo de governance que tem vindo a ser desenvolvido no mercado bancário internacional", sublinha, numa nota enviada às redacções.
O banqueiro garante que já viu "reconhecida a sua idoneidade pela entidade de supervisão e o registo do seu mandato".
O projecto de autonomização do BESI do BES passará pelo desenvolvimento "de uma parceria internacional que passará por um aumento de capital de significativa envergadura, o qual contribuirá não só para o reforço da implementação da instituição e da sua capacidade de intervenção no mercado, como ainda para a obtenção de consideráveis benefícios para a economia nacional".
A posição tomada por Ricciardi surge depois de ter "perdido a guerra" pelo poder no BES. A família Espírito Santo avançou com uma proposta para substituir Ricardo Salgado na liderança do banco, tendo conseguido a aprovação de quatro ramos da família. Amílcar Morais Pires, actual administrador financeiro, só não conseguiu o voto favorável do ramo da família representado por Ricciardi.
Fazem parte do conselho superior em representação dos cinco ramos da família, Ricardo Salgado; José Manuel Espírito Santo e Ricardo Abecassis; Fernando Manuel Espírito Santo e Manuel Fernando Espírito Santo; Comandante António Ricciardi e José Mário Ricciardi; e Pedro Mosqueira do Amaral.
A cúpula dos Espírito Santo esteve ontem reunida com o governador do BdP, na sede do supervisor, na Rua do Comércio, na baixa de Lisboa. Carlos Costa terá insistido na necessidade de os Espírito Santo encontrarem um gestor independente para liderar o banco, afastando assim a quase totalidade dos membros do clã que têm assento na administração.
Ricciardi, que levou à reunião do Conselho Superior uma lista liderada por si para substituir a actual administração do BES, recusava sair da administração do banco, por negar responsabilidades nas irregularidades cometidas na ES International.
O actual presidente do BESI viu contudo as suas pretensões inviabilizadas, já que os restantes quatro ramos da família votaram ao lado de Ricardo Salgado, que sempre defendeu Morais Pires como uma das soluções para seu substituto à frente do BES.
Nas últimas semanas, o braço-de-ferro na cúpula familiar intensificou-se depois de Ricardo Salgado ter responsabilizado todos os ramos familiares pelas infracções na "holding" de topo do grupo, em entrevista ao Negócios. E a sucessão de notícias sobre os problemas do grupo foram a confirmação pública da guerra que se fazia nos bastidores.