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Subida dos direitos trava queda das acções do BCP

Depois da valorização recorde de 26% na terça-feira, o BCP encerrou sempre com sinal negativo. Hoje as acções voltaram a fechar no vermelho, mas menos pressionadas, já que os direitos subiram na segunda sessão em que estão a negociar em bolsa.

nuno amado BCP
nuno amado BCP Miguel Baltazar/Negócios
07 de Julho de 2014 às 17:51

As acções do Banco Comercial Português fecharam em terreno negativo pela quarta sessão consecutiva, continuando a ser pressionadas pela negociação em simultâneo dos direitos de subscrição do aumento de capital.

Estas quedas, que no acumulado retiraram 18,5% ao valor da acção, não foram suficientes para anular totalmente a valorização recorde de 26,96% registada na terça-feira da semana passada.

Hoje as acções desvalorizaram 0,78% para 11,45 cêntimos, numa sessão em que os direitos até fecharam a subir 1,25% para 0,081 euros.

Depois de negociarem em terreno negativo durante grande parte da sessão, os direitos fecharam a subir 1,25% para 0,081 euros. Foi esta valorização que travou a queda das acções, que ao longo da sessão chegaram a desvalorizar 4,31%.

Ainda assim, apesar da recuperação de hoje, continuam a ser os direitos que estão a pressionar as acções, já que continuam mais "baratos".

À cotação a que fecharam os direitos corresponde um valor teórico das acções de 11,13 cêntimos, pelo que aos investidores é nesta altura mais atractivo comprar direitos do que acções.

Já na passada sexta-feira, 4 de Julho, o primeiro dia em que os direitos negociaram, o BCP foi fortemente castigado em bolsa (as acções encerraram a tombar quase 8%).

O BCP vai emitir mais de 19 mil milhões de direitos, um por cada uma das acções actuais. Cada um desses direitos permitirá aos novos investidores comprar 1,75 novos títulos a um preço de 6,5 cêntimos, cada.

O BCP pretende obter 2.250 milhões de euros junto dos investidores, dinheiro que será utilizado para reforçar os rácios de capital da instituição, mas essencialmente para poder antecipar a devolução da ajuda estatal.

Na última sexta-feira, a agência de notação financeira Fitch melhorou o "rating" de viabilidade do banco liderado por Nuno Amado. Esta agência apontou que a subida do rating de viabilidade do Millennium BCP "reflecte, antes de mais, a emissão de direitos para angariar 2,25 mil milhões de euros no aumento de capital, o que reforçará a sua situação em matéria de capital ‘core’. Além disso, o banco está a realizar progressos no que diz respeito ao seu plano de reestruturação".

 
Como se calcula os preços teóricos

À cotação das acções corresponde um valor teórico dos direitos. É possível calculá-lo subtraindo à cotação o preço de subscrição das novas acções (6,5 cêntimos cada uma), multiplicando depois o resultado por 1,75. Isto porque cada direito permite a subscrição de 1,75 novas acções.

O contrário também é possível. O valor teórico da acção tendo por base a cotação em bolsa do direito é obtido dividindo o preço do direito por 1,75 e somando 6,5 cêntimos ao resultado.

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