CTT: Novas taxas vão "penalizar a curto prazo", mas "são oportunidade para crescer"
As novas taxas aduaneiras não devem afastar os consumidores das compras digitais, que têm vindo a apresentar um consumo cada vez mais forte no e-commerce, e pode mesmo dar "oportunidades de crescimento". O CEO dos CTT acredita que a Cacesa estará mais bem posicionada para crescer.
A União Europeia vai eliminar a isenção de taxas aduaneiras até 150 euros para as pequenas encomendas, a partir de 1 de julho, passando a cobrar três euros por cada categoria de artigo que esteja na encomenda. A alteração, segundo o bloco europeu, serve para proteger os vendedores da UE, mas também para bloquear um pouco o comércio proveniente das plataformas asiáticas. Os últimos dados, de dezembro de 2024, mostram que 60% das entregas dos CTT são de quatro gigantes, sendo três deles chineses.
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A prever um EBIT recorrente de "pelo menos 125 milhões de euros" em 2026, o CEO sustenta que parte deste aumento deverá estar assente na "introdução de novas taxas". "A introdução das novas normas aduaneiras irá criar oportunidades de crescimento futuro para a Cacesa, porque vemos o mercado a evoluir e as autoridades europeias a avançar para estas mudanças, que representam uma tendência previsível", sustenta João Bento, aos analistas, justificando as contas que o grupo fez para prever um aumento nas contas de 2026.
Ainda assim, nem todo o caminho é positivo. "A curto prazo esperamos alguma penalização nas barreiras alfandegárias. E penso que podemos lembrar o que aconteceu em 2021, quando o IVA mínimo terminou e a experiência do clientes foi... praticamente a mesma", adianta, explicando que "os consumidores continuaram a comprar com a mesma facilidade, apesar de pagarem IVA".
Para João Bento, as situações são semelhantes, mas o impacto inicial será passageiro. "Assistimos a uma volatilidade a curto prazo, que depois se normaliza. É assim que estamos a encarar esta situação no que respeita à introdução do novo regulamento aduaneiro", justifica.
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Aliás, a previsão que o gestor avançou é positiva para o segmento de entrega de correio, encomendas e expresso. "Prevemos um crescimento de um dígito elevado ou de duplo dígitos, num cenário em que o impacto das novas taxas aduaneiras é limitado, o que irá, e permitam-me repetir, dar um impulso favorável aos serviços adicionais da Cacesa".
Mesmo fora da empresa, e já com o plano estratégico definido e apresentado no último Capital Markets Day, João Bento recorda que os Correios vão continuar a apostar no segmento das encomendas. "Queremos ser um player de logística de e-commerce, cada vez mais, e isso está alinhado com o que vemos para o futuro. A nossa principal área de negócio e, neste trimestre, pela primeira vez na nossa história, as soluções de comércio eletrónico representaram mais de metade das nossas receitas totais", acrescenta.
"Acreditamos que o nosso portefólio está posicionado para tirar pleno partido do futuro panorama regulatório da UE, graças à Cacesa, e isso não se deve apenas ao facto de estarmos mais envolvidos do que qualquer outro 'player' na parte aduaneira da cadeia de valor, mas porque a Cacesa está presente em muitos países europeus. Temos uma perspetiva muito privilegiada, porque dialogamos com todos os intervenientes chineses e autoridades nacionais", mesmo que esteja a verificar diferentes interpretações das novas regras nos vários países europeus.
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