Lucros da Teixeira Duarte quase duplicam para 50 milhões em 2025

Construtora quase duplica resultados num ano marcado pelo refinanciamento de 95% da dívida. EBITDA cai para 100 milhões e volume de negócios recua 9% para 706 milhões, penalizado pelo imobiliário no Brasil, enquanto carteira de encomendas sobe para 1,6 mil milhões.
Lucros da construtora quase duplicam em 2025
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Patrícia Vicente Rua 18:49

A Teixeira Duarte fechou 2025 com um resultado líquido consolidado atribuível a detentores de capital de 50 milhões de euros, praticamente o dobro face aos , num exercício fortemente marcado pelo acordo de refinanciamento que reestruturou a quase totalidade da dívida bancária do grupo.

"O ano de 2025 confirmou, com factos, aquilo que o exercício anterior havia anunciado: a Teixeira Duarte retomou o rumo e reforçou as bases” para o futuro, afirma o presidente do grupo, Manuel Teixeira Duarte, na mensagem que acompanha o relatório e contas.

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O acordo, concluído em março e que abrangeu cerca de 95% da dívida, permitiu alongar maturidades, reduzir custos e melhorar a estrutura de capital. A operação foi finalizada em novembro com a amortização parcial através da entrega de ativos imobiliários. "Este acordo é, para o Grupo, um verdadeiro ponto de viragem", sublinha o presidente.

O volume de negócios recuou 9%, para 706 milhões de euros, refletindo sobretudo a ausência de entregas no imobiliário no Brasil, num ano em que não houve conclusão de empreendimentos nesse mercado.

Em termos operacionais, o EBITDA caiu 5% para 100 milhões de euros, ainda assim com melhoria da margem para 14,1%.

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A dívida financeira líquida recuou para 496 milhões de euros, menos 147 milhões face ao ano anterior, enquanto a autonomia financeira subiu para 12,1%. 

A construção manteve-se como um dos principais motores do grupo, com um EBITDA de cerca de 31 milhões de euros, sustentado pelo desempenho em Portugal e no Brasil, que ajudou a compensar dificuldades noutros mercados. As concessões e serviços mantiveram contributos estáveis, enquanto o imobiliário foi o principal contributo para os resultados operacionais, com cerca de 36 milhões de euros de EBITDA, apesar da quebra nas receitas associada ao ciclo dos projetos.

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Na hotelaria, o grupo registou um crescimento de 15,2% no volume de negócios, com um contributo de cerca de 18 milhões de euros para o EBITDA, impulsionado pelas operações em Angola. Também a distribuição cresceu naquele mercado, enquanto o setor automóvel foi o mais pressionado, com um contributo residual para os resultados, refletindo os constrangimentos cambiais.

A carteira de encomendas para o setor da construção aumentou para 1.635 milhões de euros, um crescimento de 6,2%, a que acrescem 162 milhões já adjudicados em 2026, assegurando visibilidade para os próximos anos.

O ano ficou ainda marcado pela entrada no consórcio LusoLAV, responsável pela primeira fase da linha de alta velocidade Porto–Lisboa, projeto que deverá representar cerca de 357 milhões de euros em obras.

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Em setembro, a Teixeira Duarte regressou ao PSI, após nove anos fora. Para o presidente, trata-se de “um sinal […] da confiança que o mercado renovou no valor e no potencial do Grupo”.

O grupo aponta a um novo ciclo de crescimento, assente em disciplina financeira, seletividade de projetos, excelência operacional e aposta no talento. "Acreditamos que uma empresa centenária só se mantém relevante se for, simultaneamente, rentável, responsável e atenta ao seu tempo", conclui.

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