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Dono da 35.ª maior fortuna de Portugal paga primeira doutorada em construção industrial

O grupo DST, detido pela família Teixeira, cuja fortuna está avaliada em 398 milhões de euros, conta com 10 trabalhadores com doutoramento concluído e financiou integralmente o da sua gestora de inovação Sara Costa, que vai agora defender o seu projeto na Universidade do Minho.

Sara Costa, gestora de inovação da DTE, empresa de instalações especiais do grupo DST.
Sara Costa, gestora de inovação da DTE, empresa de instalações especiais do grupo DST. D.R.
22 de Janeiro de 2026 às 16:51

Empregando mais de duas mil pessoas, das quais cerca de 30% são mulheres, o grupo bracarense DST, um dos maiores do setor nacional da construção, continua a investir na qualificação avançada dos seus trabalhadores.

Contando com 10 profissionais com doutoramento concluído, distribuídos por diferentes empresas do grupo e áreas de especialização, tem neste momento três outros trabalhadores a frequentar programas de doutoramento, integralmente financiados pelo universo empresarial detido pela família Teixeira, que a Forbes coloca na 35.ª posição da lista dos mais ricos de Portugal, com uma fortuna avaliada em 398 milhões de euros.

Esta sexta-feira, 23 de janeiro, Sara Costa, gestora de Inovação da DTE, empresa de instalações especiais da DST, defende o seu projeto, realizado no âmbito do Programa Doutoral em Engenharia Industrial e de Sistemas da Universidade do Minho, que se foca num dos temas mais determinantes para o futuro do setor: a industrialização da construção.

Num contexto em que Portugal enfrenta desafios estruturais de produtividade, falta de mão de obra especializada e necessidade urgente de inovação no setor da construção, este doutoramento “representa um contributo científico inédito para o país, estabelecendo uma nova forma de compreender, definir e operacionalizar a industrialização da construção, tanto na teoria como na prática”, realça a DST, em comunicado.

“Este doutoramento mostra que industrializar a construção vai muito além de erguer sistemas construtivos: é moldar mentes, culturas e futuros; é industrializar o pensamento, a colaboração e a ambição coletiva. A grande questão já não é se a construção pode ser industrializada. A verdadeira questão é se a indústria e a sociedade estão preparadas para abraçar essa transformação com consciência e propósito”, admite a doutoranda, Sara Costa.

“Só assim se podem aumentar os salários”

O estudo sustenta que a industrialização não pode ser entendida apenas como inovação produtiva. “Pelo contrário, trata-se de uma transformação organizacional profunda, que afeta simultaneamente estruturas, processos, modelos de negócio e sistemas produtivos, mas também, e de forma decisiva, competências, comportamentos, lideranças, culturas internas e mentalidades individuais, num setor que tradicionalmente resiste à mudança”, nota o grupo bracarense, que fatura cerca de 700 milhões de euros e tem um EBITDA (lucos antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) de 80 milhões.

“As empresas precisam de mais ciência para aumentarem a produtividade e aumentarem os produtos inventados em Portugal. Só assim se podem aumentar os salários”, afirma José Teixeira, presidente do grupo DST.

O empresário defende que “as parcerias com universidades, centros de investigação e institutos politécnicos são essenciais, mas são uma etapa do processo”, ressalva.

“As empresas têm de ter, para além de mestres e pós-graduados, muitos mais doutorados nos seus quadros. Temos de ter muito mais artigos publicados em revistas científicas e é esse caminho que estamos a fazer. Temos de ser mais citados e isso está a acontecer no grupo DST”, afiança Teixeira.

“É esse o caminho que estamos a fazer no grupo para inventarmos, para registarmos patentes - temos mais de uma dezena submetidas na área da construção industrial. Continuaremos determinados a apostar na formação em toda a cadeia de valor do trabalho como a solução para melhorar a vida dos que connosco trabalham”, promete o líder do grupo bracarense.

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