Presidente do Sporting: "Auditoria vai ver se fomos o clube mais azarado do mundo"
"Se houver evidência de gestão danosa e negligência, o Sporting vai actuar judicialmente sobre isso. Não há nenhuma alteração. O que dizemos é que não vale a pena as pessoas viverem num sobressalto de algo a que finalmente vão ter acesso", sublinha Bruno de Carvalho em entrevista ao Negócios.
Gestor da KPMG, ex-auditora da SAD, foi a escolha da direcção e é "controller", diz o presidente do Sporting em entrevista ao Negócios.
Suspeita de corrupção no Sporting no passado?
Não vou entrar por aí. O Sporting precisa rapidamente, e nós queremos dar essa informação na próxima assembleia geral, de definir os prazos da auditoria de gestão. E não estou a fugir à pergunta, quero é trazer alguma tranquilidade ao clube, que também é preciso. Aquilo que eu como sportinguista digo é: se não houve negligência e gestão danosa, foi um azar muito grande do Sporting. Vamos ter de ver com a auditoria de gestão se fomos o clube mais azarado do mundo ou se houve realmente negligência ou gestão danosa. Porque, para termos chegado onde chegámos, aconteceu alguma coisa. Não foi a instituição em si que definhou, foram as pessoas que cá estiveram que foram dando os "inputs" à própria instituição.
Há notícias de que a banca não quer "sangue". A auditoria é para levar até ao fim, doa a quem doer?
Ninguém tem dúvida nenhuma que a auditoria vai ser feita, vai ser bem feita e o facto de eu pedir calma não tem nada que ver com os resultados que podem advir da auditoria. Isso há-de advir de uma entidade independente e externa. Se houver evidência de gestão danosa e negligência, o Sporting vai actuar judicialmente sobre isso. Não há nenhuma alteração. O que dizemos é que não vale a pena as pessoas viverem num sobressalto sobre algo a que finalmente hão-de ter acesso.
Mas os bancos mostraram-se confortáveis com a auditoria?
Os bancos estão perfeitamente confortáveis com o trabalho que estamos a fazer e com os objectivos que temos definido, inclusivamente quanto à auditoria de gestão. É algo de que não abdicamos, é algo que vamos realizar e estamos todos perfeitamente em sintonia: vai acontecer, com as consequências que tiver.
Pode ter consequências também na sua administração, uma vez que tem um membro da KPMG, que era auditor do Sporting nos últimos exercícios?
É engraçada essa pergunta porque está a tentar criar-se algum género de confusão. Primeiro, aquilo que o Sporting poderá fazer é agir contra dirigentes, colaboradores, funcionários, não poderá agir contra entidades externas. A questão do Guilherme Pinheiro eu já expliquei várias vezes: foi vontade da direcção e da administração da SAD podermos contar com mais um elemento que pudesse ajudar-nos como "controller", isso para nós era importante. Nós temos de definir políticas e estratégias e sermos actuantes, e é necessário no dia-a-dia haver um controlo muito rigoroso do que se está a fazer. Estamos a falar de um clube com muitas modalidades, com um conjunto tremendo de departamentos e secções. E o Guilherme Pinheiro, que o Dr. Carlos Vieira [administrador financeiro] já conhecia há muitos anos, foram inclusivamente colegas de curso, é alguém que tinha um conhecimento do próprio Sporting exactamente pelo período que passou na KPMG.
Essa escolha foi interpretada como uma contrapartida da reestruturação financeira…
Vou repetir o que disse na assembleia geral, com dois milhares de pessoas e o próprio Guilherme Pinheiro presentes: no dia em que eu achar que o Dr. Guilherme Pinheiro não é uma mais-valia para o Sporting, esse é o dia em que ele sai. Não há nenhuma contrapartida, nenhuma imposição. Assim como no dia em que eu achar que não sou uma mais-valia para o Sporting, saio também.