Comité de Apelo da FIFA rejeita recurso de Blatter e Platini mas encurta sanções
Blatter e Platini tinham solicitado a anulação da suspensão por oito anos de todas as actividades de dirigismo desportivo. Mas apesar de o Comité de Apelo da FIFA ter rejeitado a anulação, encurtou a sanção para um período de seis anos.
Joseph Blatter, ex-presidente da FIFA, e Michel Platini, ex-presidente da UEFA e membro do Comité Executivo da FIFA por inerência, vão continuar impedidos de exercer quaisquer funções relacionadas com dirigismo desportivo. Mas esta sanção foi reduzida em dois anos.
O Comité de Apelo da FIFA rejeitou, esta quarta-feira, 24 de Fevereiro, os pedidos de anulação apresentados tanto por Blatter como Platini, ambos banidos do dirigismo desportivo por um período de oito anos na sequência da violação de regras de conduta. No entanto, aquele órgão do organismo que tutela o futebol mundial decidiu encurtar a pena inicialmente aplicada pelo Comité de Ética, reduzindo de oito para seis anos o período em que Blatter e Platini estarão impedidos de exercer funções de gestão desportiva.
Os antigos presidentes da FIFA e da UEFA foram banidos em Dezembro passado pelo Comité de Ética da FIFA, que considerou uma violação ética o "pagamento ilegal" - uma expressão utilizada pelas autoridades helénicas - de cerca de 1,8 milhões de euros, feito em 2011 por Blatter a Platini por alegados serviços de consultadoria prestados ao organismo responsável pela gestão do futebol mundial pelo ex-internacional gaulês.
Ambos viriam em Dezembro a sustentar que este pagamento foi feito com base num acordo verbal, que Platini reiterou estar previsto pelo enquadramento legal helvético. Apesar da redução da pena, foram, porém, aplicadas coimas aos ex-dirigentes. Sepp Blatter terá de pagar 50 mil francos suíços (45,6 mil euros), enquanto Platini foi penalizado com uma coima de 80 mil francos suíços (quase 73 mil euros).
O Comité de Apelo sustentou que os serviços prestados ao futebol ao longo dos anos por Blatter e Platini deveriam ser tidos em consideração, razão pela qual este órgão justifica a redução da penalização decretada em Dezembro último. Resta agora a estes ex-responsáveis do mundo do futebol um eventual recurso para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), cuja sede é na Suíça, em Lausana.
Jerome Valcke, que foi afastado do cargo de secretário-geral da FIFA em Janeiro passado, também foi banido por um período de 12 anos depois de as autoridades terem encontrado provas que implicam o braço-direito de Blatter na venda ilegal de bilhetes, destruição de provas e venda de direitos televisivos abaixo dos reais valores de mercado.
Estes três homens negam qualquer irregularidade decorrente das suas acções enquanto dirigentes desportivos. Blatter já reagiu e, citado pela BBC, mostrou-se "muito desiludido" com a decisão do Comité de Apelo e confirmou que irá agora recorrer junto do TAS.
Pedido de adiamento das eleições também foi rejeitado
Outra decisão conhecida esta tarde pertenceu mesmo ao TAS, que rejeitou o pedido de adiamento das eleições para a presidência da FIFA, acto eleitoral que será mesmo realizado já na próxima sexta-feira, 26 de Fevereiro, em Zurique.
O pedido foi apresentado na segunda-feira pelo príncipe jordano Ali al Hussein, um dos cinco candidatos à sucessão de Blatter na condução dos destinos do futebol mundial. Hussein pediu este adiamento argumentando com a necessidade de o acto eleitoral ter de ser levado a cabo através do recurso a cabines de votação transparentes.
Hussein disse que só assim as eleições poderiam decorrer de forma transparente, justificando esta alegação com as acusações sobre a compra de votos que pendem sobre vários membros da FIFA e das associações nacionais que integram o organismo e que têm direito de voto nas eleições da próxima sexta-feira.