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De vítimas a vândalos: Polícia brasileira indicia nadadores dos EUA por falsa denúncia

Um alegado assalto que afinal não terá passado de um episódio de vandalismo. Agora, os atletas olímpicos norte-americanos podem estar a contas com a justiça brasileira.

Jack Conger Gunnar Bentz nadadores eua olímpicos
Jack Conger Gunnar Bentz nadadores eua olímpicos Reuters
18 de Agosto de 2016 às 23:51

Depois do episódio da detenção no Brasil de dois nadadores da equipa olímpica dos EUA que se tinham queixado de um roubo, a história começa a tomar forma e de presumíveis vítimas, os atletas passaram agora a possíveis condenados por falsas declarações.

A polícia brasileira indiciou esta noite os nadadores olímpicos norte-americanos Ryan Lochte e James Feigen por falsa comunicação de crime. A notícia é avançada pela Globo News, que explica a versão das autoridades policiais: o que terá sucedido foi, não um roubo, mas uma altercação entre quatro nadadores da equipa dos EUA que participaram nos Jogos Olímpicos do Rio e um empregado de uma estação de serviço.

Contudo, os nadadores reportaram o incidente como um roubo, o que ao "provocar a acção de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de crime ou de contravenção que sabe não se ter verificado" pode levar a uma pena de detenção de entre um a seis meses ou à aplicação de uma multa, explica aquele meio de comunicação social.

"Em teoria, eles podem ser responsabilizados – um deles, dois ou todos os quatro – por terem denunciado um crime falso e por vandalismo", disse o chefe da polícia Fernando Veloso em conferência de imprensa.

Lochte e Feigen, juntamente com os colegas de equipa Jack Conger e Gunnar Bentz (na foto), terão vandalizado um posto de combustíveis quando faziam o trajecto de uma festa para a aldeia olímpica, que gerou posteriormente a discussão com os empregados. Contudo, no domingo, Lochte (que entretanto foi o único a abandonar o país) e Feigen relataram às autoridades terem sido assaltados.

Na madrugada desta quinta-feira, 18 de Agosto, Gunnar Bentz e Jack Conger foram detidos no aeroporto de Galeão no Rio de Janeiro quando se preparavam para deixar o Brasil. E depois disso, pelo menos um deles terá dado às autoridades uma versão diferente da do roubo supostamente ocorrido no domingo passado, segundo a qual pessoas vestidas de polícias teriam interceptado a viatura onde seguiam os nadadores, assaltando-os.

A polícia utiliza ainda imagens vídeo captadas na estação de serviço, nas quais os atletas surgem em discussão com os funcionários, para corroborar a sua tese. E explora uma linha de raciocínio: os nadadores terão inventado o assalto para tentar enganar a namorada de um deles, já que testemunhas referem que os atletas terão estado com outras raparigas na festa.

Bentz, Conger e Feigen (que deverá ser ouvido esta quinta-feira) estão para já impedidos de deixar o país por ordem judicial, em princípio enquanto se mantiverem as investigações. 

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