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AEP adere ao PER com acordo de credores

Nuno Albuquerque foi esta quarta-feira nomeado, pelo Tribunal do Comércio de Gaia, administrador judicial provisório da Associação Empresarial de Portugal (AEP), no âmbito de um Processo Especial de Recuperação (PER). A instituição já chegou a acordo com os credores para a reestruturação da sua vida económico-financeira.

Paulo Duarte
Rui Neves ruineves@negocios.pt 27 de Março de 2013 às 14:32
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A Associação Empresarial de Portugal (AEP) vai entrar num novo ciclo de vida. Depois de ter deixado o Europarque nas mãos do Estado, reduzido bastante o seu efectivo e ainda não ter pago o salário de Fevereiro, esta instituição está agora a caminho de superar a maior crise da sua história de quase 164 anos.

 

“Com efeito, no âmbito do plano de reestruturação aprovado pelos associados na assembleia geral de 21 de Setembro de 2011, foi celebrado na passada semana um Acordo Extrajudicial de Recuperação (AER) com nove instituições bancárias e com a Associação dos Parques de Exposição do Norte – Exponor, entidade participada pela AEP”, começa por salientar a instituição liderada por José António Barros, em comunicado. Estes credores representam quase 80% dos créditos totais da associação, que ultrapassam os 90 milhões de euros.

 

Como estava previsto, este acordo foi precedido da constituição de um fundo imobiliário, a sociedade NEXPONOR – Sociedade Especial de Investimento Imobiliário de Capital Fixo, SICAFI, S.A., com um capital social inicial de 375 mil euros, integralmente subscrito pela AEP.

 

Já aprovada pela CMVM, esta sociedade será gerida pela FundBox – Sociedade Gestora de Fundos de Investimento Imobiliário, S.A. e passará a deter os activos patrimoniais fixos do Parque de Feiras e Exposições da Exponor, em Leça da Palmeira, Matosinhos, onde a AEP promove há mais de 25 anos feiras, congressos e eventos.

 

Arrancou no passado dia 20, pelo prazo de 30 dias, o período subscrição pública de acções que vai fazer aumentar o capital social sociedade para cerca de 66 milhões de euros. Logo que concluída a subscrição pública, será requerida a admissão das acções da Nexponor à cotação no Alternext Lisbon, o segundo mercado bolsista português.

 

O sucesso da operação de subscrição pública está garantido logo à partida pelas subscrições dos nove bancos credores que assinaram o acordo, na proporção dos seus créditos, da própria AEP, da Fundação AEP e de outros investidores.

 

A AEP tem entretanto em curso uma “acção extraordinária de quotização”, com os associados a ser convidados a responder pelo equivalente a um ano de quotas. “Esse contributo será integralmente aplicado na aquisição de acções da Nexponor pela AEP”, garante a associação.

 

Ainda de acordo com o mesmo comunicado, o acordo de credores prevê também uma nova facilidade de crédito, a 10 anos (com reembolso numa única prestação, no final deste período, ou antes, através da venda de activos imobiliários detidos pela AEP e participadas) e no montante de 6,5 milhões de euros, e a reestruturação em idênticas condições de todo o passivo de curto e médio prazo.

 

“Para garantia desta operação, acaba de dar entrada no Tribunal do Comércio de Vila Nova de Gaia uma proposta de Processo Especial de Revitalização (PER) que defende todas as partes interessadas e permitirá ainda à AEP pagar, de uma só vez, os salários de Fevereiro e Março aos seus mais de 200 colaboradores e começar a regularizar, em breve, os pagamentos a fornecedores”, adianta a AEP.

 

Assim que concluir este processo de reestruturação, a AEP afiança que irá focaliza-se na sua missão de Câmara de Comércio e Indústria para a Região Norte, continuando, por outro lado, “a promover e a desenvolver a sua actividade de feiras de negócios e de congressos como um operador global e a concorrer no mercado em que se insere, organizando eventos nas instalações da Nexponor e nas de outras entidades, tanto no país como no estrangeiro”.

 

As entidades participadas Fundação AEP, Exponor Brasil, Cesae, APCER, Feira Park e Exponor Digital não estão abrangidas pelo referido plano de reestruturação – “ou porque são económica e financeiramente sustentáveis ou porque a posição da AEP é minoritária”, explica a associação presidida por José António Barros.

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