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Bancos chineses anunciam pelo menos 29,5 mil milhões em crédito para construtoras

Devido à falta de liquidez, alguns grupos suspenderam os trabalhos de construção de milhares de condomínios em todo o país. Em protesto, um número crescente de proprietários que adquiriu os imóveis em regime pré-venda recusou pagar as prestações mensais, ameaçando agravar a crise de liquidez.

O incumprimento da Evergrande lançou medo nos mercados. O contágio a outras geografias não se verificou, mas os analistas mantêm o tema debaixo de olho.
Thomas Peter/Reuters
Lusa 24 de Novembro de 2022 às 10:31
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Vários bancos estatais chineses anunciaram esta quinta-feira acordos para oferecer linhas de crédito a algumas das maiores construtoras do país, num montante de pelo menos 220.000 milhões de yuans (29.540 milhões de euros), informou a imprensa local.

Os anúncios surgem poucos dias depois de o Governo chinês ter divulgado um plano com 16 medidas de apoio ao fragilizado setor imobiliário e de o banco central e o regulador bancário da China terem reunido com as principais entidades do país para discutir mecanismos de financiamento para as construtoras em dificuldade.

O Banco de Comunicações (Bocom) anunciou uma linha de crédito no valor de 100.000 milhões de yuans (13.419 milhões de euros), para o segundo maior grupo de imobiliário da China, a Vanke, e outra de 20.000 milhões de yuans (2.684 milhões de euros) para a Midea Real Estate.

A Vanke assinou ainda um acordo com o Banco da China, que também lhe concederá 100.000 milhões de yuans.

O Banco Agrícola da China (ABC) anunciou outro acordo de cooperação com várias construtoras (China Overseas, China Resources Land, Longfor Group, Gemdale e, novamente, Vanke), embora não tenha especificado os montantes que vai disponibilizar.

Segundo a agência noticiosa Bloomberg, o maior banco do país, o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC), vai disponibilizar um plano de crédito de "dezenas de milhares de milhões", antes do fim de semana, para os grupos Country Garden e Longfor.

A mesma fonte informou que o último dos cinco grandes bancos estatais chineses, o Banco de Construção da China (CCB), ainda não anunciou qualquer acordo, mas já em setembro criou um fundo de 30 mil milhões de yuans (4,03 mil milhões de euros), para comprar propriedades às construtoras.

Devido à falta de liquidez, alguns grupos suspenderam os trabalhos de construção de milhares de condomínios em todo o país. Em protesto, um número crescente de proprietários que adquiriu os imóveis em regime pré-venda recusou pagar as prestações mensais, ameaçando agravar a crise de liquidez.

As medidas divulgadas por Pequim "garantem" a conclusão dos imóveis e direcionam os bancos a conceder "empréstimos especiais" para atingir esse fim, segundo a diretiva.

Essa decisão reflete uma "viragem" na postura das autoridades, desde que em 2020 decidiram restringir o acesso das construtoras ao crédito.

Os reguladores passaram a exigir, em 2020, um teto de 70% na relação entre passivos e ativos e um limite de 100% da dívida líquida sobre o património, suscitando uma crise de liquidez no setor.

Desde então, o acesso ao crédito pelas construtoras encolheu consideravelmente, enquanto a procura por imóveis afundou na China, face a uma desaceleração económica e à incerteza criada pelas medidas de prevenção contra a covid-19.

Várias construtoras chinesas entraram em incumprimento. O caso mais emblemático envolve a Evergrande Group, cuja dívida, que supera o Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal, vai ser reestruturada.

Nos últimos meses, Pequim anunciou outras medidas para tentar aliviar a crise imobiliária, como a abertura de linhas especiais de crédito ou a solicitação aos grandes bancos estatais do país para conceder financiamentos no valor de um bilião de yuans (136.896 milhões de euros) ao setor nos últimos meses deste exercício.

A maioria das estimativas coloca a contribuição do setor imobiliário para o PIB da China entre 25% e 30%, um rácio duas a três vezes superior ao de outros países.
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