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Casal terá enganado Berkshire Hathaway num esquema Ponzi

Jeff Carpoff tinha muito para comemorar quando amigos e parceiros se reuniram na festa de fim de ano da sua empresa em 2018.

Bloomberg 08 de Junho de 2019 às 14:00
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O ex-mecânico, Jeff Carpoff, e a sua esposa, Paulette, fundaram uma empresa de energia solar há cerca de 10 anos e estava a correr muito bem - tão bem que contou com a Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, como investidora. Os seus negócios, geradores de energia solar móveis, permitiam algumas extravagâncias. Possuíam mais de 90 carros, desde os clássicos Fords e Plymouths até Bentleys, pelo menos 20 propriedades, e uma equipa de beisebol profissional em Martinez, a nordeste de São Francisco.

 

Com o ano a chegar ao fim, lá estava Pitbull, o rapper de Miami, que comandava a sua festa de Natal no pretensioso hotel Fairmont, segundo pessoas com conhecimento do assunto. O evento, segundo Kyle Larson, piloto de corrida patrocinado por uma empresa de Carpoff, foi "de longe, a melhor festa de fim de ano que já fui!!".

 

Alguns dias depois, quando agentes do FBI bateram à porta, a extravagante vida dos Carpoffs desmoronou. Era uma estrutura em grande parte construída sobre uma suposta fraude – basicamente um esquema Ponzi, dizem as autoridades federais - que era tão elaborado e descarado como os seus hábitos de consumo.

 

A empresa dos Carpoff, a DC Solar, foi à falência e a maioria dos 100 funcionários está desempregada. A sua casa em Martinez, uma extensa propriedade de 4.200 metros quadrados, foi confiscada pela justiça; a piscina está cheia de folhas. Quando os agentes bateram à porta naquele dia no fim de dezembro, também apreenderam muitos dos carros de luxo. E levaram uma pilha de dinheiro – 1,8 milhões de dólares no total - que estava escondida num dos escritórios do casal.

 

Os Carpoffs, afirmam as autoridades, conseguiram atrair apostas para investimentos em energia solar num esquema fraudulento avaliado em 800 milhões de dólares. Prometendo elevados lucros e créditos fiscais federais, os Carpoffs conseguiram vender a ideia a investidores sofisticados, mesmo vindo de uma empresa pouco conhecida fora da Califórnia e do mundo das corridas de carros.

 

A Berkshire não foi a única que mordeu o isco, tendo investido 340 milhões de dólares, mas também a seguradora Progressive, que teve de devolver créditos fiscais superiores a 150 milhões de dólares devido principalmente aos investimentos na DC Solar. Cerca de meia dúzia de bancos regionais também financiaram a empresa, como o East West Bancorp, Valley National Bancorp e United Financial Bancorp. Todos investiram em fundos criados pela DC Solar, que renderam significativos créditos fiscais e possíveis ganhos.

 

A empresa devia usar o dinheiro para construir geradores móveis, que fornecem energia em eventos desportivos e outros estabelecimentos ao ar livre. Mas as evidências sugerem que a DC Solar "não estava envolvida em quase nenhum negócio legítimo", disse o governo. A empresa construiu e alugou apenas uma fração das mais de 12 mil unidades móveis que, segundo a DC Solar, estavam em uso, segundo o FBI. A empresa usou alegadamente grande parte do dinheiro de novos investidores para pagar os antigos - e para financiar os gastos do casal.

 

Carpoff não respondeu a pedidos de comentários.

 

"A DC Solar Solutions era um negócio de energia solar inovador, substancial e confiável. A empresa fabricou milhares de geradores solares móveis, que foram examinados e entregues fisicamente", revelou o advogado de Carpoff, Malcolm Segal, em comunicado. "Qualquer alegação de que houve um esquema Ponzi ou qualquer coisa ilegal envolvendo a operação do negócio não tem mérito."

 

Representantes do FBI e da SEC não quiseram comentar.

(Texto original: The Couple Who Feds Say Scammed Berkshire Hathaway for Millions)

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