CGD considera que preço da OPA à Cimpor pode ser mais alto (act.2)
A venda da participação da Caixa na Cimpor por 5,50 euros por acção é "aceitável". Mas o preço é "susceptível de melhoria". Ainda assim, é "totalmente irrelevante" compará-lo com os preços de anteriores transacções, diz o banco do Estado.
O banco do Estado, que se mostrou disponível para vender a participação de 9,58% que tem na cimenteira, considera que a contrapartida da OPA – 5,50 euros por acção – é “aceitável”, mas pode vir a ser mais alto.
“Avaliando o actual enquadramento do mercado e da própria operação, a CGD considerou, no caso concreto da Cimpor, o preço oferecido aceitável, mesmo que susceptível de melhoria”, esclarece o comunicado hoje emitido pelo banco.
A InterCement, detida pela Camargo Corrêa, a maior accionista da Cimpor com uma posição de 32,90%, lançou uma OPA, na sexta-feira passada, em que avança com uma contrapartida de 5,50 euros por acção. O “Financial Times”, por exemplo, escreve que não se pode dizer que esta oferta seja “generosa”. A avaliação dos analistas que seguem a empresa liderada por Francisco Lacerda também é superior em 7% ao valor da contrapartida da OPA.
Preço pedido em anteriores operações é “totalmente irrelevante”No documento distribuído pelas redacções, a CGD não comenta a notícia hoje avançada pelo Negócios, que indica que o banco foi obrigado a aceitar a oferta da Camargo. A Caixa não se terá pronunciado sobre o preço oferecido na OPA por parte da InterCement, fazendo-o agora no comunicado.
O facto de o preço agora aceite como contrapartida da OPA, os 5,5 euros por acção, ter sido rejeitado pela CGD em operações de alienação anteriores é “irrelevante”, segundo o banco.
“Deve referir-se que qualquer comparação com outros valores anunciados ou praticados em transacções passadas, envolvendo a Cimpor, é totalmente irrelevante, dada a alteração profunda de circunstâncias em que a economia portuguesa e a empresa actualmente operam”, comenta a entidade liderada por José de Matos.
Quando a brasileira CSN lançou uma OPA sobre a cimenteira nacional, em Dezembro de 2009, a oferta era de 5,75 euros por acção, revista depois em alta por 6,18 euros.
Contudo, a Votorantim e a Camargo Corrêa adquiriram as suas participações de referência por 6,50 euros por título, um euro acima do que é agora oferecido na operação.
No final ano passado, há alguns meses, a CGD também terá rejeitado uma oferta da Votorantim para comprar a participação de 9,6% que tem na Cimpor por 5,5 euros por acção. Uma oferta rejeitada, já que a Caixa, então sob a liderança de Faria de Oliveira, considerava que deveria haver um maior prémio, só admitindo vender por 6,50 euros.
Disponibilidade para vender faz parte do programa da troikaA decisão da Caixa de se mostrar disponível para a venda insere-se no processo de desalancagem prevista para o sector financeiro português, indica o banco. A CGD, como os restantes bancos, precisa de alienar activos não estratégicos, no âmbito do resgate financeiro a Portugal.
“Esse objectivo é atingido de modo mais adequado quando tais alienações estão associadas a entradas de capitais privados externos na economia, como é o caso na OPA anunciada pela InterCement”, indica a CGD no comunicado.
O programa de alienações da CGD – a saída da posição na Zon tem sido também mencionada – “está sujeita à evolução e oportunidades dos mercados”.
“Esta decisão da CGD, tal como também se comunicou, está naturalmente subordinada ao previsto no acordo parassocial em vigor que assinou com a Votorantim Cimentos SA”, escreve o comunicado do banco. A Votorantim é a segunda maior accionista da Cimpor, com 21,20%.
O Negócios avançou hoje que a CGD só decidiu a venda depois de a Votorantim garantir que poderá colocar fim ao acordo parassocial, que une os dois grupos desde há dois anos.
“Deve salientar-se que a OPA foi lançada pela exclusiva iniciativa da InterCement”, salienta o banco português.
(Notícia actualizada às 19h25; Notícia actualizada pela segunda vez às 19h56)