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CGD considera que preço da OPA à Cimpor pode ser mais alto (act.2)

A venda da participação da Caixa na Cimpor por 5,50 euros por acção é "aceitável". Mas o preço é "susceptível de melhoria". Ainda assim, é "totalmente irrelevante" compará-lo com os preços de anteriores transacções, diz o banco do Estado.

02 de Abril de 2012 às 18:57

O banco do Estado, que se mostrou disponível para vender a participação de 9,58% que tem na cimenteira, considera que a contrapartida da OPA – 5,50 euros por acção – é “aceitável”, mas pode vir a ser mais alto.

“Avaliando o actual enquadramento do mercado e da própria operação, a CGD considerou, no caso concreto da Cimpor, o preço oferecido aceitável, mesmo que susceptível de melhoria”, esclarece o comunicado hoje emitido pelo banco.

A InterCement, detida pela Camargo Corrêa, a maior accionista da Cimpor com uma posição de 32,90%, lançou uma OPA, na sexta-feira passada, em que avança com uma contrapartida de 5,50 euros por acção. O “Financial Times”, por exemplo, escreve que não se pode dizer que esta oferta seja “generosa”. A avaliação dos analistas que seguem a empresa liderada por Francisco Lacerda também é superior em 7% ao valor da contrapartida da OPA.

Preço pedido em anteriores operações é “totalmente irrelevante”

No documento distribuído pelas redacções, a CGD não comenta a notícia hoje avançada pelo Negócios, que indica que o banco foi obrigado a aceitar a oferta da Camargo. A Caixa não se terá pronunciado sobre o preço oferecido na OPA por parte da InterCement, fazendo-o agora no comunicado.

O facto de o preço agora aceite como contrapartida da OPA, os 5,5 euros por acção, ter sido rejeitado pela CGD em operações de alienação anteriores é “irrelevante”, segundo o banco.

“Deve referir-se que qualquer comparação com outros valores anunciados ou praticados em transacções passadas, envolvendo a Cimpor, é totalmente irrelevante, dada a alteração profunda de circunstâncias em que a economia portuguesa e a empresa actualmente operam”, comenta a entidade liderada por José de Matos.

Quando a brasileira CSN lançou uma OPA sobre a cimenteira nacional, em Dezembro de 2009, a oferta era de 5,75 euros por acção, revista depois em alta por 6,18 euros.

Contudo, a Votorantim e a Camargo Corrêa adquiriram as suas participações de referência por 6,50 euros por título, um euro acima do que é agora oferecido na operação.

No final ano passado, há alguns meses, a CGD também terá rejeitado uma oferta da Votorantim para comprar a participação de 9,6% que tem na Cimpor por 5,5 euros por acção. Uma oferta rejeitada, já que a Caixa, então sob a liderança de Faria de Oliveira, considerava que deveria haver um maior prémio, só admitindo vender por 6,50 euros.

Disponibilidade para vender faz parte do programa da troika

A decisão da Caixa de se mostrar disponível para a venda insere-se no processo de desalancagem prevista para o sector financeiro português, indica o banco. A CGD, como os restantes bancos, precisa de alienar activos não estratégicos, no âmbito do resgate financeiro a Portugal.

“Esse objectivo é atingido de modo mais adequado quando tais alienações estão associadas a entradas de capitais privados externos na economia, como é o caso na OPA anunciada pela InterCement”, indica a CGD no comunicado.

O programa de alienações da CGD – a saída da posição na Zon tem sido também mencionada – “está sujeita à evolução e oportunidades dos mercados”.

“Esta decisão da CGD, tal como também se comunicou, está naturalmente subordinada ao previsto no acordo parassocial em vigor que assinou com a Votorantim Cimentos SA”, escreve o comunicado do banco. A Votorantim é a segunda maior accionista da Cimpor, com 21,20%.

O Negócios avançou hoje que a CGD só decidiu a venda depois de a Votorantim garantir que poderá colocar fim ao acordo parassocial, que une os dois grupos desde há dois anos.

“Deve salientar-se que a OPA foi lançada pela exclusiva iniciativa da InterCement”, salienta o banco português.

(Notícia actualizada às 19h25; Notícia actualizada pela segunda vez às 19h56)

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