Criação de empresas caiu em 2024 pela primeira vez desde a pandemia
Depois do "boom" pós-pandemia, o nascimento de empresas abrandou até que em 2024 diminuiu, o que não sucedia desde 2020. "Gazelas" ainda seguraram crescimento.
A cada ano nascem novas empresas em Portugal, mas em 2024, pela primeira vez desde a pandemia, foram constituídas menos do que no ano anterior, resultando na inversão da tendência de crescimento.
Segundo dados publicados, esta quarta-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2024, foram criadas 246.589 empresas, um ligeiro decréscimo de 0,1% face ao ano anterior, o que não acontecia desde 2020, quando o número de nascimentos "tropeçou" 21,4%.
Em 2021, o número de novas empresas subiu 21,2%, acabando por ultrapassar os níveis pré-pandemia em 2022 ao disparar 24,1%. Já em 2023 o crescimento abrandou para os 6,3%.
Em números absolutos, em 2024, das mais de 1,59 milhões de empresas ativas em Portugal, 246.589 entraram em funcionamento nesse ano e face às "novas" do ano anterior empregavam mais pessoas (292.856, ou seja, mais 1,4%), mas geraram menos volume de negócios (4,68 milhões de euros, isto é, menos 0,2%).
Ainda assim, como salienta o INE, em termos líquidos, ou seja, da diferença entre os nascimentos e mortes, ficou um saldo positivo no número de empresas, do pessoal ao serviço e do volume de negócios.
É que as estimativas apontam, por outro lado, para um decréscimo do número de "mortes" (186.707 empresas, ou seja, menos 1,7% face a 2023), superior ao dos nascimentos.
A proporção de empresas sobreviventes um ano após o nascimento fixou-se em 73,8% (+0,2 pontos percentuais face a 2023) e as sobreviventes ao fim de três anos corresponderam a 47,7% (-1,2 pontos percentuais em relação ao ano anterior).
Já o número de sociedades não financeiras jovens de elevado crescimento, designadas "gazelas" - empresas com 10 ou mais pessoas remuneradas e até cinco anos de idade com um crescimento médio anual superior a 10%, medido em termos do número de trabalhadores ao serviço, ao longo de um período de três anos - aumentou em 2024, mas apenas 0,8%, contra os 8,3% em 2023.
Ao todo existiam 670, as quais foram responsáveis por um VAB (Valor Acrescentado Bruto) de 1.267 milhões de euros - menos 42 milhões do que em 2023.
Em termos de dimensão, dois terços das "gazelas" (65,7%) eram pequenas sociedades.
Por setores, a construção e as atividades imobiliárias concentravam o maior número (21,6%), enquanto, em sentido inverso, o setor dos transportes e armazenagem continuavam a registar a menor proporção (3,4%).
Mais lidas