Ouro muito próximo dos 5.300 dólares. Comentário de Trump afunda dólar e dá gás ao euro
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta quarta-feira.
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Trump afunda "nota verde" e leva euro a negociar acima dos 1,20 dólares
Pela primeira vez desde 2021, o euro conseguiu quebrar a barreira dos 1,20 dólares. As políticas erráticas de Trump têm deixado o dólar numa posição de fraqueza e os mais recentes comentários de que a "nota verde" está a ir "lindamente" pressionaram ainda mais a divisa. Leia a notícia completa aqui.
Petróleo praticamente inalterado perto de máximos de quatro meses
O barril de petróleo está a negociar praticamente inalterado esta quarta-feira, com o foco dos investidores desviado para o dólar e para o ouro, numa altura em que o mercado ainda está a digerir as ameaças de Donald Trump, Presidente dos EUA, ao regime iraniano liderado por Ali Khamenei.
A esta hora, o West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – ganha 0,08%, para os 62,44 dólares por barril, enquanto o Brent – de referência para o continente europeu – segue a desvalorizar 0,1% para os 67,50 dólares por barril. Os dois contratos acabaram por acelerar mais de 3% na sessão anterior, atingindo o valor mais alto desde setembro, depois de o líder norte-americano ter reiterado que há uma "grande armada" a caminho do Médio Oriente.
Trump diz esperar não a ter de usar, mas cresce assim a pressão sobre o regime iraniano - que tem enfrentado grande contestação popular e sido acusado de matar milhares de protestante. As tensões têm injetado o petróleo com um prémio de risco que levou a matéria-prima a inverter a tendência depressiva do ano passado, uma vez que o Irão é um dos grandes produtores de crude mundiais.
"A venda massiva do dólar americano está a impulsionar o petróleo, juntamente com as preocupações persistentes em relação ao Irão", explica Warren Patterson, diretor de estratégia de commodities do ING Groep, à Bloomberg. "Também estamos a observar uma grande força nos 'timespreads', o que coloca em causa a visão amplamente defendida de que existe um excedente" no mercado, acrescenta.
Para já, a Agência Internacional de Energia prevê que a oferta de petróleo exceda a procura em 2,5 milhões de barris por dia em 2026. A reversão dos cortes na produção de crude no ano passado da Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+), grupo do qual o Irão faz parte, contribuiu para o cenário, bem como a nova política dos EUA de "drill baby drill".
Ouro ultrapassa os 5.200 dólares com Trump a ajudar
É mais um recorde para o ouro. O metal precioso conseguiu ultrapassar a marca dos 5.200 dólares esta quarta-feira, poucos dias depois de ter "furado" os 5 mil - mas, desta vez, mais impulsionado por um dólar mais fraco do que por uma corrida a ativos de refúgio e redução da exposição ao risco.
Já depois de a "nota verde" ter atingido mínimos de quatro anos face a um cabaz de divisas concorrentes, onde se inclui o euro, Donald Trump veio afirmar que não está preocupado com as desvalorizações da divisa norte-americana. "O dólar está lindamente", defendeu esta terça-feira o Presidente dos EUA, com os investidores a conjeturarem a hipótese de a Casa Branca querer uma moeda mais fraca para impulsionar a competitividade das exportações do país.
A esta hora, o ouro avança 2,08% para 5.287,75 dólares por onça, muito próximo do novo máximo histórico de 5.292,143 dólares. Estes ganhos seguem-se a uma valorização de 3,4% no dia anterior, aquele que foi o melhor dia para o metal amarelo desde que Donald Trump, Presidente dos EUA, apresentou a sua nova política comercial ao mundo no infame "dia da libertação". Desde o arranque do ano, o ouro já acelerou mais de 20%.
Também os restantes metais preciosos estão a beneficiar com a fraqueza da "nota verde", com a prata a acelerar 2,33% para 114,69 dólares por onça, depois de ter conseguido fixar um novo máximo histórico nos 117 dólares na segunda-feira. Também a platina e o paládio estão a negociar em alta.
As ações da administração Trump têm sido o principal motor do "rally" do ouro este ano. Desde as ameaças tarifárias à Europa que levaram a uma guerra diplomática por causa da Gronelândia até à intervenção na Venezuela que culminou na captura de Nicolás Maduro, o metal amarelo tem servido de reserva de valor e beneficiado de um aumento das tensões geopolíticas a nível global.
Nesta terça-feira, numa análise no programa do Negócios no canal NOW, Paulo Monteiro Rosa, economista sénior do Banco Carregosa, explicou por razão não parece haver uma sobrevalorização do ouro.
"Honestamente, não me surpreende esta subida do ouro. Surpreende-me mais a velocidade, a rapidez com que o tem feito, do que a tendência (...) Isto não se trata de uma bolha clássica, é uma mudança estrutural no sistema monetário internacional. Ou seja, o ouro, a meu ver, volta a reassumir o seu papel histórico como reserva de valor num mundo cada vez mais fragmentado. (...) Desde a guerra da Ucrânia, entrou um novo paradigma na negociação do ouro. Deixou de ser tanto um ativo financeiro e passou a ser também, cada vez mais, um ativo geopolítico".
Ásia renova recordes. Resultados da ASML dão ímpeto à Europa
Foi mais uma sessão de recordes para a Ásia. O índice MSCI AC Asia Pacific Index acelerou mais de 1% esta quarta-feira, com as principais praças da região a serem impulsionadas pelas tecnológicas, numa altura em que os investidores aumentam a exposição ao setor em atencipação aos resultados de quatro das "sete magníficas" já esta semana. Pela Europa, a negociação de futuros aponta para uma abertura em alta, depois de a ASML ter apresentado resultados ao mercado e ter conseguido bater as previsões de encomendas dos analistas.
As atenções estão agora todas viradas para a Reserva Federal (Fed) norte-americana. O banco central deve manter as taxas de juro inalteradas, mas, mais do que mudanças na política monetária, os investidores vão estar à espera de pistas sobre o futuro da própria entidade e da sua liderança. Isto numa altura em que a Fed se movimenta sob a sombra da ameaça à sua própria independência, com o Departamento de Justiça dos EUA a investigar Jerome Powell.
Pela China, o Hang Seng de Hong Kong liderou os ganhos regionais, ao avançar quase 2,4%, beneficiando da sua grande exposição ao setor tecnológico. Já o Shanghai Composite terminou a sessão com ganhos mais modestos, ao crescer apenas 0,27%.
Já no Japão, o Kospi contrariou a tendência das restantes praças asiáticas e encerrou a negociação no vermelho, ao perder 0,79%. Por sua vez, o Nikkei, que passou grande parte da sessão em território negativo, conseguiu acelerar na reta final e acabar na linha d'água, com ganhos de 0,05%. Ambos os índices acabaram por ser penalizados pela valorização do iene face ao dólar, uma vez que as empresas japonesas são grandes exportadoras e uma divisa mais forte tende a deixá-las menos competitivas.
A "nota verde" já estava a negociar em mínimos de quatro anos contra o euro, quando Donald Trump, Presidente dos EUA, veio afirmar que não estava preocupado com o desempenho do dólar e que a moeda estava "lindamente". Em reação, os investidores acabaram por se afastar ainda mais da divisa norte-americana, numa altura em que a Casa Branca parece querer um dólar mais fraco para tornar as exportações mais competitivas.
"A administração Trump está a assumir um risco calculado", explica Win Thin, economista-chefe do Bank of Nassau 1982, à Bloomberg. "O mercado cambial é o principal indicador do desconforto do mercado em relação às políticas e às perspetivas económicas de um país, por isso vale a pena ficar atento a esta fraqueza do dólar", acrescenta.
Pela Coreia do Sul, o Kospi atingiu novos máximos históricos, ao acelerar 1,69%, com o Presidente dos EUA a adotar um tom mais conciliador em relação às suas mais recentes ameaças tarifárias contra o país. "Vamos conseguir chegar a algum acordo", disse numa conferência de imprensa na Casa Branca.
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